Após negócio bilionário com a 3G, Skechers acelera no Brasil com US$ 50 milhões e 100 lojas no radar
Fonte: businessmoment.com.br | Data: 04/09/2026 07:55:58
A Skechers quer transformar o Brasil em uma das maiores operações da companhia no mundo. A fabricante americana de calçados já comprometeu mais de US$ 50 milhões com sua nova fase de expansão no país e prevê ampliar a presença física para mais de 100 lojas no longo prazo.
O plano inclui abertura de unidades, aumento de estoques, produção nacional, logística, marketing, contratação de pessoal e fortalecimento das vendas digitais. A companhia também colocou no ar um novo e-commerce brasileiro, alinhado ao modelo utilizado em outros mercados.
A ambição é fazer com que o Brasil se torne um dos cinco maiores mercados da Skechers globalmente. A operação brasileira é comandada por Sabrina Mônaco, country manager da companhia desde agosto de 2024.
Segundo David Weinberg, COO global da Skechers, o Brasil é atualmente o maior mercado no qual a empresa ainda possui uma presença abaixo de seu potencial.
“O Brasil é o maior mercado subpenetrado da Skechers no mundo. Isso significa que também representa a nossa maior oportunidade de crescimento”, afirmou o executivo em encontro com jornalistas em São Paulo.
Skechers quer multiplicar operação brasileira
A Skechers está presente no Brasil desde 2007, mas durante boa parte desse período atuou principalmente por meio de distribuidores, lojas multimarcas e unidades licenciadas.
A estratégia começou a mudar nos últimos anos.
Em janeiro de 2026, a empresa inaugurou sua primeira loja própria no país. Atualmente, já são cinco unidades abertas dentro do novo modelo.
Entre os endereços está uma loja em Itupeva, no interior de São Paulo, com mais de 800 metros quadrados. A companhia também abriu uma concept store no BarraShopping, no Rio de Janeiro, e unidades em cidades como Contagem, em Minas Gerais.
Novas inaugurações estão previstas para Aricanduva, Ribeirão Preto e Curitiba.
A empresa não pretende limitar sua expansão aos shopping centers. A estratégia global da Skechers inclui outlets, lojas-conceito e unidades de grande porte instaladas em diferentes formatos de varejo.
A expectativa é que o negócio brasileiro possa dobrar de tamanho a cada dois ou três anos.
Investimento já supera US$ 50 milhões
Os recursos comprometidos pela Skechers com a nova operação brasileira já passam de US$ 50 milhões.
O montante inclui investimentos em estoques, produtos, lojas, publicidade, marketing, logística, escritório e expansão da equipe.
Segundo os executivos, a companhia não definiu um teto para os aportes.
Caso o crescimento do mercado brasileiro exija mais recursos, a matriz estaria disposta a ampliar os investimentos para acompanhar a demanda.
A capacidade financeira está ligada à escala global da fabricante. A Skechers estima superar US$ 10,5 bilhões em vendas em 2026, depois de ter registrado receita pouco acima de US$ 5 bilhões em 2020.
A companhia produz mais de 300 milhões de pares de calçados por ano e mantém aproximadamente 5,3 mil lojas globalmente.
Para a próxima década, o objetivo é chegar perto de 10 mil unidades em todo o mundo.
Produção brasileira entra na estratégia
Um dos principais pontos do plano de expansão é aumentar a participação da produção local.
Globalmente, boa parte dos produtos da Skechers é fabricada por fornecedores instalados na China e no Vietnã. No Brasil, a companhia já produz parte dos calçados em fábricas localizadas no Nordeste.
A fabricação nacional deve permitir uma resposta mais rápida às mudanças no consumo, além de facilitar a ampliação do catálogo disponível no país.
A estratégia será combinar os produtos fabricados no Brasil com modelos importados.
A Skechers atua em segmentos que vão de calçados casuais e voltados ao conforto até corrida, basquete, golfe e atividades outdoor.
Atualmente, segundo a operação brasileira, a linha Cozy Fit está entre os produtos de maior procura nas lojas próprias.
E-commerce ganha nova aposta
O digital também ocupa papel central na expansão.
A Skechers lançou em 3 de setembro uma nova versão de seu e-commerce brasileiro, desenvolvida para aproximar a experiência local daquela oferecida pela empresa internacionalmente.
O potencial do canal aparece em outros mercados. Na China, de acordo com dados apresentados pela própria companhia, as vendas online da Skechers movimentam mais de US$ 500 milhões por ano.
Estados Unidos e Europa também mantêm operações digitais relevantes.
A expectativa é aumentar rapidamente a participação das vendas diretas ao consumidor brasileiro.
Compra pela 3G Capital
A ofensiva no Brasil acontece pouco depois de uma mudança importante no controle da Skechers.
Em 2025, a 3G Capital, gestora ligada aos empresários brasileiros Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira, fechou um acordo avaliado em aproximadamente US$ 9 bilhões para adquirir a fabricante de calçados.
Segundo a administração da Skechers, entretanto, os planos de acelerar no mercado brasileiro são anteriores à operação.
A empresa afirma que equipes internacionais já buscavam novos pontos comerciais no país desde o início de 2024.
Com a chegada da 3G, a expectativa é combinar a tradicional estratégia de crescimento da Skechers com uma maior busca por eficiência operacional.
Brasil pode entrar no top 5 da Skechers
O principal argumento para ampliar os investimentos é a diferença entre o tamanho do mercado brasileiro e a participação que a Skechers ainda possui no país.
Executivos afirmam que o consumo de produtos da marca por habitante no Brasil permanece abaixo do registrado em diversos mercados menores.
A companhia acredita que ampliar lojas próprias, produção nacional, variedade de produtos e vendas online pode reduzir essa distância.
Se a estratégia funcionar, a empresa pretende não apenas ultrapassar a marca de 100 lojas, mas colocar o Brasil entre suas cinco principais operações globais.
Para uma fabricante que pretende praticamente dobrar sua rede mundial na próxima década, o mercado brasileiro passou a ocupar posição central nos planos de expansão.