Greve dos Correios mobiliza cidades da região; Caratinga tem baixa adesão
Fonte: diariodecaratinga.com.br | Data: 16/09/2026 15:52:07
CARATINGA- A greve dos trabalhadores dos Correios, iniciada na sexta-feira (11), tem mobilizado funcionários em diferentes municípios de Minas Gerais e também em outras regiões do país. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores dos Correios de Minas Gerais (Sintect-MG), cidades como Manhuaçu, Governador Valadares e Inhapim registram forte adesão ao movimento.
Em Caratinga, entretanto, a paralisação conta, até o momento, com a participação de apenas dois trabalhadores. De acordo com Agnaldo Silva, diretor do Sintect-MG, a baixa adesão estaria relacionada ao receio de possíveis represálias. “Em Caratinga, infelizmente, somente dois tiveram coragem e pararam no movimento desde o início, porque eles têm medo de represálias. Mas a região está bem mobilizada. Manhuaçu está parado, Governador Valadares parou mais de 90%, Inhapim parou mais de 90% e várias cidades aqui da região estão paradas”, afirmou.
Agnaldo explica que, em Inhapim, dos nove funcionários da unidade, cinco aderiram à greve e um está de férias. Com isso, segundo ele, apenas um carteiro permanece realizando atividades externas, enquanto outros funcionários seguem nas funções internas.
Entre as principais reivindicações da categoria estão a preservação de direitos previstos no Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) e a manutenção das condições relacionadas ao plano de saúde dos empregados, aposentados e dependentes.
Segundo o diretor do Sintect-MG, os trabalhadores também contestam possíveis mudanças em quatro pontos do acordo. “O que a gente está pedindo no nosso acordo coletivo é que não retire as quatro cláusulas do nosso acordo. É o plano médico, que eles querem deixar de ser os mantenedores; querem tirar os 200% de reembolso trabalhado nos feriados e domingos, tirar os 70% de férias e tirar o nosso Vale Peru”, disse.
Ainda de acordo com o sindicalista, a categoria não tem como principal reivindicação um reajuste salarial acima da inflação, mas a manutenção dos benefícios e direitos atualmente previstos. “Eles estão dando de aumento só a inflação. Nós não estamos pedindo nada de aumento. Nós queremos manter só o nosso plano, o nosso acordo. O que é mais essencial é o plano de saúde”, afirmou.
A Federação Interestadual dos Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras dos Correios (FINDECT) também aponta o plano de saúde como um dos principais pontos de impasse nas negociações com a empresa. A entidade afirma que a direção dos Correios pretende promover alterações no benefício.
A greve foi deflagrada após trabalhadores rejeitarem, em assembleias, a proposta apresentada pela empresa durante as negociações do Acordo Coletivo de Trabalho 2026/2028.
Correios acionam plano de continuidade
Em nota, os Correios informaram que acionaram o Plano de Continuidade de Negócios com o objetivo de manter os serviços em funcionamento em todo o país e reduzir possíveis impactos da paralisação.
Entre as medidas adotadas estão a mobilização de empregados administrativos para apoiar as atividades operacionais, o remanejamento de veículos e a realização de mutirões para manter o fluxo logístico. A empresa também informou que a rede de agências permanece aberta ao público.
Os Correios afirmam ainda que ingressaram, na sexta-feira (11), com pedido de dissídio coletivo no Tribunal Superior do Trabalho (TST), após o encerramento da mediação sem acordo e a rejeição da proposta para o ACT 2026/2028.
No sábado (12), o TST determinou, em decisão liminar, a manutenção de 80% do efetivo em atividade em cada unidade ou estabelecimento da empresa, incluindo setores de atendimento, tratamento, transporte, distribuição e áreas administrativas ou de suporte consideradas indispensáveis à continuidade dos serviços.
O julgamento do dissídio coletivo está marcado para o dia 21 de setembro, às 13h30. Até lá, segundo os Correios, ainda existe possibilidade de acordo entre a empresa e os trabalhadores.
A estatal declarou respeito ao direito de greve, mas destacou que a paralisação ocorre em um período considerado sensível para a empresa, que enfrenta dificuldades econômico-financeiras e afirma estar concentrada na redução de despesas, aumento da eficiência, modernização das operações e geração de novas receitas.
Para os clientes que enfrentarem situações específicas relacionadas aos serviços, os Correios orientam o contato pelos telefones 4003-8210 e 0800-881-8210 ou pelos canais digitais de atendimento da empresa.
Enquanto sindicato e estatal mantêm posições diferentes sobre o alcance da paralisação e os impactos do movimento, trabalhadores aguardam o julgamento do dissídio coletivo no próximo dia 21, que poderá definir os rumos das negociações do novo acordo coletivo.