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Corredor rosa coloca navegação nuclear no mapa transatlântico

Fonte: datamarnews.com | Data: 03/09/2026 19:24:00

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set, 03, 2026

Semana202637

A proliferação dos chamados corredores verdes no transporte marítimo está ganhando uma nova tonalidade, com a divulgação de planos para um “corredor rosa” entre o Reino Unido e os Estados Unidos, destinado a analisar o que seria necessário para operar navios porta-contêineres movidos a energia nuclear através do Atlântico.

Lloyd’s Register, Maersk, Porto de Felixstowe e Porto de Charleston, na Carolina do Sul, estão unindo forças para examinar os requisitos operacionais, regulatórios e de segurança para um navio porta-contêineres teórico, movido a energia nuclear, que operaria entre os dois portos.

O estudo analisará a segurança dos navios e portos, as salvaguardas nucleares, a resiliência cibernética, a resposta a emergências, os seguros e a difícil tarefa de alinhar os regimes regulatórios marítimo e nuclear.

O projeto surge em um momento em que a propulsão nuclear avança rapidamente das margens do debate sobre os combustíveis do futuro para se tornar uma alternativa considerada cada vez mais seriamente por governos, sociedades classificadoras, armadores e portos.

Os Estados Unidos emergiram como um dos centros desse movimento. Em maio, o governo Trump lançou uma iniciativa formal para desenvolver pequenos reatores modulares destinados ao transporte marítimo comercial, instruindo a Administração Marítima dos Estados Unidos (MARAD) a investigar como a propulsão nuclear poderia ser implementada em larga escala nas frotas norte-americanas. Posteriormente, a MARAD firmou acordos com os portos de Long Beach e Corpus Christi para estudar como pequenos reatores modulares poderiam ser integrados a navios, terminais e ao sistema de transporte marítimo em geral.

No fim do mês passado, a MARAD firmou uma parceria com a CORE POWER para acelerar o desenvolvimento de uma frota de navios mercantes de bandeira norte-americana movidos a energia nuclear. O memorando de cooperação reúne a MARAD e a empresa de tecnologia nuclear fundada no Reino Unido para trabalhar na superação dos obstáculos que mantiveram a propulsão nuclear restrita aos navios militares. A CORE POWER pretende iniciar as primeiras construções a partir de 2028, embora o acordo não comprometa a MARAD com financiamento, aquisições ou compra de embarcações.

Em outra iniciativa, a Scorpio Tankers investiu US$ 10 milhões, no início deste ano, na desenvolvedora norte-americana de reatores Ampera. Inicialmente, o projeto tem como foco barcaças flutuantes de geração de energia nuclear, enquanto os navios mercantes movidos a energia nuclear representam uma ambição de longo prazo.

O aparato regulatório também começa a acompanhar essa evolução. Na semana passada, a Agência Internacional de Energia Atômica utilizou um encontro em Washington para lançar o ATLAS — Tecnologias Atômicas Licenciadas para Aplicações no Mar —, reunindo governos, órgãos reguladores, armadores e a indústria nuclear para desenvolver as normas necessárias ao transporte marítimo nuclear civil.

O novo projeto do corredor rosa dá continuidade ao trabalho iniciado pela Maersk, pelo Lloyd’s Register e pela CORE POWER em 2024, que analisa os requisitos regulatórios e de segurança para navios porta-contêineres movidos a energia nuclear.

Fonte: Splash247