CVM Multa Ex-Banqueiro Daniel Vorcaro em R$ 20 Milhões por Fraude em Fundo Imobiliário; Banco Master Recebe Penalidade de R$ 12,5 Milhões por Irregularidades.
Fonte: reportermaceio.com.br | Data: 08/09/2026 21:01:32
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) tomou uma decisão significativa na última terça-feira ao condenar o ex-banqueiro Daniel Vorcaro a uma multa de R$ 20 milhões, em decorrência de um esquema fraudulento associado ao fundo imobiliário Brazil Realty. Nesta mesma ocasião, o Banco Master também recebeu uma sanção, sendo obrigado a pagar R$ 12,5 milhões no contexto do mesmo processo, que investiga a hipervalorização dos ativos do fundo.
O cerne do caso gira em torno da terceira emissão de cotas do Brazil Realty, que conseguiu captar R$ 139,1 milhões, dos quais aproximadamente 78% — equivalentes a R$ 109 milhões — foram complementados com ativos variados, incluindo ações de empresas, terrenos e participações em outras sociedades. A acusação aponta que os valores atribuídos a esses bens foram artificially inflacionados por meio de laudos considerados falsos e inconsistentes, levantando preocupações sobre a transparência das operações realizadas.
O relatório do diretor da CVM, João Accioly, sugere que a fraude ocorreu em três fases. Inicialmente, ativos foram inseridos no fundo a preços excessivamente altos. Em seguida, empresas vinculadas aos acusados começaram a transacionar as cotas no mercado secundário, criando a ilusão de liquidez. Por último, essas cotas chegaram a investidores que, de acordo com as acusações, incorreram em um prejuízo abissal, estimado em cerca de R$ 5,8 milhões.
Um exemplo notável surgido durante a investigação envolve a Talent Construções, que integrava ações no valor de R$ 28,7 milhões. No dia seguinte, essa empresa iniciou vendas de cotas do fundo para a Entre Investimentos, resultando em uma prática que propiciou uma valorização de 22,2% em apenas um dia e um ganho de R$ 6,1 milhões para a Talent.
A atuação do Banco Master também chamou a atenção. Com participação na emissão de cotas exclusivamente em dinheiro, a instituição declarou investimentos de R$ 16,8 milhões. No entanto, a CVM identificou quatro subscrições que totalizavam R$ 2,65 milhões e que não constavam como entradas na conta do fundo, além de duas delas, de R$ 500 mil cada, sem comprovação.
O relatório ainda revelou que o Banco Master, Vorcaro e a Viking Participações participaram ativamente de transações no mercado secundário, com ganhos estimados de R$ 10,8 milhões para o banco e R$ 836,8 mil para a Viking. Por sua vez, Daniel Vorcaro, encarou um resultado negativo de R$ 6,8 milhões.
As defesas dos acusados, incluindo a do Banco Master e de Vorcaro, refutaram as alegações de fraude, sustentando que as transações ocorreram dentro dos padrões de mercado, e negaram a existência de conluio. Advogados argumentaram que não foi possível individualizar a conduta de Vorcaro, bem como demonstrar dolo, afirmando que ele estaria sendo responsabilizado mais por sua posição do que por ações efetivas de má-fé.
Além de Daniel Vorcaro, outros membros da família, como Henrique Moura Vorcaro e Felipe Cançado Vorcaro, também foram implicados no processo, que investiga ainda outras possíveis violações de deveres fiduciários e informacionais, além de obstruções à fiscalização. Essa situação ressalta o papel crucial da CVM na supervisão do mercado financeiro brasileiro e na proteção dos investidores.