Lula ou Flávio? Citi lista 10 ações para cada resultado da eleição
Fonte: estadao.com.br | Data: 02/09/2026 16:08:08
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Para o economista-chefe da corretora, Dalton Gardimam, setembro deve trazer mudanças de posicionamento e oscilações.
O Citi analisou o impacto dos programas de governo dos candidatos à Presidência do Brasil sobre ações. Em caso de reeleição de Lula, o banco prefere papéis ligados a programas públicos como o Minha Casa Minha Vida. Sob Bolsonaro, a preferência é por ações cíclicas e de maior duração. O relatório destaca setores como construção, shoppings, utilities, varejo, commodities e financeiro, com diferentes preferências conforme o cenário eleitoral. A análise foi conduzida por André Mazini, Piero Trotta e Kiepher Kennedy.
O Citi publicou um mapeamento setorial para ações brasileiras a partir dos programas de governo dos principais candidatos à Presidência e concluiu que, mais do que escolher “vencedores e perdedores” binários, o investidor deve pensar em rotação de carteira conforme o cenário eleitoral.
Em linhas gerais, o banco diz que, em uma reeleição de Lula (PT), tende a preferir papéis “all-weather” (para qualquer clima) e nomes com exposição a programas públicos como o Minha Casa Minha Vida (MCMV).
Num cenário de vitória de Flávio Bolsonaro (PL), a preferência migra para ações de maior “duration”, cíclicas e, de forma seletiva, companhias alavancadas, que se beneficiariam de juros longos mais baixos.
A análise é liderada pela equipe de estratégia de ações do Citi, com André Mazini, Piero Trotta e Kiepher Kennedy, e reúne contribuições de analistas setoriais.
O Citi também apresenta os destaques setoriais após a análise dos programas de governo dos candidatos. Para o banco, a linha geral é de impacto mais favorável ao setor privado, concessões e privatizações sob Bolsonaro, enquanto Lula tende a preservar a lógica atual de políticas setoriais e programas sociais, com mais presença do Estado em alguns segmentos.
Veja as preferências setoriais destacadas pelo relatório do Citi:
Construção residencial
O Citi afirma que os dois programas enfatizam a continuidade do programa de habitação popular – Lula fala em 3 milhões de unidades e Bolsonaro em 2,5 milhões. Sob Lula, o banco prefere construtoras mais expostas ao MCMV, como Cury (CURY3) e Tenda (TEND3), por entender que o governo tenderia a manter aprimoramentos do programa e condições de acessibilidade.
Já sob Bolsonaro, o Citi favorece a Cyrela (CYRE3) e a Eztec (EZTC3), assumindo uma trajetória mais benigna de juros e melhora de financiamento fora do MCMV.
O relatório chama atenção para um risco relevante para o segmento de média e alta renda: a proposta de taxação da Letra de Crédito Imobiliário (LCI)/Letra de Crédito do Agronegócio (LCA), citada em discussões do governo em 2025, que, se aprovada, poderia elevar custo de funding imobiliário e reduzir acessibilidade – ponto que levaria o banco a evitar o segmento caso a tributação avance.
Shoppings
O Citi diz que shoppings têm histórico de relativa resiliência à volatilidade política e costumam ser vistos como “bond proxies” (um tipo de “substituto” para títulos de renda fixa), pela previsibilidade de caixa e dividendos.
O banco vê valor na Allos (ALOS3), na Iguatemi (IGTI11) e na Multiplan (MULT3) como “election play”, ou seja, como uma estratégia pensada para aproveitar movimentos típicos do período eleitoral.
Ainda assim, os analistas apontam a Multiplan como preferida, citando o potencial de dividendos mais altos sob continuidade do atual governo.
Utilities
Entre as utilities, empresas que prestam serviços básicos, o Citi destaca diferenças de ênfase: Bolsonaro seria mais pró-concessões, privatizações e estabilidade regulatória; Lula, mais orientado a planejamento estatal e transição energética.
No recorte por subsegmento, o banco vê a leitura de transmissão como positivo em qualquer cenário, citando a ISA Energia Brasil (ISAE4), a Taesa (TAEE11), a Alupar (ALUP11), a Axia (AXIA3) e transmissões de utilities integradas.
