GRI aponta curtailment como entrave e cobra previsibilidade para 2027–2030
Fonte: cnnbrasil.com.br | Data: 18/09/2026 11:15:29
O GRI Institute Infrastructure, instituto especializado em soluções para infraestrutura e energia, apontou os cortes de geração, conhecidos como “curtailment”, como um dos principais entraves no setor elétrico e propôs aos presidenciáveis medidas para enfrentar os cortes em renováveis, além de cobrar mais previsibilidade para os investimentos no ciclo 2027-2030.
Os cortes de energia impostos pelo ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) acontecem para preservar a segurança e a confiabilidade do sistema elétrico. O volume contabilizado corresponde à diferença entre a energia que os empreendimentos poderiam produzir, dadas as condições de vento, sol e disponibilidade dos equipamentos, e a geração efetivamente realizada após a restrição.
Dentre os motivos estão: a falta de infraestrutura de transmissão, como linhas danificadas ou atrasadas; quando as linhas de transmissão atingem o limite de capacidade e a energia não pode ser escoada; e o excesso de oferta em relação à demanda. Nos dois últimos casos, não há direito a compensação.
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“Brasil não carece de capital disposto a investir, mas precisa de mais previsibilidade, regras estáveis e respeito aos compromissos”, afirma o documento.
Em documento encaminhado às campanhas, o GRI cobra uma solução técnica e regulatória ao próximo governo, incluindo a expansão e modernização na transmissão, visando melhorar o escoamento da energia, aprimoramento do sinal locacional, para orientar onde novos projetos de geração devem ser instalados, além de resolver a situação de contratos “já afetados” pelos cortes.
Ao todo, o instituto enviou 25 recomendações para a agenda de infraestrutura (incluindo outros setores como saneamento) e energia do próximo governo.
Além dos cortes de geração, o GRI também pede outras medidas, como a priorização dos leilões de baterias, que já estão marcados para dezembro deste ano. No documento, é proposto que a contratação de armazenamento seja priorizada e incorporada de forma efetiva à operação do sistema no próximo ciclo de governo.
Para a instituição, o armazenamento, em especial o por baterias, é “instrumento crítico para a confiabilidade do sistema elétrico” em uma matriz com participação crescente de fontes intermitentes, não sendo encarado apenas como solução para os cortes de geração, mas como infraestrutura necessária para a confiabilidade do sistema.
Entre outros pedidos também estão:
- Criação mecanismos de armazenamento que ajudem a absorver excedentes;
- Aumentar a transparência dos dados do ONS sobre as restrições de escoamento;
- Usar inteligência artificial para melhorar a previsão do sistema e dos cortes;
- Utilizar ferramentas de desligamento automático para evitar cortes quando o evento não estiver efetivamente ocorrendo;
- Rever subsídios e incentivos que, segundo o documento, podem criar distorções e ampliar o curtailment.
A avaliação apresentada no documento é de que a combinação de planejamento, segurança energética e previsibilidade regulatória será necessária para sustentar os investimentos no próximo ciclo.
O objetivo seria conciliar a expansão das fontes renováveis com segurança no abastecimento e sustentabilidade econômica do sistema como um todo.
Conclusão de reforma do setor
Por fim, o GRI ainda pede que o próximo governo dê continuidade à modernização do setor elétrico, “com prioridade
para a conclusão da regulamentação da Lei 15.269/25″, além do avanço gradual e responsável na abertura do mercado livre de energia.
O instituto sustenta que a abertura deverá ser feito com uma “transição equilibrada”, respeitando o contrato das distribuidoras e preservando o tempo suficiente para adoção de “medidas complementares” na baixa tensão.
“Esse compromisso envolve dois movimentos esperados do próximo governo. O primeiro é editar, até o fim de 2027, toda a regulamentação infralegal necessária à aplicação da lei, incluindo as resoluções da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) e regras da CCEE (Câmara de Comercialização de Energia)”, defendeu.
À CNN, Moisés Cona, managing director do GRI Institute Infrastructure, afirmou que o grande objetivo da abertura do mercado é dar opção ao consumidor.
“Hoje, o consumidor é cativo, portanto está obrigado a comprar energia de um fornecedor. A ideia, com o mercado livre, é que, por meio da competição, as tarifas de energia possam ser reduzidas”, disse.
Brasil como destino de capital
Para o executivo, segundo apurado com investidores, o Brasil é visto como o principal destino de capital na região e bem posicionado entre os países emergentes globais.
Entretanto, mais da metade, sendo 57% colocam o país numa posição de neutralidade e precisam ser convencidos mais intensamente.
Nesse cenário, diante de uma lacuna de investimentos em infraestrutura estimada em mais de R$ 200 bilhões por ano, o GRI Institute defende uma agenda capaz de “manter a mobilização de capital privado e ampliar a atração de investidores, em um ambiente de forte competição por recursos internacionais”.