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China e América Latina ampliam debate sobre direitos humanos em encontro realizado no Peru – Revista Fórum

Fonte: revistaforum.com.br | Data: 16/09/2026 16:34:03

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A Terceira Mesa Redonda China-América Latina e Caribe sobre Direitos Humanos, realizada nesta terça-feira (15), em Lima, no Peru. O encontro reuniu cerca de 200 representantes de 23 países latino-americanos e caribenhos e da China para discutir o futuro da governança global dos direitos humanos sob o tema “Multilateralismo e Direitos Humanos”.

Entre os participantes brasileiros esteve Izabella Teixeira, ministra do Meio Ambiente dos governos Dilma Rousseff, que participou da programação principal do encontro e levou ao debate questões relacionadas à crise climática, desenvolvimento sustentável, recursos estratégicos e cooperação internacional.

Izabella Teixeira destaca crise climática e papel da América Latina

Em sua intervenção, Izabella Teixeira afirmou que a crise climática já é uma realidade e não apenas um problema para o futuro.

Segundo a ex-ministra, eventos extremos provocados pelo aumento das temperaturas ameaçam direitos e as condições necessárias para sua realização.

Teixeira chamou atenção para uma desigualdade presente na crise climática: regiões que tiveram menor responsabilidade histórica pelas emissões de gases de efeito estufa estão entre aquelas que enfrentam alguns dos impactos mais severos das mudanças do clima.

A ex-ministra também destacou a posição estratégica da América Latina diante das transformações da economia mundial.

A região possui grandes reservas de água, alimentos e minerais críticos, recursos que ganham importância com a transição energética e as mudanças tecnológicas.

Na avaliação apresentada por Teixeira, esse patrimônio natural pode ser utilizado como uma base para ampliar a capacidade de negociação e a voz internacional dos países latino-americanos.

Ela defendeu ainda que a região construa uma transição econômica verde que seja socialmente inclusiva e aumente sua capacidade de enfrentar os efeitos das mudanças climáticas.

A importância do debate

Ao longo do encontro, representantes chineses e latino-americanos apresentaram experiências em áreas como combate à pobreza, educação, saúde, infraestrutura, proteção ambiental e acesso à tecnologia.

O debate colocou em evidência uma concepção segundo a qual a garantia dos direitos humanos não se limita à existência de direitos formalmente reconhecidos, mas também depende das condições materiais para que a população possa exercê-los.

Esse ponto apareceu em diferentes intervenções, inclusive nas discussões sobre pobreza, mudanças climáticas e acesso à tecnologia.

Para os participantes, o desafio colocado aos países em desenvolvimento é conciliar a proteção dos direitos com políticas capazes de ampliar as condições de vida da população e, ao mesmo tempo, garantir maior autonomia diante das transformações econômicas e tecnológicas globais.

Encontro reúne China e 23 países da América Latina e Caribe

A terceira edição da mesa-redonda reuniu aproximadamente 200 participantes, entre autoridades, pesquisadores, especialistas e representantes de organizações sociais, veículos de comunicação e centros de pesquisa.

O encontro foi organizado pela Sociedade Chinesa de Estudos de Direitos Humanos, pela Universidade Renmin da China e pela Universidade Nacional Maior de San Marcos, do Peru.

Na abertura, Ma Huaide, presidente da Universidade Renmin e vice-presidente da Sociedade Chinesa de Estudos de Direitos Humanos, defendeu o fortalecimento do multilateralismo e afirmou que países em desenvolvimento compartilham o interesse em reformar os mecanismos internacionais de governança dos direitos humanos.

Gustavo Pacheco Villar, presidente fundador do Instituto Peruano de Estudos de Política Internacional, destacou a experiência chinesa de redução da pobreza e defendeu que o acesso à ciência, à tecnologia e às novas ferramentas digitais também seja incorporado à discussão contemporânea sobre direitos humanos.

O embaixador da China no Peru, Song Yang, por sua vez, destacou a cooperação entre China e América Latina em áreas como desenvolvimento, segurança e prevenção de desastres.

Porto de Chancay é citado como exemplo de cooperação

Entre os projetos mencionados durante o encontro esteve o Porto de Chancay, empreendimento construído com participação chinesa no litoral peruano.

Song Yang citou o projeto como exemplo da relação entre desenvolvimento econômico e condições materiais para a proteção dos direitos humanos, destacando a geração de empregos locais.

Jason Guillén Flores, representante da COSCO SHIPPING Ports Chancay Peru, apresentou dados sobre o empreendimento e afirmou que mais da metade dos trabalhadores do projeto são provenientes das regiões de Chancay e Huaral.

Segundo os dados apresentados no evento, o projeto também destinou aproximadamente US$ 35 milhões a iniciativas sociais relacionadas a emprego, educação, saúde e infraestrutura, beneficiando mais de 120 mil moradores.

Plano de cooperação entre China e América Latina vai até 2030

Durante a reunião, foi lançado o Plano de Ação de Pesquisa Acadêmica sobre Direitos Humanos China-América Latina e Caribe 2026-2030.

Também foi criado um comitê internacional de especialistas vinculado à Rede de Cooperação e Pesquisa sobre Direitos Humanos China-América Latina e Caribe, além da apresentação de projetos conjuntos de pesquisa para 2026 e 2027.

De acordo com os organizadores, o plano prevê iniciativas nas áreas de formação de jovens pesquisadores, pesquisas acadêmicas conjuntas e construção de redes internacionais de especialistas.

A terceira edição consolidou ainda a expansão do mecanismo de diálogo. Segundo os organizadores, a primeira reunião, realizada no Rio de Janeiro, contou com representantes de 17 países e pouco mais de 130 participantes. A edição seguinte ocorreu em São Paulo. Agora, em Lima, o número de países chegou a 23 e a participação se aproximou de 200 representantes.

O encontro de Lima também evidencia a ampliação dos canais de diálogo entre China e América Latina e Caribe em torno de temas que envolvem o Sul Global. A partir da terceira edição, os organizadores passaram a tratar não apenas de questões específicas de direitos humanos, mas também da estrutura da governança internacional e da participação dos países em desenvolvimento na formulação de suas regras.

Com o novo plano de pesquisa para 2026-2030, a expectativa dos organizadores é transformar o mecanismo em uma plataforma permanente de cooperação acadêmica e institucional entre China e países latino-americanos e caribenhos.

Veja cobertura da CGTN em Espanhol:

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