Em saneamento, o Citi aponta sinal mais forte sob Bolsonaro, por apoio explícito ao marco do saneamento e aceleração de concessões e PPPs (Parcerias Público-Privadas), o que ampliaria oportunidades para operadores.
Sob Lula, o banco vê investimento agregado via programas federais, mas com apoio menos direto ao modelo privado e a retornos ao acionista.

Banco mapeia setores e ações que podem se beneficiar em uma reeleição de Lula ou em uma vitória de Flávio Bolsonaro e lista seus 10 papéis preferidos para cada cenário.
Foto: Envato Elements
Varejo
No varejo, o Citi diz que 2027 pode ser desafiador em qualquer cenário e separa cobertura em três grupos. Entre os mais resilientes, com balanços fortes e menor sensibilidade cíclica, o banco destaca a Smart Fit (SMFT3), a Vivara (VIVA3) e a Lojas Renner (LREN3).
No grupo mais vulnerável a juros altos por mais tempo, cita o Assaí (ASAI3), a Azzas (AZZA3), a Natura (NATU3) e o Magazine Luiza (MGLU3).
A Riachuelo (RIAA3) e a C&A (CEAB3) ficam em posição intermediária, com balanços razoáveis e braço financeiro, mas com menor “resiliência” do que o primeiro grupo.
O Citi chama atenção ainda para tópicos regulatórios com impacto transversal: tributação de compras internacionais abaixo de US$ 50, iniciativas de crédito ao consumo, aperto na regulação de apostas e possível pressão sobre incentivos fiscais.
Commodities
Em óleo e gás, o Citi diz que Lula tenderia a manter a Petrobras (PETR3; PETR4) no centro, com ênfase em investimentos e possível volta ao tema de distribuição e biocombustíveis – o que poderia aumentar complexidade e pressionar fluxo de caixa, embora subsídios e preços domésticos possam favorecer distribuidores.
Sob Bolsonaro, o banco vê maior foco em governança, disciplina e monetização de ativos, com potencial de favorecer a geração de caixa e dividendos de estatais.
Em siderurgia, o Citi menciona que Lula tende a apoiar medidas de defesa comercial, mas com exigências ligadas à transição de carbono; Bolsonaro enfatizaria redução de custos de energia e gás, em vez de barreiras.
Setor financeiro
O Citi aponta, no quadro eleitoral das instituições financeiras, a preferência pelo BTG Pactual (BPAC11) e pela Caixa Seguridade (CXSE3) no cenário Lula, por resiliência e potencial de se beneficiar de juros mais altos por mais tempo e de crescimento de crédito direcionado.
No cenário Bolsonaro, o banco destaca a XP (XPBR31) e a B3 (B3SA3), por maior sensibilidade a melhora de credibilidade fiscal, queda de juros longos e aceleração de atividade em mercado de capitais e volumes de negociação.
Top 10 em cada cenário
No agregado, o Citi lista como “top 10” para um cenário Lula:
Deslize para ver o conteúdo
| Ação | Ticker na B3 |
| Cury | CURY3 |
| Embraer | EMBJ3 |
| WEG | WEGE3 |
| Axia Energia | AXIA3 |
| Copel | CPLE3 |
| Bradsaúde | SAUD3 |
| Ultrapar | UGPA3 |
| Gerdau | GGBR4 |
| BTG Pactual | BPAC11 |
| Caixa Seguridade | CXSE3 |
Para um cenário Bolsonaro, a lista inclui:
Deslize para ver o conteúdo
| Ação | Ticker na B3 |
| Cyrela | CYRE3 |
| Multiplan | MULT3 |
| Sabesp | SBSP3 |
| Assaí | ASAI3 |
| C&A | CEAB3 |
| Hapvida | HAPV3 |
| Petrobras | PETR4 |
| Vale | VALE3 |
| XP | XPBR31 |
| B3 | B3SA3 |
*Conteúdo elaborado com auxílio de inteligência artificial, revisado e editado pela Redação da Broadcast