Um terço das pessoas com deficiência no Brasil vive com menos de R$ 42 por dia, diz IBGE
Fonte: noticias.r7.com | Data: 18/09/2026 10:07:50
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- 33,2% das pessoas com deficiência no Brasil viviam na pobreza em 2022, segundo o IBGE.
- A taxa de pobreza é mais alta entre crianças de 2 a 14 anos, atingindo 60,9%.
- A Lei de Cotas exige que empresas reservem vagas para pessoas com deficiência, mas a inclusão real ainda enfrenta desafios.
- Famílias de baixa renda com crianças com deficiência enfrentam despesas adicionais e desafios econômicos significativos.
Produzido pela Ri7a – a Inteligência Artificial do R7

Cerca de um terço (33,2%) da população brasileira com deficiência vivia na pobreza em 2022. Os dados, presentes na pesquisa “Pessoas com Deficiência e as Desigualdades Sociais no Brasil”, divulgada nesta sexta-feira (18) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), apontam que a disparidade é ainda mais alarmante entre crianças de 2 a 14 anos, faixa em que a taxa de pobreza atinge 60,9%.
O levantamento adotou como parâmetro a linha de pobreza do Banco Mundial, fixada em US$ 8,30 diários per capita (aproximadamente R$ 42,66).
Segundo o Censo Demográfico 2022, o Brasil contabiliza 14,4 milhões de pessoas com deficiência, o equivalente a 7,3% da população com dois anos ou mais de idade.
Entre os tipos de limitação mais frequentes no grupo analisado, destacam-se:
- Dificuldade de enxergar: 7,9 milhões de pessoas;
- Dificuldade de caminhar ou subir degraus: 5,1 milhões de pessoas;
- Dificuldade de manusear objetos pequenos: 2,7 milhões de pessoas;
- Limitações nas funções mentais: 2,6 milhões de pessoas.
Além disso, cerca de 3,9 milhões de pessoas apresentavam duas ou mais dessas limitações associadas.
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Barreiras além da deficiência
Para a advogada Adriana Monteiro, especialista em Direitos das Pessoas com Deficiência, os números revelam obstáculos desde a formação escolar até a inserção no mercado de trabalho.
“O Brasil conta com a Lei de Cotas, que exige que empresas com 100 ou mais funcionários destinem de 2% a 5% das vagas a pessoas com deficiência ou reabilitados da Previdência Social. Contudo, estar contratado não garante, por si só, a inclusão real. É preciso assegurar acessibilidade, adaptações razoáveis, igualdade salarial, perspectiva de crescimento e condições efetivas de trabalho”, ressalta Monteiro.
A especialista também aponta a escassez de oportunidades de qualificação profissional voltadas a esse público, o que compromete a renda e limita o acesso a cargos de maior complexidade.
O impacto nas famílias com crianças
A situação torna-se ainda mais delicada em lares com crianças com deficiência. Por dependerem economicamente da família, a vulnerabilidade dessas crianças reflete diretamente a realidade socioeconômica do domicílio.
“Quando há uma criança com deficiência em uma família de baixa renda, surgem despesas adicionais com tratamentos, medicamentos, transporte e cuidados especializados. Frequentemente, um dos responsáveis precisa reduzir a jornada ou deixar o emprego para prestar assistência em tempo integral”, explica a advogada.
Para a jurista, embora o país disponha de normas legais que assegurem direitos e acessibilidade, o maior desafio permanece na efetiva aplicação das leis.
“Precisamos avançar na fiscalização, no combate à discriminação e na acessibilidade dos ambientes de trabalho. A inclusão verdadeira ocorre quando a pessoa não é contratada apenas para cumprir uma cota, mas consegue ingressar, permanecer, evoluir na carreira e exercer suas funções com autonomia e dignidade”, conclui Monteiro.
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