Moraes e Mendonça discutem sobre atuação da PF; sessão volta às 14h
Fonte: blogdobrunolira.com.br | Data: 15/09/2026 13:13:40
Nesta terça-feira, 15, o Supremo Tribunal Federal dá início a um julgamento histórico para decidir se abrirá investigação contra o ministro Alexandre de Moraes por suspeitas de corrupção envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. O pedido de inquérito foi apresentado por André Mendonça, relator do Caso Master no Supremo.
A sessão foi convocada pelo presidente do STF, Edson Fachin, na esteira de uma sequência de quebras de sigilo de investigações da Polícia Federal no âmbito do Caso Master. Mensagens extraídas do celular de Vorcaro revelam que o banqueiro se reuniu diversas vezes com o ministro entre 2023 e 2025 — um dos frutos da aproximação foi a assinatura de um contrato de 131 milhões de reais entre o banco e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do magistrado.
Em troca do polpudo contrato de consultoria jurídica, Vorcaro confiaria em Moraes para blindar o banco (e ele próprio) contra processos na Justiça. A perícia da PF encontrou registros de conversas frequentes entre o ministro e o banqueiro — inclusive, na data em que este último foi detido pela primeira vez, em 18 de novembro de 2025, quando a fraude no Master já havia vindo a público e Vorcaro tinha consciência do risco de sua prisão.
Na manhã de hoje, horas antes do início do julgamento, Alexandre de Moraes divulgou uma defesa por escrito na qual nega ter cometido qualquer crime. No documento, o ministro chama o relatório da PF de “farsa de André Mendonça” e afirma que não há indícios de “autoria e materialidade da prática de qualquer infração penal”.
A sessão do STF está agendada para começar às 10h desta terça-feira, sem horário ou data prevista para conclusão.
12h58 — Fachin suspende sessão e convoca retorno às 14h para votar suspensão do julgamento
Antes de suspender, presidente da Corte ressaltou que horário eleitoral gratuito de TV começaria em breve, às 13h, interrompendo a transmissão do julgamento.
12h50 — Gilmar: ‘Apuração parcial é apuração viciada’
Decano do STF critica condução do inquérito do Caso Master por Mendonça e defende, em questão de ordem, a suspensão do julgamento atual — que decide sobre abertura de investigação contra Moraes — para discussão das acusações na mesa.
12h45 — “Evidente condução político-eleitoral”, grita Gilmar apontando para Mendonça
Tensões escalam entre decano do STF e relator do Caso Master. Gilmar acusa Mendonça de conduzir os inquéritos envolvendo Vorcaro e Moraes para favorecer um grupo político nas eleições, dizendo que o relator aguardou o período eleitoral para encomendar à PF um relatório sobre as mensagens do celular do banqueiro.
“Não aponte o dedo, ministro Gilmar, respeite este tribunal”, retruca Mendonça. “Quem não se dá o respeito não merece respeito”, rebate Gilmar. A discussão ainda envolve alfinetadas a Mendonça, que é pastor evangélico: “Em nome de Deus já se fez muita patifaria”, diz o decano.
12h30 — Moraes e Mendonça batem boca e trocam acusações de ‘mentira’ e apoio a golpe
Moraes diz que tem testemunhas contra as acusações feitas por Mendonça, ao que o relator do Master responde: “mentira”. Moraes retruca: “Vamos chamar as testemunhas”, afirmando que o colega o acusa por “estar a serviço de um grupo político que quis dar um golpe neste país”.
12h25 — AGORA: Pela primeira vez, Moraes fala em julgamento que pode abrir investigação contra ele
12h20 — Gilmar: ‘Afastar diretor da PF é como afastar diretor da Nasa ou tirar o comandante do Exército’
“O sujeito tem que se algemar antes de fazer esse tipo de coisa, pedir a Deus que interceda e não faça”, diz decano do STF. Enfaticamente, o ministro critica a decisão monocrática de Mendonça que afastou Andrei Rodrigues do comando da Polícia Federal — relator da ação, Gilmar pediu vista e impediu que a ordem fosse imediatamente validada pela Segunda Turma.
Gilmar ainda acrescentou que a manobra do afastamento foi “um vexame” para a Corte e para a Polícia Federal.
