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Benjamin Steinbruch deixa a presidência da CSN após mais de três décadas e vai ficar no conselho

Fonte: estadao.com.br | Data: 02/09/2026 19:50:27

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Mineração 4.0: a revolução industrial do setor

Drones, satélites, 5G, gestão de dados e veículos autônomos já estão na operação da Vale, Rio Tinto e BHP; para especialistas é a revolução industrial do setor. Crédito: Estadão

Após 33 anos, Benjamin Steinbruch deixa a presidência da CSN, sucedida por Fabio Schvartsman, ex-CEO da Vale. Steinbruch liderou a CSN desde sua privatização em 1993, expandindo-a para cinco setores. A CSN enfrenta dificuldades financeiras, com dívida de R$ 42 bilhões, mas planeja reduzir R$ 20 bilhões com vendas de ativos. Schvartsman, apesar de envolvido no desastre de Brumadinho, é visto como competente. Steinbruch focará em estratégia e inovação, enquanto Schvartsman ajustará o capital da CSN.

Após muitos anos de expectativa do setor empresarial, industrial e financeiro, e de investidores e passadas mais de três décadas à frente do comando da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), um ícone do País, o empresário Benjamin Steinbruch está deixando a presidência executiva do conglomerado que reúne cinco negócio e fatura cerca de R$ 45 bilhões por ano.

O escolhido para o lugar de Steinbruch é o ex-presidente da Vale (2017 a 2019) Fabio Schvartsman, depois de passar também por Klabin, Ultrapar e outras empresas. O executivo, que atualmente está no conselho da distribuidora de combustíveis Vibra Energia e da OceanPact, de serviços marítimos, assume o cargo nesta quinta-feira, 3, disse ao Estadão o presidente da CSN em seu último dia à frente da diretoria executiva da CSN.

“É uma trajetória fantástica da CSN, em que estive à frente durante estes 33 anos, participando de seu crescimento, e hoje estamos em cinco negócios relevantes”, disse o empresário de 73 anos. Steinbruch chegou à CSN na privatização da empresa, em abril de 1993. O grupo de sua família, o Vicunha, era o líder do consórcio vencedor do leilão.

Benjamin Steinbruch: principal acionista, presidente do conselho e CEO: empresário deixa a presidência executiva nesta quinta-feira, 3

 

Foto: Felipe Rau/Estadão

“Na época a CSN fazia aço e herdou a mina de ferro Casa de Pedra, que fazia apenas 8 milhões de toneladas. Hoje faz várias vezes mais, próximo de 40 milhões de toneladas por ano, e é a segunda maior exportadora de ferro do País, vendendo para todo o mundo. Com a escória do aço conseguiu entrar no setor de cimento e construir o melhor grupo cimenteiro do país, com a maior margem do mercado”, afirma. A CSN Cimentos tem margem operacional (Ebitda) na casa de 28% a 30%.

A ex-estatal, criada em 1941 por Getúlio Vargas em Volta Redonda (RJ) e que foi leiloada por cerca de US$ 1 bilhão à época, hoje atua em: produção de aço (Brasil e Alemanha), minério de ferro (vendas de 40 milhões de toneladas por ano), cimento (venda de 14 milhões de toneladas anuais), logística ferroviária e portuária e geração de energia elétrica, solar e eólica. Steinbruch diz, com orgulho, que a empresa que emprega diretamente 42 mil pessoas.

A CSN vive um momento de dificuldade financeira, com uma dívida líquida de R$ 42 bilhões. Para o empresário, o processo de equacionamento da alavancagem financeira e da estrutura de capital está bem encaminhado, com previsão de abater até R$ 20 bilhões com a venda de do negócio de cimento e de uma participação minoritária no setor de infraestrutura. Com a reestruturação da dívida, a companhia deverá ficar sem o negócio de cimento, a ser vendido até meados de outubro por R$ 12 bilhões a R$ 15 bilhões, segundo avaliações de mercado, incluindo a dívida da cimenteira.

