Sandro Alex faz finta em Moro e diz que senador deve cumprir mandato de 8 anos
Fonte: esmaelmorais.com.br | Data: 15/09/2026 14:33:28
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O candidato ao governo do Paraná Sandro Alex (PSD) fez uma finta política em Sérgio Moro (PL) durante entrevista à RPC TV nesta terça-feira (15): defendeu que o senador cumpra até 2031 o mandato de oito anos para o qual foi eleito em 2022, enquanto se apresentou como o nome capaz de dar continuidade ao governo de Ratinho Junior. Antes disso, porém, precisou enfrentar perguntas espinhosas sobre Copel, pedágios, regime de urgência, segurança pública e os problemas de serviços públicos que marcaram os últimos anos.
A declaração sobre Moro veio nas considerações finais e não pode ser confundida com apoio eleitoral ao senador. A lógica apresentada por Sandro é outra: Moro seria mais útil ao Paraná permanecendo no Senado, onde tem mandato até 2031, enquanto a cadeira do Palácio Iguaçu ficaria para quem, na visão do candidato do PSD, tem competência administrativa para governar o Estado.
“Eu entendo que a melhor decisão é que o senador Moro continue a sua obrigação no Senado, onde se comprometeu a atuar durante 8 anos para desempenhar aquilo que quer fazer lá”, afirmou Sandro.
A frase ganhou peso porque veio depois de uma entrevista em que o candidato reivindicou experiência administrativa e defendeu a continuidade da gestão Ratinho Junior. Sandro foi secretário de Estado da Infraestrutura e Logística entre 2019 e 2026 e tenta chegar pela primeira vez ao governo estadual.
Na sequência, ele completou o raciocínio: “o Paraná não pode perder uma cadeira, porque se ele abandonar o cargo, o Paraná ficará fraco lá [no Senado]”.
É a finta política. Sandro não precisou afirmar que Moro seria incapaz de governar o Paraná. Ao defender que o senador permaneça onde foi eleito, deslocou o adversário para o Senado e reservou para si, no cenário que construiu, o papel de candidato ao Executivo.
Nesse desenho, Sandro Alex venceria a corrida pelo Palácio Iguaçu e Moro honraria o mandato de senador. Falta, porém, combinar com os russos: os eleitores paranaenses.
A entrevista teve momentos menos confortáveis para o candidato.
Copel foi o primeiro ponto de tensão

A RPC questionou Sandro sobre a qualidade dos serviços da Copel depois da mudança no controle acionário da companhia. A emissora lembrou as reclamações de consumidores em cidades, no campo e na indústria e perguntou por que a qualidade prometida com a mudança não havia aparecido.
Sandro respondeu com investimentos futuros. Citou R$ 23 bilhões em capacidade de investimento e defendeu a ampliação da rede trifásica para produtores rurais.
Quando foi questionado sobre o tempo necessário para o consumidor ter segurança no fornecimento, respondeu que o problema seria resolvido com investimento e afirmou: “eu entendo de infraestrutura e eu vou resolver”.
A resposta carregou um desafio político adicional: Sandro participou diretamente do governo que conduziu a mudança na Copel e agora tenta transformar os investimentos projetados em argumento para sua candidatura.
Regime de urgência virou outra saia justa
A entrevistadora também confrontou Sandro com o uso recorrente do regime de urgência em projetos do governo Ratinho Junior na Assembleia Legislativa. Entre os exemplos citados estavam a Copel, escolas cívico-militares, terceirização de gestão de escolas e hospitais e mudanças tributárias.
Sandro não rejeitou o instrumento.
Disse que o Brasil tem processos burocráticos demorados e defendeu “a mesma velocidade que o mercado”. Ao ser perguntado especificamente se mandaria projetos em regime de urgência caso eleito, respondeu que, “se for necessário”, isso poderá ocorrer.
A RPC contrapôs que calamidade pública exige urgência, mas que mudanças estruturais, como a alteração do modelo de uma grande estatal, exigem debate público. Sandro sustentou que houve discussão ao longo dos oito anos e voltou a defender celeridade.
O episódio expôs uma diferença de visão sobre a velocidade da administração pública: para Sandro, rapidez é parte do modelo que atribui ao avanço econômico do Paraná; para a entrevistadora, o problema está na redução do espaço para discussão social e legislativa.