12h10 — Fachin rebate Dino e nega ter assumido relatoria dos Casos Master e INSS
Ao criticar tramitação dos processos e defender “juiz natural”, Dino diz que Fachin retirou ações das mãos de Mendonça. O presidente da Corte rebate, dizendo que usou a postura apenas para suspender a tramitação, premissa que é dele. “Parece-me, ministro Dino, que vai uma distância razoável. Juiz natural é o plenário”, acrescenta Fachin.
12h05 — Pelas redes sociais, Renan Santos critica impedimentos de ministros no julgamento
Em publicação no X, presidenciável do Missão ironiza as abstenções de voto de Dias Toffoli e Nunes Marques. “Votação sobre corrupção no STF e MINISTROS no plural estão se declarando impedidos. E radical sou eu por não querer cumprir ordens ilegais desses ministros”, escreveu.
12h — Dino e Fachin trocam farpas por direito de fala
O ministro Flávio Dino ironizou mais de uma vez o presidente da Corte, Edson Fachin, que, ao conceder a palavra aos colegas ao fim da leitura do relatório, solicitou que os ministros pedissem a palavra à Presidência para o bom andamento da sessão.
Dino disse que faria como fazem sempre, que a palavra é concedida por quem está falando — e foi apoiado por Gilmar Mendes. Ao pedir para falar em meio a fala de Gilmar, Dino pediu licença ao decano e, depois, perguntou a Fachin se ele permitia que Gilmar o autorizasse. “A ironia está nas entrelinhas. Sem dúvida, vossa Excelência tem a palavra”, disse o presidente. “A ironia serve para descontrair o ambiente, vossa Excelência sabe disso. É Aristóteles”, rebateu Dino.
11h55 — Dino: ‘Temos uma situação tão complexa que a pauta traz André Mendonça como relator’
Em aparte, ministro aponta contradição no modelo do julgamento, cuja relatoria foi assumida por Edson Fachin. Para Dino, o relator do processo atual, que discute se Alexandre de Moraes pode ser investigado, deveria ser André Mendonça, que comanda os inquéritos da PF nos quais Moraes é citado.
11h50 — Decano do STF, Gilmar Mendes faz observações sobre a tramitação da ação
Ministro coloca em debate o modelo do julgamento, que envolve diversos ministros e exige um “juiz imparcial total”.
11h40 — Mesmo sem participar do julgamento, Toffoli permanece na sessão
Toffoli se diz impedido para julgar, mas diz que não vai se retirar do plenário e pode fazer uso da palavra. Ao contrário, o ministro Nunes Marques se retirou da sala após se abster da votação.
11h35 — Dias Toffoli é o segundo a se declarar impedido de votar
Ex-relator do Caso Master, ministro declara “suspeição por motivo de foro íntimo”. Em fevereiro, Toffoli pediu para deixar a relatoria dos processos após revelações de que ele e sua família fecharam negócios com Daniel Vorcaro — a transação envolveu a venda de ações do Resort Tayayá, no Paraná, a um fundo ligado ao Banco Master.
11h27 — Nunes Marques se declara impedido de votar no julgamento por ser presidente do TSE
Para o ministro, opinar enquanto chefe da Corte Eleitoral poderia ser interpretado como interferência nas eleições, e por esta razão se abstém de votar.
“Eu nunca julguei nenhum processo relacionado ao Master. Meu filho nunca prestou nenhum serviço ao banco”, ministro Kassio Nunes Marques. Kevin Marques, filho do ministro, é citado como beneficiário de propina em mensagens extraídas do celular de Vorcaro.
Marques, porém, negou que o impedimento seja resultado das acusações de envolvimento dele ou do filho com Daniel Vorcaro. “Nós sabemos que impedimentos e suspeições não decorrem tão somente de culpabilidade. São fruto de fatores intrínsecos e extrínsecos”, declara.
11h25 — Não será julgado se Moraes cometeu crime, mas se deve ser investigado, ressalta Fachin
Ao concluir leitura de relatório, presidente da Corte reafirma que denunciar autoridades é competência do Ministério Público. “O objeto do julgamento está circunscrito à autorização para o prosseguimento de investigação [contra Moraes]”, diz o magistrado.
11h05 — Relatório da ação diz que Mendonça ‘sabia do envolvimento de Moraes’
“O nome do ministro Alexandre de Moraes notoriamente foi referido nos informes policiais anteriores, e disso houve ampla divulgação na imprensa”, diz documento que justifica produção de relatórios da PF contra o magistrado.
