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“A Turma” de Vorcaro lamentou saída de Toffoli de relatoria do caso Master

Fonte: timesbrasil.com.br | Data: 14/09/2026 22:07:19

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Mensagens reunidas pela Polícia Federal (PF) mostram que pessoas ligadas ao núcleo conhecido como “A Turma” avaliaram como negativa para os interesses da família Vorcaro a saída do ministro Dias Toffoli da relatoria das investigações sobre o Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF).

Em uma conversa de 27 de fevereiro deste ano, Bruno Correa Lopes e Manoel Mendes Rodrigues, o Manolo, discutem o avanço das apurações e a deterioração da situação patrimonial da família de Daniel Vorcaro. A PF identifica Bruno como interlocutor frequente de Manolo em tratativas envolvendo imóveis e negócios ligados aos Vorcaro.

Ao comentar a mudança no STF, Bruno escreveu:

“Está piorando muito rápido agora que saiu do Toffoli.”

Toffoli havia deixado a relatoria do caso em 12 de fevereiro, pouco mais de duas semanas antes da conversa. Cinco dias depois, em 4 de março, uma nova fase da Operação Compliance Zero levou à prisão de Vorcaro e de outros investigados.

Leia também: Caso Master: Moraes se encontrou com Vorcaro um dia antes da prisão do ex-banqueiro

Conversas mencionam venda de patrimônio

No mesmo diálogo, Bruno e Manolo trataram da situação financeira da família Vorcaro diante do avanço das investigações.

Bruno afirmou que imóveis estariam sendo vendidos rapidamente e com descontos relevantes.

“Venderam uma casa aqui por 20 milhões, uma casa de 40 [milhões], vão vender por 20 [milhões]. Vão fazendo dinheiro para todo lado, antes que tomem, entendeu? Eles sabem que eles vão perder tudo, então estão vendendo por qualquer preço”, disse.

Os documentos da PF mostram que as conversas entre Manolo e Bruno não se limitavam ao acompanhamento das investigações. Em dezembro de 2025, os dois também discutiram negócios e questões patrimoniais envolvendo a família Vorcaro.

Os investigadores também identificaram negócios de elevado valor envolvendo Manolo e integrantes da família, sob suspeita de possíveis práticas de lavagem de dinheiro e ocultação patrimonial.

PF aponta atuação de “A Turma”

Manolo aparece nos documentos da Polícia Federal como integrante de “A Turma”, núcleo que, segundo a investigação, teria atuado para atender interesses de Daniel Vorcaro.

A PF afirma ter encontrado indícios de que o grupo praticava intimidações presenciais e buscava informações reservadas em sistemas governamentais para monitorar investigações e obter dados sigilosos.

Os investigadores apontam Daniel Vorcaro como controlador do núcleo e Felipe Mourão, conhecido como Sicário, como responsável por gerenciar sua atuação. Henrique Vorcaro, pai do banqueiro, também aparece na investigação como demandante de serviços e operador de pagamentos destinados ao grupo.

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Naquele estágio da investigação, a PF apontava que “A Turma” era composta por seis integrantes.

Grupo recebia R$ 400 mil por mês

Documentos da PF indicam que o pagamento mensal destinado a “A Turma” era de R$ 400 mil.

Em janeiro deste ano, já depois da primeira fase da Operação Compliance Zero, conversas analisadas pelos investigadores mostram Henrique Vorcaro tratando da transferência de recursos para Marilson Roseno.

A PF concluiu que o valor de R$ 400 mil mencionado na conversa coincidia com a quantia anteriormente repassada por Daniel Vorcaro para remuneração mensal dos serviços prestados pelo núcleo.

Os investigadores afirmam ainda que o financiamento do grupo continuou mesmo depois das primeiras operações policiais. Há registros de notas fiscais de R$ 50 mil emitidas periodicamente pela empresa de Marilson para a King Participações em novembro e dezembro de 2025 e em janeiro e fevereiro de 2026.

PF identificou acesso a sistemas oficiais

A investigação afirma que integrantes de “A Turma” tiveram acesso indevido a sistemas da própria PF e do Ministério Público Federal. Em um dos episódios, Felipe Mourão recebeu uma captura do sistema ePol com registros de inquéritos relacionados a Daniel Vorcaro.

A PF também aponta Anderson Wander da Silva Lima, policial federal da ativa, como uma espécie de braço de Marilson dentro da corporação. Segundo os investigadores, ele teria realizado ou solicitado consultas em sistemas internos e repassado as informações ao grupo mediante contrapartidas financeiras.

Leia também: PF adia para o dia 24 o depoimento de Vorcaro sobre negócios entre Master e BRB

Mensagens mostram preocupação após morte de Sicário

A investigação também acompanha conversas mantidas depois da morte de Felipe Mourão, o Sicário, em março.

Documentos da PF indicam que Manoel Mendes Rodrigues passou a tratar com familiares de Mourão sobre contratos, valores e informações que estavam sob controle da família.

Segundo os investigadores, a irmã de Sicário dizia possuir material capaz de comprometer eventuais acordos de colaboração de outros investigados. A PF afirma ter indícios de que Manolo atuou para evitar que esse conteúdo fosse entregue às autoridades.

A PF ressalta que parte dos relatórios é preliminar e que novos elementos extraídos dos aparelhos apreendidos ainda seriam examinados.

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