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Família de Giovanna Coelho solicita afastamento cautelar de cirurgião ao CRM após inquérito

Fonte: portalgurupi.com.br | Data: 04/09/2026 16:42:20

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Família de Giovanna Coelho solicita afastamento cautelar de cirurgião plástico ao CRM após conclusão de inquérito.[…]

A família da empresária Giovanna Coelho Gomes, de 29 anos, planeja solicitar ao Conselho Regional de Medicina (CRM) o afastamento cautelar do cirurgião plástico André Melo. Ele foi indiciado pela Polícia Civil do Pará por homicídio culposo majorado e falsidade ideológica, no contexto da investigação sobre a morte da jovem. O advogado da família, Daniel Gualberto, informou que a conclusão do inquérito policial será fundamental para embasar essa representação.

A defesa também pretende transformar a sindicância em um processo ético-profissional, visando analisar a conduta dos médicos que atenderam Giovanna. Gualberto afirmou: “Com o inquérito finalizado, o CRM terá a oportunidade de avaliar eticamente a conduta dos profissionais envolvidos no atendimento da Giovanna.” Além do afastamento cautelar, a interdição do médico André Melo será solicitada.

O advogado destacou que a preocupação da família vai além dos procedimentos cirúrgicos, incluindo a atuação dos profissionais no pós-operatório. Ele enfatizou a importância de investigar a falta de atendimento e a omissão dos médicos nesse período crítico. “Precisamos enfatizar não só o intraoperatório, mas o pós-cirúrgico”, disse Gualberto.

O pedido de afastamento cautelar visa proteger futuros pacientes enquanto a conduta do médico é analisada. Segundo o advogado, a família considera essencial essa medida, dada a gravidade dos fatos revelados durante a investigação. “Queremos evitar que outras vítimas sofram pelo mesmo atendimento inadequado”, afirmou.

A família também pretende levar ao CRM informações sobre outros profissionais envolvidos no atendimento de Giovanna, buscando avaliar individualmente a responsabilidade de cada um. “A sindicância objetiva apurar qual é o grau de responsabilidade que cada médico teve nesse falecimento”, explicou Gualberto.

O cirurgião plástico André Melo recebe maior atenção devido à sua relação direta com os procedimentos realizados na empresária. O laudo do Instituto Médico Legal (IML) é considerado crucial para a análise da responsabilidade no caso. “O laudo é categórico quanto à causa da morte, por isso estamos focando no André”, destacou o advogado.

O CRM terá a responsabilidade de avaliar a atuação de todos os profissionais envolvidos e determinar a relevância da conduta de cada um. Gualberto ressaltou que a intenção da família não é atribuir automaticamente a mesma responsabilidade a todos os médicos. “O CRM avaliará o grau de importância de cada profissional no atendimento da Giovanna”, disse.

Questionado sobre a possibilidade de os médicos serem impedidos de exercer a profissão, Gualberto afirmou que essa decisão cabe às autoridades competentes. “Não cabe à família decidir sobre afastamentos; isso é responsabilidade da polícia, da justiça e do CRM”, explicou.

O advogado também afastou a ideia de que a iniciativa da família seja uma tentativa de punição indiscriminada. “Nosso objetivo é individualizar as responsabilidades e analisar cada conduta pelas instituições competentes”, afirmou.

A prioridade da família é esclarecer as condutas que contribuíram para a morte de Giovanna e garantir que as responsabilidades sejam apuradas tanto na esfera criminal quanto na ética-profissional. “Queremos identificar o grau de responsabilidade de cada profissional envolvido”, concluiu Gualberto.

O caso

Giovanna Coelho Gomes faleceu no dia 8 de agosto, após complicações no pós-operatório de procedimentos cirúrgicos realizados em um hospital particular de Belém. O laudo de necropsia apontou como causa da morte choque circulatório irreversível associado a choque hemorrágico e síndrome compartimental abdominal.

A Polícia Civil do Pará concluiu o inquérito e indiciou quatro médicos. O cirurgião plástico André Melo foi indiciado por homicídio culposo majorado e falsidade ideológica; o anestesista César Collyer, por homicídio culposo majorado; o médico Marcelo Antony Dantas, plantonista da madrugada, por homicídio culposo majorado; e a médica Aline Kzam, plantonista da manhã, por homicídio culposo sem a majorante.

Com o encerramento da investigação, o inquérito será enviado ao Ministério Público do Pará, que decidirá sobre a eventual denúncia. A família pretende apresentar o resultado da investigação ao CRM e solicitar a abertura de um processo ético-profissional, além da interdição cautelar de André Melo.

A reportagem tenta contato com a defesa de todos os citados. O espaço segue aberto. A defesa do médico Marcelo Dantas, representada pelo advogado Lucas Sá, comentou o indiciamento e afirmou que o profissional não foi ouvido pela Polícia Civil antes da conclusão do inquérito.

Segundo a defesa, o advogado teve acesso aos autos menos de 18 horas antes da oitiva e pediu o adiamento do depoimento, alegando a complexidade do caso. “Marcelo Dantas foi indiciado sem ter sido ouvido durante a investigação. O inquérito foi concluído sem que Marcelo tivesse a oportunidade de prestar seus esclarecimentos”, afirmou Lucas Sá.

A defesa informou que pretende apresentar a versão do médico nas próximas etapas do caso e que possui documentos que demonstrariam que Marcelo não agiu com negligência ou omissão no atendimento à paciente. “A defesa ressalta que Marcelo pretende ser ouvido e apresentar sua versão dos fatos”, concluiu.