10h55 — Despacho da ação cita que Vorcaro tinha conhecimento das investigações e pretendia fugir
Dono do Master foi preso pela primeira vez em 18 de novembro de 2025, no Aeroporto de Guarulhos, prestes a embarcar em avião privado com destino a Dubai. Mensagens obtidas pela PF revelam que o banqueiro conversou com Moraes na data da prisão.
10h50 — ‘A história olhará para esse momento. Essa instituição não nos pertence’, diz Fachin
“Há respeito institucional mesmo quando há discordância. Há consideração pelo colega mesmo quando não há convergência. há limites que decorrem não da amizade ou afinidade pessoal, mas da própria função que exercemos. Não prestamos contas somente aos nossos contemporâneos, mas aos que nos antecederam e às gerações que nos sucederão. Essa instituição não nos pertence.”
10h45 — Fachin: ‘Não temos direito de entregar as futuras gerações um tribunal menor do que recebemos’
“Nenhum de nós falará em nome do Supremo. Será a decisão do plenário”, declara o presidente da Corte, que passa à leitura do despacho de Mendonça que suspendeu o sigilo dos autos contra Vorcaro.
10h38 — ‘Não se julgam pessoas, se julgam fatos’, diz Fachin na abertura da sessão
Presidente do Supremo abre os trabalhos elogiando, individualmente, a trajetória de cada ministro da Corte.
10h35 — AGORA: começa a sessão extraordinária do STF que pode levar a investigação contra Moraes
Sessão começará com leitura de relatório por Fachin, presidente do Supremo. Estão presentes todos os dez ministros e o procurador-geral da República, Paulo Gonet.
10h25 — Lula mantém silêncio sobre julgamento histórico no Supremo
Nas últimas 24 horas, presidente não se manifestou sobre a sessão que pode levar a investigação inédita contra um ministro da Corte. Pelas redes sociais, campanha do petista foca em promover entregas do governo em moradia, segurança e saúde.
10h15 — Sessão do STF que analisará denúncia contra Mendonça está prevista para a próxima semana
O pedido de investigação contra o relator do Caso Master, movido por Alexandre de Moraes, deve começar a ser votado pela Corte na quarta-feira, 23. O presidente do Supremo, Edson Fachin, negou pedidos de Moraes e Gilmar Mendes para que a análise fosse feita de maneira conjunta na sessão de hoje.
10h — ‘Única atitude aceitável será afastamento de Moraes’, diz Caiado momentos antes da sessão
Pelas redes sociais, o presidenciável do PSD afirma que julgamento é “histórico” e que “faltou decoro, senso público e o mínimo de liturgia no exercício do cargo”.
9h45 — Minutos antes de julgamento, Flávio Bolsonaro tenta ligar Lula à crise no STF
“O atual governo decidiu governar junto com uma parte do Supremo Tribunal Federal que descumpriu a lei”, diz o senador em vídeo publicado nesta terça-feira. Na gravação, o presidenciável do PL acusa Lula de “fazer parte de um sistema apodrecido”, emendando as alegações contra o presidente à defesa do combate ao crime organizado.
9h30 — ‘Vingança’, ‘investigação ilegal’ e ‘finalidade político-eleitoral’: os argumentos de Moraes contra Mendonça
Em um documento enviado a Fachin, Alexandre de Moraes classifica o pedido de investigação feito por André Mendonça como uma retaliação pela condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro e outros réus por tentativa de golpe de Estado, e acusa o colega de tentar favorecer a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
“A decisão dada pelo Ministro André Mendonça […] foi deliberadamente uma farsa incriminatória com finalidade político-eleitoral”, afirma Moraes. No texto, ele diz que as conversas atribuídas a ele, extraídas do celular de Vorcaro, seriam “meras suposições de que textos no bloco de notas viraram mensagens” e acusa Mendonça de vazamentos seletivos das investigações para “impulsionar os comícios de determinado grupo político” às vésperas do ato organizado por Flávio Bolsonaro em São Paulo, em 7 de setembro.
Em resposta, Mendonça nega ter investigado Moraes ilegalmente e afirma que o relatório da PF, que aponta as conexões entre Vorcaro e o magistrado, foi produzido no âmbito das investigações para “identificar o interlocutor” do banqueiro. Segundo o relator do Caso Master, a elaboração de evidências mais concretas surgiu após a perícia encontrar menções a “Paulo” e “Andrei” no celular de Vorcaro — nomes que, conforme a polícia, provavelmente se referem a Paulo Gonet, procurador-geral da República, e Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF.
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