Fieg divulga Relatório de Energia Elétrica e aponta salto de 231% nos investimentos da distribuidora goiana em 6 anos
Fonte: stgnews.com.br | Data: 03/09/2026 08:45:41
A Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), por meio do Conselho Temático de Infraestrutura (Coinfra), divulgou segunda-feira (31/8) a 9ª edição do Relatório de Infraestrutura de Goiás – Energia Elétrica. Com base em dados oficiais da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e da Equatorial Goiás, a publicação avalia a oferta e expansão da geração, a dinâmica do consumo e da tarifação e a qualidade do serviço prestado no território goiano.
O levantamento aponta que os investimentos realizados na infraestrutura de distribuição de energia do Estado passaram de R$ 790,09 milhões em 2019 para R$ 2,618 bilhões em 2025, alta de 231% no período que abrange a transição da concessão da Enel Goiás para a Equatorial Goiás. Para o presidente do Coinfra, Célio Eustáquio de Moura, o resultado reflete diretamente na confiabilidade do sistema. “Os investimentos recentes representam fator essencial para redução dos riscos operacionais, aumento da segurança energética e melhoria do ambiente de negócios, mas sua efetividade deve ser medida, sobretudo, pelos resultados obtidos nos indicadores de qualidade do fornecimento”, avaliou.
Nesse sentido, o Estado registrou melhora expressiva na continuidade do serviço na última década. O indicador de Duração Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora (DEC) caiu de 43,2 horas em 2015 para 12,6 horas em 2025, enquanto a Frequência Equivalente de Interrupção (FEC) recuou de 25,1 para 5,9 interrupções por unidade consumidora no mesmo intervalo. Apesar do avanço, o relatório mostra que a distribuidora goiana perdeu posições no Ranking Nacional de Continuidade do Serviço da Aneel, saindo da 27ª colocação em 2021 e 2022 para a 32ª em 2025.
O consumo de energia elétrica no Estado também segue em expansão. Entre 2015 e 2025, o total consumido em Goiás passou de 14.414 GWh para 20.957 GWh, crescimento superior a 45%. O setor industrial, especificamente, ampliou seu consumo de 4.939 GWh para 6.384 GWh no mesmo período, alta de 29,3%, uma expansão anual composta de 2,6%, sendo que somente entre 2020 e 2025 a demanda industrial cresceu 10,1%, adicionando 585 GWh ao total anual.
“A competitividade da indústria goiana está diretamente relacionada não apenas à disponibilidade de energia, mas também à qualidade do fornecimento, à evolução das tarifas, à segurança regulatória e à capacidade de planejamento da infraestrutura elétrica”, destacou o dirigente. Segundo ele, a abertura do Mercado Livre de Energia e a ampliação da geração renovável ampliam as oportunidades para um ambiente energético mais eficiente.
O relatório do Coinfra-Fieg confirma a consolidação do Ambiente de Contratação Livre (ACL) como vetor de modernização do setor: o consumo nesse mercado saltou de 3.482 GWh em 2016 para 7.322 GWh em 2025, um crescimento de 5,6% apenas no último ano da série. Já a Geração Distribuída (GD), impulsionada majoritariamente pela fonte solar, somava mais de 173 mil unidades conectadas em 2025, com capacidade instalada superior a 2,3 GW.

Na matriz de geração, Goiás segue predominantemente hidrelétrico, com 76,9% da energia produzida em 2025 vinda de usinas hidráulicas, seguida pela biomassa (12,5%), fonte solar (9,3%) e outras fontes (1,3%). A produção total do Estado somou 30.495 GWh no último ano, uma retração de 8,1% frente ao recorde histórico de 33.165 GWh registrado em 2024, mas ainda acima da média da série (26.430 GWh).
Sob a ótica tarifária, a Equatorial Goiás forneceu 11.301.657 MWh em 2025, o equivalente a 42,3% de toda a energia distribuída no mercado regulado da Região Centro-Oeste, atendendo a 3.519.543 unidades consumidoras, cerca de 46% das ligações da região. No mesmo ano, os reajustes tarifários aplicados às indústrias goianas variaram conforme a modalidade de fornecimento, com alta de 17,04% para o segmento de alta tensão e 19,01% para baixa tensão.
O relatório também projeta a entrada em operação de 103 novos empreendimentos de geração em Goiás até 2031, somando 4.637 MW de capacidade adicional. A geração elétrica por energia solar concentra a maior parte dos projetos, com 87 usinas e 4.100 MW previstos.
“O crescimento da demanda, a necessidade de expansão coordenada das redes de transmissão e distribuição, a integração de novas fontes de geração e a adaptação da infraestrutura aos eventos climáticos extremos exigem planejamento de longo prazo e investimentos contínuos”, observou o presidente do Coinfra.

Na matriz hidroelétrica, a Companhia Hidroelétrica São Patrício (Chesp) recebe destaque no relatório: abrangendo nove cidades e o povoado de Monte Castelo, em Jaraguá, a empresa opera uma infraestrutura de aproximadamente 2.657 km de redes de distribuição em 15kV, com 589 km de redes de baixa tensão e mais de quatro mil transformadores, além de subestações em Rialma, Carmo do Rio Verde, Uruana e Rianápolis.
Em 2024, os dados regulatórios da companhia registram aproximadamente R$ 112,9 milhões em ativo imobilizado em serviço e R$ 46,7 milhões em imobilizado em curso na atividade de distribuição. No mesmo ano, a Chesp alcançou DEC de 5,21 horas e FEC de 5,21 interrupções por unidade consumidora, os menores índices de série histórica da empresa.
Ainda no Ranking de Continuidade do Serviço de 2025, elaborado pela Aneel, a Chesp alcançou a 5ª posição entre as distribuidoras com até 400 mil unidades consumidoras, apresentando DGC de 0,52.
Confira o relatório na íntegra pelo link: https://www.fieg.com.br/portais/files/1493f046-eda1-4d1f-8d0e-dd9fceeec9fa.pdf?contentDisposition=inline
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