Gilmar Mendes propõe expulsar delegados da PF dos gabinetes do STF em meio à crise do caso Master
Fonte: tribunadoplanalto.com.br | Data: 04/09/2026 07:53:09
Decano quer proibir policiais federais de atuarem como assessores de ministros. Medida atinge gabinetes de Moraes e Mendonça, principais protagonistas da crise no Supremo.
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, propôs ao presidente da Corte, Edson Fachin, que delegados da Polícia Federal sejam proibidos de atuar nos gabinetes dos magistrados. A medida já vinha sendo defendida pelo decano desde o início da crise entre o ministro André Mendonça e a direção da PF. No entanto, ganhou força após o relator do caso Master expor diálogos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro com o ministro Alexandre de Moraes.
Atualmente, seis delegados da Polícia Federal estão cedidos ao Supremo. Desse total, dois trabalham com Mendonça nos inquéritos do Banco Master e do INSS. Outros dois atuam diretamente com Moraes. Há ainda um delegado no gabinete de Luiz Fux e outro na área de segurança da Corte.
Crise expõe influência de policiais sobre investigações
Nos bastidores, cresceu o questionamento sobre o grau de influência que os policiais cedidos podem exercer sobre a condução dos inquéritos. Gilmar Mendes avalia que a proximidade entre delegados e ministros pode criar uma relação inadequada entre investigadores e julgadores.
A proposta do decano não atingiria apenas Mendonça, que está no centro do embate com a PF. Também alcançaria o gabinete do próprio Moraes, pivô da crise desencadeada pelas mensagens de Vorcaro, e o de Fux.
O ministro Gilmar afirmou a auxiliares que os policiais federais lotados nos gabinetes podem interferir nas investigações. O objetivo, segundo ele, seria galgar novas posições na categoria ou obter algum benefício político.
Tensão entre Mendonça e PF se agrava
A crise no Supremo se intensificou após Mendonça, relator das operações Sem Desconto e Compliance Zero, determinar a quebra de sigilo de um relatório da PF. O documento expõe conversas entre Moraes e Vorcaro. Em uma das mensagens, o ex-banqueiro questiona o ministro sobre a possibilidade de reverter medidas da investigação.
A cúpula da PF reclama de interferência na condução das apurações. Por outro lado, o gabinete de Mendonça se queixa da demora da corporação em dar andamento aos inquéritos, entre eles o que cita Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
Mendonça nega ter cometido irregularidades. Ele afirma a pessoas próximas que atua com cautela e independência. Seu objetivo, segundo ele, é garantir a integridade das investigações, respeitando o devido processo legal.
Fachin tenta conter crise inédita
O presidente do STF, Edson Fachin, tem procurado os ministros para conversas individuais. A avaliação de Fachin é que a situação não tem precedentes. Ele defende que o caso seja tratado com o máximo de prudência para preservar a instituição.
A ala que defende Moraes entende que Mendonça atropelou os ritos. O relator teria mandado a PF investigar um ministro do STF à revelia de decisão prévia do plenário, como manda o regimento. Esse grupo compara os métodos de Mendonça com os da Operação Lava Jato.
O entorno de Mendonça rebate as críticas. Segundo aliados, não houve ato investigatório, apenas uma determinação para que a PF identificasse o interlocutor de Vorcaro.
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