Vorcaro diz ter sofrido pressão para não delatar nomes do Governo Lula
Fonte: gp1.com.br | Data: 03/09/2026 20:42:23
Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master, afirmou em depoimento sigiloso que sofreu intimidações e maus-tratos durante o período em que esteve preso. Segundo ele, também houve pressão para que não incluísse em uma eventual delação premiada integrantes do Governo Lula (PT) e o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues.
A declaração foi feita na quinta-feira (27), durante uma oitiva conduzida por um juiz auxiliar do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). A audiência ocorreu sem a participação de agentes da PF e sob sigilo.
Foto: Divulgação/Banco Master
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master
Vorcaro afirmou que pretendia relatar relações que manteve com autoridades e pessoas ligadas ao governo. Sobre Andrei Rodrigues, disse que os dois tinham uma relação cordial e que o diretor-geral da PF participou de eventos ligados ao banco. “Não chegou a amizade, mas uma relação de estar em eventos conjuntos, de estar em eventos de charuto, juiz, de ter uma tratativa cordial, amistosa, de ir com a família em eventos do banco, convites para eventos de Fórmula 1, de outras coisas”, declarou.
Questionado se pretendia mencionar Rodrigues em uma colaboração premiada, Vorcaro respondeu que sim. Ele afirmou ainda que sua proposta envolveria pessoas do núcleo do atual governo com quem havia estabelecido relações enquanto buscava se proteger de ataques contra o Banco Master.
“Sim, porque toda a minha colaboração, no que tange a pessoas, são pessoas do núcleo do atual governo, que eu acabei fazendo relação para me proteger dos ataques que eu estava sofrendo. E aí, nesses momentos, teve uns casos que foram cruzadas linhas de moralidade, linhas de ilicitude, que esses eu pretendia relatar”, afirmou.
O ex-banqueiro também declarou que não acreditava ser possível avançar com uma delação que envolvesse autoridades que, segundo sua versão, poderiam ser afetadas pelas informações apresentadas.
“No meu entendimento, houveram (sic) relações jurídicas e pessoais com pessoas relevantes do atual governo e de instituições que, caso reveladas, poderiam prejudicar pessoas que estavam do outro lado da mesa”, disse.
Relatos de intimidação
Durante o depoimento, Vorcaro relatou supostas ameaças durante transferências entre unidades prisionais. Ele afirmou ter permanecido por horas em um espaço fechado e sem ventilação durante um deslocamento de São Paulo para Brasília.
“Quando eu abro a porta eu já recebo uma fala: ‘Isso que dá. Você querer falar disso do chefe? Vai acontecer isso’. Isso [ocorreu] em um transporte, quando eu saí de São Paulo, que ia vir para Brasília”, relatou.
Ele também disse ter sido transportado de helicóptero com os olhos vendados e afirmou que agentes fizeram comentários que interpretou como ameaças.
Vorcaro não atribuiu diretamente a uma autoridade específica a ordem pelas supostas intimidações. Ao ser questionado, negou ter recebido ameaças pessoais de algum delegado da PF ou diretamente da Procuradoria-Geral da República (PGR).
PGR pediu arquivamento
A Procuradoria-Geral da República pediu o arquivamento do procedimento relacionado aos relatos de Vorcaro. Para o procurador-geral Paulo Gonet, o depoimento não apresentou elementos concretos suficientes para sustentar as acusações ou justificar a abertura de uma investigação.
As tentativas anteriores de Vorcaro de firmar um acordo de colaboração premiada com a PF e a PGR não avançaram. Segundo as autoridades, as informações apresentadas anteriormente não estavam acompanhadas de elementos suficientes para justificar o acordo.
A defesa do ex-banqueiro pediu uma nova oportunidade para negociar uma delação. Procurados, Andrei Rodrigues, o Ministério da Justiça e a Polícia Federal não haviam se manifestado até a publicação da reportagem.