Usina de aço da CSN em Volta Redonda (RJ), que foi a geradora de um grupo diversificado, com cinco unidades de negócios

 

Foto: Marcos Arcoverde/Estadão

“É hora de ficar um pouco mais próximo da família, viajar mais e curtir mais os meus cinco netos. O de número seis está a caminho”, diz o empresário. Ele tem quatro filhos – dois homens e duas mulheres, o mais novo, Mendel (nome em homenagem ao pai), com 28 anos. “Eu fui pai aos 38 anos. Espero que ele faça o mesmo”, disse Steinbruch, que é casado com D. Carolina.

Steinbruch disse que no conselho vai cuidar mais da estratégia, ciente de que tem um CEO com a experiência de Fabio Schvartsman á frente da diretoria executiva e dos negócios. “Vou dedicar mais tempo para a estratégia de negócios, cuidar de foco na modernização, tecnologia, IA (inteligência artificial) e novos tipos de processos”.

Schvartsman, informa o empresário, vai trabalhar a adequação do capital da CSN com a experiência que tem. “Fiz uma sondagem no mercado e ele é bem visto e conta com condições de enfrentar os desafios que a CSN tem pela frente”.

O empresário viu que era hora de passar o bastão executivo à frente. Inicialmente, foi especulado que ele estava preparando sua primogênita Victória Steinbruch para ocupar seu lugar. Mas seu lugar é tão grande, disse certa vez um executivo do setor siderúrgico que o conhece bem, sobre a sucessão na companhia.

O interlocutor ressaltou que isso se tornou difícil pela sua presença de executivo e empresário, que liderou o processo de privatização da Vale em 1997, que teve muitas divergências com sócios, que saiu da Vale levando a CSN e a mega mina ferro Casa de Pedra (em Congonhas, MG), que fez a diversificação da siderúrgica. E que é duro na hora de negociar. Com base nisso, a saída foi trazer um experiente executivo do mercado.

“Após a reorganização da dívida, com a CSN mais equilibrada, vamos voltar a priorizar os investimentos de forma mais segura. Enquanto estiverem os juros no País nesse patamar, vamos ser muito cautelosos na hora de investir”, afirma Steinbruch.

“Estou ficando velho (73 anos); agora um pouco mais de descanso”. Quem imagina que Steinbruch vai sossegar, aparecer de vez em quando na empresa, se engana muito. O empresário vai querer saber cada detalhe dos negócios no dia a dia, cada centavo gasto e cada centavo gerado. ”Vou continuar trabalhando mais ainda”, declarou em entrevista ao Estadão.

Fabio Schvartsman, ex-presidente de Vale e Klabin, assume comando executivo da CSN

 

Foto: Alex Silva/Estadão

A trajetória do novo CEO

Reconhecido com um dos maiores executivos do País, Fabio Schvartsman, formado engenheiro de produção, assumiu o comando de duas companhias de relevância no País, a mineradora Vale e a fabricante de celulose e embalagens Klabin, de onde saiu para presidir a maior mineradora brasileira e principal de minério de ferro. Assumiu cargo de CEO da Vale em 22 de maio de 2017.

Para os padrões de executivos de seu calibre, permaneceu menos de dois anos, até fevereiro de 2019, tendo sigo arrastado pelo rompimento da barragem de rejeitos da mina Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG). O caso, que levou à morte de 270 pessoas, chocou o mundo e foi classificado como um dos maiores desastres ambientais da mineração mundial.

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Logo depois de fevereiro, o executivo pediu afastamento e ficou até abril na empresa, tendo sido substituído por Eduardo Bartolomeu. Schvartsman ainda está envolvido com ações na Justiça em decorrência do desastre de Brumadinho.

Questionado sobre isso, Steinbruch relativizou e disse que foi um acidente na carreiro de Schvartsman, mas reconhecendo que o caso marcou e ainda marca muito. “Essa questão (judiciária) vai ser resolvida em algum momento. Com todas as pessoas que conversei tive visões positivas sobre ele, ressaltaram a competência dele. Aqui, ele terá habilidade para se colocar”, afirmou o empresário.

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