João Mendes Pereira, embaixador brasileiro no Panamá, avaliou nesta terça-feira (15) que o acordo comercial em negociação entre o país da América Central e o Mercosul pode destravar oportunidades expressivas para empresários do Brasil, conforme apurou o InfoMoney. A manifestação ocorreu no Summit Americas e ExpoShow, encontro internacional promovido pela Atlas, e projeta a conclusão das tratativas até julho do próximo ano.

Na leitura do diplomata, o texto em construção contempla a abertura de mercado, a negociação tarifária e a consolidação do arcabouço regulatório entre as duas partes. Esse desenho, segundo ele, daria aos empresários a medida exata do potencial de obras que podem ser executadas não só no território panamenho, mas em toda a região.

Em apresentação a empresários da indústria de materiais de construção, o embaixador destacou que a localização do Panamá continua sendo decisiva para os negócios do segmento, tanto dentro do próprio país quanto no restante da América Central e no Caribe. A posição geográfica, acrescentou, também abre caminho para o mercado norte-americano e para a América do Sul, além de servir como rota de passagem rumo à Ásia.

João Mendes Pereira notou ainda que as autoridades panamenhas buscam ampliar a lista de parceiros comerciais e enxergam no Mercosul, em especial no Brasil, um parceiro de alta relevância para ganhar mais espaço no cenário internacional. Ele mencionou obras em curso no país, como os terminais de metrô e de aviação e as novas frentes de expansão do canal, voltadas a enfrentar os desafios das mudanças climáticas e, sobretudo, os efeitos do El Niño sobre o abastecimento de água.

Um encontro com 600 executivos de 28 países

O Summit Americas e ExpoShow segue até quinta-feira (17), na Cidade do Panamá, e deve receber mais de 600 executivos ligados à indústria de materiais de construção, vindos de 28 países. A convocação inclui executivos de alto escalão, importadores, distribuidores, varejistas e fornecedores industriais de marcas relevantes do segmento.

Márcio Atz, diretor-geral da Atlas, afirma que o formato do encontro combina conteúdo estratégico qualificado para decisões de longo prazo e mesas de negociação direta entre indústrias fornecedoras e players de importação, distribuição e varejo de todo o continente. As conferências têm curadoria acadêmica do ISE Business School, associado à IESE Business School, e os painéis tratam de estratégias de varejo, transformação digital e inteligência artificial, gestão de talentos e governança familiar.

A força do setor de construção no Brasil

No Brasil, a cadeia produtiva de materiais de construção equivale a aproximadamente 6,6% do PIB nacional. A indústria de fabricação movimenta R$ 318,6 bilhões em faturamento e sustenta mais de 767 mil empregos diretos, conforme dados da ABRAMAT e da Ecconit. O ecossistema varejista, por sua vez, reúne mais de 160 mil lojas no país, com movimentação de R$ 238,9 bilhões, segundo levantamento da Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco).

Para Márcio Atz, o Summit Americas e a ExpoShow ajudam a evidenciar o potencial da América Latina diante do mercado global. A escolha da Cidade do Panamá colabora com esse objetivo, já que o país opera como centro de conexões internacionais e ajuda a atrair os 28 mercados participantes.