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Advocacia-Geral diz à PF que cautela evitou anular os inquéritos do Master

Fonte: ocafezinho.com | Data: 03/09/2026 05:38:00

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A cúpula da Polícia Federal (PF) acusa de omissão a Advocacia-Geral da União (AGU) na crise com o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). O órgão chefiado por Jorge Messias devolve a acusação e afirma que os pedidos da corporação poderiam derrubar as investigações sobre o Banco Master.

Em jogo está a validade das provas reunidas contra Daniel Vorcaro e os demais alvos do caso. A avaliação dentro da AGU é que uma contestação judicial às decisões do relator produziria consequências sobre outras apurações e abriria espaço para questionar provas já obtidas.

O órgão sustenta que não houve omissão e que a estratégia impede os advogados dos investigados de colocar em xeque a validade dos inquéritos. Uma vitória processual das defesas beneficiaria justamente o ex-banqueiro preso no fim de 2025 pela Operação Compliance Zero.

O atrito nasceu quando a PF passou a exigir que a AGU atuasse no Supremo para reduzir o controle de Dias Toffoli sobre os inquéritos que ele relatava. Em janeiro, a polícia pediu que o órgão questionasse a decisão do ministro de definir os peritos do caso, e a AGU respondeu que matéria criminal não era tema de governo.

Toffoli deixou o caso em fevereiro, após a revelação de mensagens entre Vorcaro e o cunhado do ministro, Fabiano Zettel, sobre pagamentos à Maridt, empresa que tem o magistrado entre os sócios. O sorteio levou os inquéritos a Mendonça.

O novo relator juntou o caso Master à Operação Sem Desconto, que apura desvios em benefícios do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). Na medida em que as apurações avançaram sobre Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula, Mendonça restringiu o acesso da cúpula da PF às informações dos inquéritos.

Em julho, o ministro mandou juntar todos os atos da investigação do INSS ao processo de seu gabinete e exigiu aviso prévio para qualquer afastamento de policiais das equipes. A corporação leu as medidas como intromissão na gestão de seus quadros e cobrou da AGU um remédio judicial, que não veio.

Reunião surpresa e prazo de 72 horas

Em 24 de agosto, Mendonça convocou os investigadores sob o pretexto de tratar de outra diligência e entregou um despacho que já estava pronto quando o encontro começou. O documento dava 72 horas para a PF identificar todas as pessoas mencionadas em determinadas mensagens, inclusive autoridades com foro no Supremo.

As conversas extraídas do celular de Vorcaro tinham Alexandre de Moraes como interlocutor e citavam o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet. O sigilo do material caiu na terça-feira (1º).

Entre os diálogos revelados, Vorcaro pergunta se deveria deixar o Brasil dois dias antes de ser preso. Na síntese do relatório, os investigadores afirmam que o ex-banqueiro “monitorava autoridades”, obtinha documentos sigilosos e tentava influenciar agentes públicos.

O temor que alcança a própria PF

A acusação de omissão convive com uma contradição dentro da corporação. Os próprios investigadores temem que o avanço sobre Moraes, Gonet e Andrei Rodrigues seja visto como excesso e leve à anulação das apurações relacionadas ao Banco Master.

O receio repete, ponto a ponto, o diagnóstico da AGU que a cúpula policial chama de omissão. Gonet pediu na noite de terça a nulidade do relatório, com o argumento de que Mendonça extrapolou suas atribuições e de que investigar um ministro do Supremo exige autorização do plenário da Corte.

Messias buscou uma saída negociada e promoveu em agosto uma reunião entre Mendonça e o ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva. Andrei Rodrigues não esteve no encontro.

A desconfiança policial tem um ingrediente adicional. O advogado-geral pode voltar a ser indicado ao Supremo com o apoio de Mendonça, e esse cálculo alimenta na PF a leitura de que a cautela esconderia conveniência.

Na primeira tentativa, em abril, o Senado rejeitou o nome de Messias com 34 votos favoráveis, e a proximidade com Mendonça pesou contra o indicado. Os movimentos conhecidos até aqui, contudo, reforçam a tese da cautela, já que o pedido de nulidade partiu do procurador-geral e o medo de perder as provas nasceu dentro da própria polícia.

Mendonça afirmou que o caminho dos autos leva ao plenário do STF e que cabe ao presidente Edson Fachin definir a data da sessão. Fachin iniciou conversas individuais com os demais ministros para avaliar o ambiente interno.

Até o colegiado deliberar, as provas contra os alvos do Master seguem de pé. A palavra final sobre o alcance das diligências ordenadas por Mendonça ficará com o plenário, ainda sem data marcada.