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A saúde mental dos adolescentes

Fonte: dgabc.com.br | Data: 20/09/2026 10:44:38

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No Dia do Adolescente, celebrado em 21 de setembro, e durante o Setembro Amarelo, é importante refletir sobre a saúde mental dos jovens e sua relação com a construção de responsabilidade.

O debate sobre a adolescência muitas vezes acaba reduzido a explicações simples. Há quem enxergue os problemas enfrentados pelos jovens apenas como falta de limites. Outros consideram somente as circunstâncias sociais e familiares que os cercam. A realidade, porém, é mais complexa. Cuidar da saúde mental e responsabilizar são dimensões que podem e devem caminhar juntas.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, um em cada sete adolescentes entre 10 e 19 anos convive com algum transtorno mental. No Brasil, dados do IBGE de 2024 também apontam um cenário de atenção à saúde emocional dos jovens.

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Na Fundação Casa, essa questão ganha uma dimensão ainda maior. A instituição atende cerca de 4.800 adolescentes em 93 centros socioeducativos distribuídos por 41 municípios paulistas. Cada adolescente possui um Plano Individual de Atendimento, o PIA, que considera suas necessidades pedagógicas, sociais, familiares e de saúde.

Muitos chegam à instituição com histórias marcadas por violência, rompimentos familiares, evasão escolar ou ausência de perspectivas. Compreender esse contexto não significa afastar a responsabilidade pelo ato infracional. Significa criar condições para que o adolescente reflita sobre sua trajetória, compreenda as consequências de suas escolhas e desenvolva outras possibilidades.

A saúde mental ocupa papel central nesse processo. A Fundação Casa realiza, em média, 1.285 atendimentos psicossociais por mês e mantém há mais de duas décadas um programa de psicoterapia. Em 2026, já foram realizados mais de 8.000 atendimentos presenciais e on-line.

Mas cuidar da saúde mental também significa ampliar repertórios e construir perspectivas. Atividades culturais das Fábricas de Cultura, presentes em 71 centros, estimulam expressão, criatividade e convivência. A educação profissional aproxima os adolescentes de possibilidades de inserção produtiva. E o programa Depois do Amanhã dá continuidade ao cuidado após o fim da medida, apoiando estudos, acesso à saúde, vínculos familiares, cursos e trabalho.

Neste Dia do Adolescente, falar sobre saúde mental é também falar sobre responsabilidade. Não existe contradição entre acolher e responsabilizar. O desafio é oferecer condições para que o adolescente reconheça as consequências de suas escolhas, desenvolva recursos para enfrentar dificuldades e perceba que outras escolhas são possíveis.

A socioeducação existe para responsabilizar, mas também para oferecer instrumentos de reconstrução. Porque ninguém deve ser definido para sempre pelo pior momento de sua história.

Acacio Miranda da Silva Filho é presidente da Fundação Casa.

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