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União Europeia suspende importação de carnes do Brasil e põe em risco US$ 2 bilhões

Fonte: ocafezinho.com | Data: 04/09/2026 10:04:58

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A União Europeia suspendeu na quinta-feira (3) a entrada de novas cargas brasileiras de carnes bovina, suína e de frango, além de pescados, mel e ovos. A restrição alcança os 27 países-membros e coloca sob risco até US$ 2 bilhões por ano em exportações.

O bloco adotou o bloqueio por considerar insuficientes os mecanismos brasileiros de controle e rastreabilidade do uso de antimicrobianos na produção animal. Não foram identificados casos de contaminação nem irregularidades sanitárias em lotes enviados pelo Brasil.

Na prática, a União Europeia transformou uma divergência regulatória em uma barreira comercial ampla. A medida interrompe cargas destinadas ao mercado europeu sem que a carne brasileira tenha sido considerada imprópria para consumo.

Brasil contesta justificativa europeia

O governo brasileiro afirma que a legislação nacional já restringe o uso de antimicrobianos como promotores de crescimento e segue referências internacionais. Esses medicamentos podem tratar infecções, mas as normas europeias proíbem seu emprego para acelerar o desenvolvimento dos animais.

A União Europeia também veta na criação animal substâncias reservadas ao tratamento de determinadas infecções em seres humanos. A avaliação do bloco é que o sistema brasileiro ainda não oferece garantias suficientes para comprovar o cumprimento dessas exigências.

O governo mantém negociações para reverter a suspensão e tenta demonstrar que os controles nacionais atendem às regras europeias. Técnicos da UE encerram nesta sexta-feira (4) uma auditoria nas cadeias brasileiras de frango e mel.

O relatório ainda passará pela análise das autoridades europeias, etapa que pode levar cerca de dois meses. Se os controles forem aceitos, o Brasil poderá voltar à lista de fornecedores autorizados.

Carne bovina concentra o impacto

A carne bovina respondeu por aproximadamente US$ 1,7 bilhão em vendas brasileiras à União Europeia em 2025. Embora o bloco absorva uma parcela limitada do volume total exportado pelo setor, seus compradores demandam cortes de maior valor agregado.

Essa característica reduz a possibilidade de redirecionamento imediato. Cada mercado compra combinações específicas de cortes, e encontrar outro destino não recompõe automaticamente a receita obtida na Europa.

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) informou que todas as associadas habilitadas a vender à União Europeia aderiram ao protocolo privado elaborado pelo setor. A iniciativa busca reforçar os controles cobrados pelas autoridades europeias.

Rastreamento pode exigir até três anos

A retomada das vendas de carne bovina enfrenta um obstáculo adicional. O novo sistema exige o acompanhamento do uso de antimicrobianos durante todo o ciclo de vida de cada animal.

Um bovino incorporado agora ao protocolo pode levar entre 24 e 36 meses para chegar ao abate. Mesmo uma eventual aprovação europeia não permitiria recompor de imediato toda a oferta habilitada.

O Brasil continua autorizado a vender seus produtos a outros mercados. Na União Europeia, porém, a reabertura dependerá primeiro da avaliação da auditoria e, no caso dos bovinos, da formação de um rebanho rastreado durante todo o ciclo produtivo.