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ESG transformará riscos ambientais em variáveis de gestão

Fonte: revistaecotour.news | Data: 03/09/2026 19:15:31

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ESG transformará riscos ambientais em variáveis de gestão

O risco climático apareceu nas empresas principalmente associado às metas ambientais e aos relatórios de sustentabilidade. A frequência e o impacto financeiro dos eventos extremos, porém, estão levando essa discussão para outras áreas da organização. Finanças, operações, compras, logística e gestão de riscos começam a enfrentar uma pergunta mais concreta: quanto a empresa pode perder se uma fábrica, fornecedor ou rota logística ficar indisponível por dias ou semanas?

O tamanho do problema começa a aparecer nas contas. Segundo o Banco Mundial, enchentes provocam aproximadamente US$ 5,36 bilhões em perdas por ano no Brasil, valor equivalente a cerca de 0,24% do PIB. As inundações de 2024 no Rio Grande do Sul, por exemplo, tiveram impacto estimado em quase US$ 17,8 bilhões, considerando os efeitos econômicos do desastre.

O episódio gaúcho mostrou como um evento climático pode atingir simultaneamente infraestrutura, transporte, energia, produção industrial, agronegócio, comércio e cadeias de fornecedores. Estudo coordenado pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico classificou as enchentes como o maior desastre natural da história do estado e apontou que aproximadamente 2,4 milhões de pessoas em 478 municípios foram afetadas. O próprio levantamento recomenda que planejamento e infraestrutura passem a considerar eventos extremos mais severos do que aqueles observados nas séries históricas.

A pressão econômica não é uma particularidade brasileira. A Swiss Re estima que as catástrofes naturais produziram US$ 107 bilhões em perdas seguradas globalmente em 2025, marcando o sexto ano consecutivo acima de US$ 100 bilhões. O movimento amplia a discussão não apenas sobre contratação de seguros, mas sobre prevenção, exposição dos ativos e capacidade das empresas de continuar operando depois de um evento extremo.

Essa mudança também aparece nos padrões internacionais de divulgação financeira. O IFRS S2, voltado aos riscos e oportunidades relacionados ao clima, estabelece que empresas que adotam o padrão devem avaliar riscos físicos e seus potenciais efeitos sobre fluxo de caixa, acesso a financiamento e custo de capital. O padrão também relaciona a análise climática aos processos de governança, estratégia e gestão de risco da organização.

Para a EcoWise, o próximo estágio da agenda ESG passa justamente por transformar riscos ambientais em variáveis de gestão. Na prática, isso significa mapear quais unidades, fornecedores e rotas estão mais expostos, estimar possíveis perdas de receita, calcular o custo de interrupções, revisar coberturas de seguro e definir investimentos que aumentem a resiliência da operação.

Uma fábrica localizada em uma área sujeita a enchentes, por exemplo, não enfrenta apenas o risco de danos físicos. É preciso considerar indisponibilidade de energia, dificuldade de acesso dos funcionários, interrupção do transporte, falta de insumos, atraso nas entregas e impacto sobre clientes. A mesma lógica vale para secas que comprometem abastecimento de água ou geração de energia e para ondas de calor que afetam produtividade, equipamentos e condições de trabalho.

Nesse cenário, adaptação climática começa a ganhar características semelhantes às de outras disciplinas de gestão de riscos. Em vez de perguntar apenas qual é a probabilidade de determinado evento acontecer, empresas precisam estimar sua exposição financeira, definir indicadores, construir cenários e decidir antecipadamente quanto estão dispostas a investir para reduzir possíveis perdas.

O ESG, portanto, deixa de olhar somente para o impacto que a empresa provoca no meio ambiente. Cada vez mais, passa também a responder quanto as mudanças ambientais podem custar ao próprio negócio. E essa é uma conta que tende a aparecer cada vez mais cedo nos orçamentos corporativos.

Fonte: EcoWise