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Pergunta da semana’: De Vorcaro e Moraes ao ‘Dark horse’, os ecos do Master podem favorecer a ‘onda’ Augusto Cury?

Fonte: oglobo.globo.com | Data: 04/09/2026 03:56:51

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Newsletter semanal com colunistas do GLOBO fala dos efeitos das investigações envolvendo o banqueiro e da ascensão do candidato do Avante nas pesquisas

Colunistas do GLOBO respondem sobre temas eleitorais na nova newsletter 'A pergunta da semana'
Colunistas do GLOBO respondem sobre temas eleitorais na nova newsletter ‘A pergunta da semana’ — Foto: Editoria de Arte

Dois fatos de ordem distintas marcaram a semana política brasileira. No campo iminentemente eleitoral, Augusto Cury (Avante) viu sua candidatura à Presidência da República dar um salto repentino e já aparece atrás apenas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). O escritor somou 10% das intenções de voto na pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira, oito pontos a mais do que no levantamento anterior.

Outro evento, porém — também com possíveis desdobramentos nas urnas —, roubou as manchetes: a revelação de conversas inéditas entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), mostrando que o dono do Master recorreu diversas vezes ao magistrado enquanto já era investigado. Os novos desdobramentos do escândalo levaram Lula a tentar se afastar politicamente de Moraes. Enquanto isso, uma reportagem da revista Piauí revelou um relatório do Coaf no qual consta que Vorcaro repassou US$ 1,6 milhão ao fundo que administrava o dinheiro do filme “Dark horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro, meses depois do que Flávio havia apontado como o último pagamento do banqueiro, contradizendo a versão apresentada pelo senador.

Mas afinal, de Vorcaro e Moraes ao “Dark horse”, os ecos do Master podem favorecer a “onda” Augusto Cury? Esse é o questionamento de hoje da newsletter “Pergunta da semana”, na qual jornalistas do GLOBO focados na cobertura política respondem, sempre às quintas-feiras, as principais dúvidas que emergem na disputa eleitoral. Nesta edição, analisam o tema os colunistas Pablo Ortellado, Bela Megale e Lauro Jardim, além do editor de Política, Thiago Prado.

Confira!

A se julgar pelo passado, o eleitorado de Augusto Cury parece ser o mesmo que busca uma alternativa à polarização — o eleitorado que já votou em Marina, Ciro e Tebet. Nas últimas eleições presidenciais, ele tem oscilado em torno de 10% no primeiro turno, o que significaria que Cury está perto do seu teto. A crise do Master, que afeta Lula e Flávio, pode empurrar Cury um pouco mais, mas não acredito que ele suba muito.

Com propostas no mínimo inusitadas, como nomear influenciadores para embaixadas, o escritor Augusto Cury ultrapassou nomes consolidados da política brasileira e ocupa o terceiro lugar nas pesquisas. O avanço do caso “Dark Horse”, com uma delação premiada firmada, deve trazer novos efeitos para Flávio Bolsonaro, assim como os diálogos entre Vorcaro e Moraes podem respingar negativamente na campanha de Lula. Isso faz com que, mesmo sem propostas consistentes, Cury surja na onda antipolítica e ganhe espaço como uma terceira via, cuja única bandeira é não ser nem Lula nem Bolsonaro.

Quanto maior o desgaste de Flávio Bolsonaro, do Lula e do “sistema”, mais ainda um outsider da política em ascensão pode ser beneficiado. Mas é preciso entender se a “onda Cury” é um “voo de galinha” ou se tem solidez. É necessário, por exemplo, ver como sua candidatura reagirá aos ataques que obrigatoriamente surgirão de todos os lados. Suas fragilidades — de propostas e de apoios — devem ficar mais evidentes agora que ele virou um personagem de fato da disputa.

Já favoreceu. Há uma parte do eleitorado cansada com as brigas da política e os escândalos de corrupção. Sem ser raivoso, Cury surfou nessa onda que busca alguma novidade fora da polarização e conseguiu se destacar no que venho chamando de “troféu terceiro lugar”. Para brigar pelo segundo turno, contudo, há ainda um improvável caminho. Não conhecemos o teto do escritor, mas sabemos que os pisos de Lula e Flávio são muito altos.

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