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Nordeste fortalece cooperação com a China

Fonte: odivulgador.net | Data: 02/09/2026 15:58:15

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Missão do Consórcio Nordeste discute financiamento para o Fundo Caatinga, implantação de fábricas chinesas na região e avança em transferência de tecnologia .

O Consórcio Nordeste deu início à missão oficial à República Popular da China, que ocorre entre 29 de agosto e 4 de setembro, com visitas ao Deserto de Kubuqi e à Universidade Agrícola da China (CAU), e reunião com o Banco Mundial. A agenda institucional tem como objetivo estreitar as relações com o país asiático e consolidar uma plataforma permanente de trabalho com órgãos governamentais, bancos de desenvolvimento e centros de pesquisa chineses.

“Nós consideramos a China uma parceira estratégica para impulsionar a transição ecológica no Nordeste e esta viagem tem como foco transformar interesses comuns em programas permanentes de colaboração, com transferência de tecnologia e atração de investimentos voltados à restauração da Caatinga, segurança hídrica e alimentar, indústria verde e bioeconomia”, ressaltou Carlos Gabas, secretário executivo do Consórcio Nordeste.

 Perspectivas de ampliar cooperação com Universidade Agrícola

A delegação nordestina, que é formada por gestores e corpo técnico do Consórcio Nordeste e dos governos da Bahia, Paraíba e Rio Grande do Norte, dirigentes do Banco do Brasil, representante do ICLEI América do Sul e integrantes da Embaixada do Brasil, foi recebida na segunda-feira (31) na Universidade Agrícola da China (CAU), em Pequim, pela professora Yang Minli e pelo secretário-geral da Associação das Indústrias de Maquinário Agrícola da China (CAAMM), Wang Fengde.

Yang Munli preside o Instituto Internacional de Inovação em Equipamentos Agrícolas e Agricultura Inteligente “Cinturão e Rota” e comanda o Centro de Pesquisa em Mecanização Agrícola da China, responsável pela coordenação do projeto de mecanização da agricultura familiar no Nordeste. Fruto de um Acordo de Entendimento (MoU) firmado em 2022 entre o Consórcio e a universidade, o projeto tem viabilizado a adaptação de máquinas chinesas de pequeno porte às condições do Semiárido, com experimentação em território nordestino e pesquisa aplicada.

Durante a reunião, o Consórcio propôs converter a cooperação em um programa de caráter permanente voltado à troca de saberes, ao repasse de tecnologias e à produção de equipamentos em solo nordestino. Foi ressaltado também que a região conta com uma estrutura de governança, como o Programa de Produção e Consumo de Alimentos Saudáveis PAS-Nordeste e o Plano Brasil Nordeste de Transformação Ecológica, os quais estão aptos a absorver iniciativas e ampliar sua escala.

“O Nordeste tem quase a metade da agricultura familiar brasileira e apenas 1,3% dela é mecanizada. Nosso desafio é muito grande! E a experiência chinesa na produção desses equipamentos e maquinário irá nos ajudar muito no desenvolvimento da atividade agrícola na região. Trazendo benefícios não só para o Nordeste, mas para todo o Brasil”, afirmou Gabas.

Abertura de diálogo com empresários chineses

Na sequência a universidade promoveu uma reunião entre a comitiva do Nordeste e executivos de fabricantes chinesas de maquinário agrícola – como YTO Group, Weichai Lovol, SINOMACH, XAG, Debont e AllyNav -, que se mostraram abertos a construir fábricas no Brasil.

Durante o encontro, Gabas explicou que o governo brasileiro definiu como meta elevar a mecanização da agricultura familiar nacional de 18% para 70% até 2033, e que a oferta atual do mercado brasileiro é focada em maquinário de grande porte, o que não atende à maioria da agricultura familiar.

“Cerca de 1,2 milhão de máquinas precisam ser produzidas para a gente atender, pelo menos, 70% de mecanização da agricultura no Nordeste. É um desafio de médio e longo prazo, e nós contamos com a ajuda e com a cooperação das empresas chinesas para superar esse desafio”, explicou.

Gabas ressaltou que o Nordeste quer produzir máquinas em seu território, com transferência de conhecimento e aperfeiçoamento da tecnologia chinesa junto com os produtores nacionais. O projeto de cooperação com a CAU já demonstrou a necessidade de adaptações do maquinário chinês à estrutura física dos agricultores brasileiros, ao clima e solo do Semiárido, e às leis nacionais.

A expectativa é que a cooperação resulte em avanços tecnológicos com impacto direto na produção de alimentos e na segurança alimentar. “Há um significado muito grande nessa parceria, porque ela alcança um objetivo muito importante do presidente Lula, que é buscar novas tecnologias e avanço tecnológico em todas as áreas, inclusive na produção de alimentos. Os resultados esperados são muito importantes não só para o Nordeste, mas também para o restante do Brasil”, afirmou Gabas.

Banco Mundial: Nordeste articula recursos para Fundo Caatinga

Nesta terça-feira (1º), a delegação do Nordeste se reuniu com representantes do Banco Mundial para discutir possibilidades de captação de recursos para a restauração de terras degradadas, especialmente estratégias para avançar na estruturação do Fundo Caatinga.

Durante a agenda, o especialista sênior em Gestão de Recursos Naturais do Banco Mundial, André Aquino, apresentou as perspectivas do cenário internacional, com destaque para a atuação da China na restauração de áreas degradadas e as possibilidades de cooperação para fortalecer a iniciativa no Nordeste.

Gestão territorial e restauração no Deserto de Kubuqi

A visita ao Deserto de Kubuqi, localizado em Ordos, na Região Autônoma da Mongólia Interior, foi a primeira agenda da delegação nordestina, realizada no dia 29 de agosto. A comitiva conheceu as instalações do projeto da “Grande Muralha Fotovoltaica de Controle da Desertificação”, um complexo com cerca de 53 mil hectares de terras tratadas e capacidade instalada de 12,84 milhões de quilowatts em energia fotovoltaica.

A experiência de Kubuqi é um exemplo de gestão do espaço, que combina a geração de energia renovável com o cultivo agrícola sob as placas solares e a aquicultura nos espaços intermediários. Para o Consórcio Nordeste, esse modelo interage com o Plano Brasil Nordeste de Transformação Ecológica e pode ser adaptado à realidade do Semiárido brasileiro, respeitando as características do bioma Caatinga e das comunidades que vivem na região.
“Brasil e China já são parceiros amistosos em áreas como tecnologia e investimento. Agora, esperamos aprofundar a cooperação em áreas como conservação da natureza, restauração ecológica e desenvolvimento de novas energias”, afirmou Gabas.

Continuidade da agenda

A missão do Consórcio Nordeste na China prossegue em Pequim nos próximos dias. A agenda inclui reuniões bilaterais com órgãos governamentais chineses, além de mesas de trabalho com instituições financeiras e internacionais.