Pedágio trouxe a resposta mais delicada

Outro momento espinhoso apareceu quando a RPC confrontou uma promessa do plano de governo de Sandro: suspender a cobrança de tarifa em trechos onde obras de duplicação ou viadutos estejam atrasadas.
A emissora afirmou que não existe suspensão imediata da tarifa simplesmente porque uma obra atrasou e perguntou por que o candidato estaria prometendo algo que, segundo a própria entrevista, dependeria do procedimento previsto nos contratos.
Sandro inicialmente respondeu que a suspensão seria possível e disse que pediria a interrupção da cobrança diante do descumprimento do cronograma.
Na insistência da apresentadora, entretanto, reconheceu a necessidade do devido processo legal e mencionou mecanismos contratuais de multa e redução.
O trecho deixou uma contradição evidente entre a formulação política da promessa de campanha e a aplicação jurídica da penalidade. O próprio candidato acabou admitindo que não se trata simplesmente de apertar um botão e suspender a tarifa.
Câmeras corporais também exigiram explicação
Na segurança pública, Sandro defendeu a ampliação do programa Olho Vivo, que utiliza câmeras e inteligência artificial. A RPC lembrou que o Tribunal de Contas do Estado apontou problemas na licitação para novos equipamentos, incluindo questões relacionadas à vigilância e ao possível uso de dados por empresas privadas.
Sandro respondeu que não tem compromisso com “erro e malfeito” e que faria as correções necessárias para ampliar o programa.
O mesmo aconteceu quando a emissora perguntou sobre as câmeras corporais nas fardas dos policiais militares. A apresentadora lembrou que havia cerca de 300 câmeras em operação para um efetivo de aproximadamente 16 mil policiais.
Sandro contestou a ideia de que a promessa não teria sido cumprida e afirmou que os equipamentos estavam em fase de testes. Disse que ampliaria as câmeras se elas demonstrassem eficiência e, caso contrário, buscaria outra tecnologia.
A resposta colocou o candidato novamente diante da dificuldade de defender a continuidade de uma política que ainda não atingiu a escala anunciada pela própria emissora.
Sandro aposta na continuidade
Apesar dos questionamentos, o candidato sustentou durante toda a entrevista a tese de continuidade do governo Ratinho Junior.
Na saúde, prometeu ultrapassar 1 milhão de cirurgias eletivas a partir de 2027 com a entrega de novos hospitais. Na educação, falou em ampliar escolas cívico-militares e escolas bilíngues. Na energia, prometeu uma Secretaria de Energia. Na prevenção de desastres, defendeu mais investimentos em radares e Defesa Civil.
Na reta final, voltou ao eixo político da candidatura.
“Nós sabemos tocar o Paraná que começou com Ratinho Júnior, eu e Rafael Greca”, afirmou.
E então veio Moro.
Ao defender que o senador permaneça no Congresso até o fim do mandato, Sandro completou a arquitetura eleitoral apresentada durante a entrevista: Ratinho Junior como origem do projeto, ele próprio como sucessor no Executivo e Moro como senador que, segundo sua leitura, deve permanecer no Legislativo.
Não foi uma declaração de apoio a Moro. Foi uma maneira de retirar o senador da disputa pelo governo sem precisar atacá-lo frontalmente.
Sandro apresentou ao eleitor uma escolha implícita: Moro no Senado e ele no Palácio Iguaçu.
A eleição, entretanto, não obedece ao roteiro de nenhum candidato.
Como no futebol, falta combinar com os russos. E os russos, neste caso, são os eleitores paranaenses, que terão a palavra final em 4 de outubro.
Sandro ainda terá outro palco na própria RPC. Ele confirmou presença no debate entre candidatos ao governo marcado para 29 de setembro, cinco dias antes da votação.
Até lá, a finta em Moro pode render dividendos eleitorais, mas os momentos espinhosos da entrevista também deixaram perguntas abertas sobre a continuidade que Sandro promete administrar.
Acompanhe no Blog do Esmael a corrida pelo Palácio Iguaçu, os movimentos de Sandro Alex, Sérgio Moro e dos demais candidatos e os bastidores das eleições de 2026.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.