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Imagem de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais, com mais de 300 anos, passa por restauração

Fonte: busaocuritiba.com | Data: 04/09/2026 19:10:09

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A segunda imagem mais antiga de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais em Curitiba, produzida no século XVIII, está em processo de restauração. O trabalho começou no início do ano e está na fase final, com previsão de conclusão ainda em setembro, mês em que a cidade celebra sua padroeira, nesta terça-feira (8/9).

A restauração é resultado de um projeto aprovado pelo Programa de Apoio, Fomento e Incentivo à Cultura de Curitiba, na modalidade Mecenato Subsidiado, da Fundação Cultural de Curitiba.

A proposta surgiu em 2022, quando o Museu de Arte Sacra da Arquidiocese de Curitiba (Masac), onde a imagem fica exposta, estava fechado para restauro. A conservadora e restauradora Ana Eliza Caniatti fez um levantamento da peça e começou a elaborar o projeto com o produtor Gilmar Kaminski.

“Ela é a imagem mais importante do Masac”, explica Ana Eliza. Produzida em Portugal, a escultura foi encomendada em 1716 e chegou por volta de 1720 para a inauguração da Igreja Matriz de Curitiba, no local onde atualmente está a Catedral Basílica Menor de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais.

A imagem pesa cerca de 60 quilos e é feita de terracota, com uma base de preparação que utiliza branco de chumbo, entre outros elementos. “O uso da base de branco de chumbo é incomum em estátuas”, aponta a restauradora. “Era mais comum em pinturas, porque favorece a profundidade quando as tintas são aplicadas. No tridimensional, é algo mais raro”, complementa.

As características da peça foram identificadas a partir da parceria do projeto de restauração com o Laboratório de Espectrometria de Massas e Quimiometria da Universidade Federal do Paraná (UFPR). A equipe realizou exames e testes para determinar os materiais usados na obra, além de radiografias para analisar partes mais delicadas ou que já haviam passado por intervenções.

Segundo Ana Eliza, a presença do pigmento azul da prússia não permite determinar uma data precisa, mas ajuda a compreender o período e as condições em que a peça foi produzida.

Cada detalhe é considerado na definição do processo de restauração, incluindo a posição dos dedos do Menino Jesus que acompanha a santa. “Há variações entre uma representação com um dedo apontando para cima e outra com dois dedos levantados em sinal de bênção. Não existe arte sacra sem essa atenção aos detalhes”, afirma a restauradora.

Atualmente, a imagem não exerce a mesma função religiosa de quando ocupava o altar da igreja, mas mantém valor histórico para Curitiba. “O fato de ela ser um documento museal também define muito do processo de restauro”, comenta Gilmar Kaminski.

Os dedos das mãos da santa que foram quebrados não serão refeitos, devido à falta de referências sobre sua forma original. As partes danificadas e os pontos em que a tinta se perdeu ao longo dos séculos também ajudam a contar a história da obra.

A equipe de Patrimônio Cultural da Prefeitura de Curitiba participa das decisões sobre o que será tratado. O trabalho inclui a higienização da peça e testes para remover camadas de pintura aplicadas em restaurações anteriores, sem comprometer a pintura original.

“A iconografia dessa imagem é bastante diferente, com detalhes que não vejo em outras imagens, como o xale que cobre a santa”, observa Ana Eliza.

A restauração de imagens centenárias é um processo lento, custoso e detalhado. Com o apoio da Lei de Incentivo à Cultura, foi possível reunir uma equipe formada por cerca de 15 profissionais, entre historiadora, pesquisadora, restauradores e fotógrafa.

“Conseguir realizar o projeto por meio da lei de incentivo possibilita desenvolver o trabalho de forma consistente, com uma equipe completa, além de pensar ações de difusão e educativas a partir desse processo”, explica Gilmar.

Depois que a estátua retornar ao museu, estão previstas, até o fim do ano, palestras sobre restauração e visitas guiadas para diferentes grupos. “Além da imagem, o projeto se amplia para algo que se relaciona com a própria história da cidade”, complementa o produtor.

“A importância religiosa é fundamental, pois foi uma padroeira da cidade, e agora também é um documento museal, de como a peça foi feita na época, dos traços da arte do século XVIII e de como a obra veio ao Brasil. É um documento material”, afirma Ana Eliza.

A devoção a Nossa Senhora da Luz tem origem na Europa. O culto remonta ao século XIV, na Espanha, enquanto seu principal mito fundador surgiu no século XV, em Portugal.

Em Curitiba, a primeira imagem de Nossa Senhora da Luz chegou por volta de 1640, com o paulista Suares do Vale, fugitivo de São Paulo que se instalou às margens do Rio Atuba. A região deu origem à lenda sobre a fundação da cidade. Segundo a tradição, a imagem amanhecia voltada para a direção onde hoje está a Praça Tiradentes.

Os povoadores seguiram essa indicação e encontraram o Cacique dos Campos de Tindiquera. O local apontado pelo cacique, chamado “Coré-tuba”, ou “terra de muito pinhão”, tornou-se o marco zero de Curitiba.

Em 1995, um decreto do Papa João Paulo II reconheceu a devoção particular a Nossa Senhora da Luz dos Pinhais e a declarou padroeira municipal de Curitiba. A capital paranaense é, até hoje, uma das poucas cidades brasileiras cuja padroeira foi declarada pelo Sumo Pontífice.

A primeira imagem atualmente faz parte do acervo do Museu Paranaense. Já a segunda, que está sendo restaurada, tem 87 centímetros de altura. Ela permaneceu no altar da Matriz até ser levada para o município da Lapa, em 1894, antes da demolição da antiga igreja. O vigário que havia sido transferido levou a imagem consigo.

A peça ficou desaparecida durante décadas e foi encontrada novamente em 1970, na casa de uma moradora da Lapa. Atualmente, integra o acervo do Museu de Arte Sacra da Arquidiocese de Curitiba, gerido pela Fundação Cultural de Curitiba.

Com informações da Prefeitura de Curitiba.

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