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Clima tenso na campanha petista após pesquisa, o fazendeiro Rui e a ironia do destino

Fonte: correio24horas.com.br | Data: 04/09/2026 06:55:52

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  • Foto do(a) author(a) Pombo Correio

  • Pombo Correio

Publicado em 4 de setembro de 2026 às 06:00

Governador e candidato à reeleição Jerônimo Rodrigues
Governador e candidato à reeleição Jerônimo Rodrigues Crédito: Matheus Landim/Divulgação

Se o clima na cúpula do governador Jerônimo Rodrigues (PT) já não era dos melhores, as últimas pesquisas eleitorais ajudaram a azedar de vez o ambiente. A AtlasIntel, tratada com especial respeito pelos governistas desde que acertou a vitória de Jerônimo em 2022, apontou ACM Neto (União Brasil) vencendo a eleição no primeiro turno. Foi mais um ingrediente para aumentar o desânimo, que, segundo deputados da base, em alguns gabinetes já começa a ganhar contornos de desespero. Jerônimo anda nervoso e Rui Costa (PT), mais ainda. O ex-governador tem distribuído queixas para todos os lados: reclama da condução da campanha, da coordenação, da comunicação, do formato dos eventos, dos deputados, dos candidatos e dos aliados, que, na avaliação dele, precisam ser enquadrados e trabalhar mais. A pesquisa só piorou o humor.

Ele não

Não bastasse isso, as avaliações do CEO da Atlas, Andrei Roman, após a divulgação da pesquisa, incendiaram ainda mais o ambiente interno dos governistas. Ele sinalizou que a avaliação do governo Jerônimo já vinha caindo ao longo do tempo e lhe causara surpresa o partido apostar na sua reeleição, mesmo diante de uma “cenário tão desafiador”, deixando no ar a ideia de que o governador deveria ser substituído. É que além de ferir de morte o ciclo de 20 anos do PT na Bahia, Jerônimo pode impactar, até de maneira decisiva, a votação de Lula (PT).

Senhor da verdade

Outro foco de insatisfação na campanha governista atende pelo nome de Bruno Monteiro. Responsável pela comunicação da campanha, ele vem acumulando críticas entre integrantes da base, sobretudo pelo estilo considerado autoritário na condução do trabalho. Quem está dentro da campanha descreve Monteiro como um elemento desestabilizador. O resultado é uma coleção crescente de atritos e discordâncias com diferentes setores do grupo. Entre os mais incomodados está Rui Costa. Nos bastidores, é de conhecimento geral que o ex-ministro não morre de amores por Bruno, e tampouco economiza críticas à atuação de Monteiro.

Uma foto que diz muito

Uma foto do ex-ministro Rui Costa deu o que falar nesta semana nos bastidores da política baiana. Na imagem, o petista aparece ao lado do casal José e Maria Mendonça, ambos ex-prefeitos de Ipiaú. Eles seriam os “donos” de uma fazenda que o ex-ministro e candidato ao Senado supostamente mantém na região, conforme reportagem publicada pelo UOL em 2024. A imagem, é claro, circulou e rendeu muitos comentários. Mas é melhor encerrar o assunto aqui para não irritar Rui.

Consequência

Em relação aos resultados das mais diferentes pesquisas que projetam a vitória de ACM Neto, a cúpula de Jerônimo se preocupa com dois movimentos consequentes. O primeiro é que se intensifiquem as adesões de prefeitos e lideranças à candidatura do ex-prefeito de Salvador, movimento que tem ganhado corpo nos últimos dias. O outro é que, diante do desgaste de Jerônimo, candidatos a deputado passem a deixar o governador de lado e focar em suas próprias empreitadas.

Perseguição

Um servidor da Prefeitura de Paulo Afonso foi exonerado após ter participado de um evento político de ACM Neto na cidade, na noite da última quarta-feira (2). A medida do prefeito Mario Galinho (PSD), aliado de Jerônimo, ganhou repercussão e tem todas as características de perseguição política. A exoneração causou grande comoção, visto que o servidor é muito querido na cidade. O mais curioso é que esse tipo de ação acontece justamente por parte do grupo que diz ser paladino da democracia.

Ironia do destino

Vejam como são as coisas na Bahia. O grupo de Jerônimo anda falando por aí do uso de inteligência artificial na campanha, mas justamente o próprio time petista foi condenado pela Justiça Eleitoral por, pasmem, uso de IA em uma peça. A publicação fala de “grande transformação na Bahia”, mas, segundo a decisão, o vídeo utiliza recursos de animação tridimensional, modelagem gráfica e síntese de áudio e voz, sem que isso tenha sido previamente comunicado. Aí fica a lição: falaram tanto do uso de IA, mas agora precisam usar para tentar falar da “grande transformação” que fizeram. Ironia do destino.

Jerônimo contra a regulação

Jerônimo, por sinal, resolveu partir para uma espécie de tudo ou nada. Mas não foi sozinho. Alistou a secretária de Saúde do Estado para fazer um ataque frontal ao Pix Saúde, proposta apresentada pelo candidato ACM Neto de comprar leitos na rede particular em casos de urgência quando não houver vagas disponíveis na rede pública ou na filantrópica conveniada ao SUS. A ideia é desafogar a fila da regulação, problema crônico na gestão estadual. Mas, ao condenador o Pix Saúde, o time de Jero esbarra naquela máxima: não resolve e ainda critica quem quer resolver.

Feriadão sem ferry

Chegamos a mais um feriadão de 7 de Setembro sem que o governador Jerônimo Rodrigues tenha cumprido a promessa feita ainda em 2022, logo após ser eleito, de comprar pelo menos dois novos ferryboats para a travessia Salvador-Itaparica. Nesta semana, questionado em sabatina, o governador falou na expectativa de que apenas uma nova embarcação chegue nos próximos meses, mas não fixou prazo, em mais uma resposta genérica e vaga para escapar da cobrança. Após quatro anos de mandato, Jerônimo nem construiu a lendária ponte Salvador-Itaparica, como também havia prometido, nem conseguiu entregar sequer os ferries que anunciou. Definitivamente, parece ser uma questão de indisposição pessoal com Salvador e com o povo da Ilha.

Oposição caseira

Sobrou mais uma vez para o presidente Lula. Durante sabatina na TV Aratu esta semana, o governador Jerônimo voltou a dizer  que aguarda o seu aliado de Brasília assumir a responsabilidade no enfrentamento à crise da segurança pública na Bahia. A fala, novamente, repercutiu nas redes como tentativa do governador de arremessar para o Palácio do Planalto a culpa pelo drama diário que aflige os baianos. A estratégia de terceirizar à capital federal, além de curiosa, revela o tamanho do desconforto do governador com a cobrança crescente por resultados na segurança. E, na prática, é como se estivesse fazendo oposição ao próprio aliado, já que vincula ao líder nacional o desgasta que acumula na esfera estadual.