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Viagens de Flávio Bolsonaro em jatinho ligado a Daniel Vorcaro entram no radar da Polícia Federal

Fonte: oanapolis.com.br | Data: 20/09/2026 08:57:31

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As investigações da Polícia Federal passaram a lançar luz sobre uma série de viagens internacionais realizadas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao lado do advogado Willer Tomaz, personagem que também aparece em apurações relacionadas às fraudes contra aposentados e pensionistas do INSS. Entre os deslocamentos identificados pelos investigadores está uma viagem à África do Sul, em março de 2025, que incluiu um safári e reuniu políticos, familiares e empresários.

escrito por O Anápolis



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Os registros analisados pela PF foram obtidos a partir da perícia em celulares, e-mails, reservas de hospedagem, contratos de locação de veículos e documentos de viagem encontrados com Willer Tomaz. O material permitiu aos investigadores mapear pelo menos cinco viagens internacionais feitas em conjunto por Flávio Bolsonaro e o advogado ao longo do primeiro semestre de 2025. Os roteiros incluem passagens pela África do Sul, Portugal, França e Estados Unidos.

Um dos pontos que mais chamaram atenção foi a utilização de aeronaves da empresa de aviação executiva Prime You. Segundo informações reveladas pelas investigações e divulgadas pela imprensa, um dos voos ocorreu em janeiro de 2025, quando Flávio Bolsonaro, sua esposa e as filhas retornaram da Flórida para Brasília em uma aeronave da companhia. Na época, Daniel Vorcaro, então controlador do Banco Master, figurava entre os sócios da empresa de táxi aéreo.

Embora a PF tenha registrado a coincidência entre as viagens e a ligação empresarial de Vorcaro com a Prime You, não houve divulgação pública de provas apontando irregularidade específica na utilização da aeronave pelo senador. O foco dos investigadores está na rede de relações identificada durante as apurações.

A viagem à África do Sul se tornou um dos episódios mais comentados do material apreendido. De acordo com os registros analisados, Flávio Bolsonaro participou de um safári acompanhado da esposa, do senador Weverton Rocha (PDT-MA), do advogado Willer Tomaz e de familiares. Fotografias recuperadas pelos investigadores mostram integrantes do grupo usando camisetas com a expressão “Big Five”, referência aos cinco grandes animais normalmente associados aos safáris africanos: leão, elefante, rinoceronte, búfalo e leopardo.

As imagens teriam sido compartilhadas em um grupo de WhatsApp chamado “África do Sul”, identificado durante a análise dos aparelhos apreendidos pela Polícia Federal. O material incluiu dezenas de fotos e mensagens trocadas durante a viagem.

A investigação também aponta que a relação entre Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz ultrapassou as viagens internacionais. Relatórios citam compartilhamento de imóveis, utilização de aeronaves privadas e atuação conjunta em processos judiciais. Esses elementos passaram a ser observados pelos investigadores como parte de um contexto mais amplo de relacionamento entre os dois.

Os envolvidos, porém, rejeitam qualquer interpretação de irregularidade. Willer Tomaz afirma que todas as viagens tiveram caráter estritamente privado, foram custeadas com recursos próprios e decorreram de uma amizade antiga com o senador e sua família. O advogado também declarou que utilizou os serviços da Prime You como cliente comum da empresa e que desconhecia eventual participação societária de Daniel Vorcaro na operadora aérea.

Já Weverton Rocha sustenta que mantém uma relação de amizade e compadrio com Willer Tomaz há muitos anos e que as viagens ocorreram em ambiente estritamente familiar e privado.

Flávio Bolsonaro também tem negado qualquer irregularidade e argumenta que as tentativas de relacionar suas viagens pessoais a atividades ilícitas se baseiam apenas em especulações

Paralelamente, o nome de Daniel Vorcaro aparece em outra frente de investigação envolvendo o projeto cinematográfico “Dark Horse”, filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Relatórios da Polícia Federal apontam contatos e conversas entre Vorcaro e Flávio Bolsonaro relacionados à busca de recursos para a produção. O senador afirma que se tratava apenas de uma ação privada de captação de patrocínio e nega qualquer conduta ilícita.

Até o momento, as investigações seguem em andamento. Os documentos divulgados mostram que a PF conseguiu reconstruir uma extensa agenda de viagens, encontros e contatos entre personagens que hoje figuram em diferentes frentes de investigação. O desfecho dessas apurações dependerá da análise do conjunto de provas reunidas pelos investigadores e das conclusões que vierem a ser apresentadas pelos órgãos responsáveis