Embraer entrega 2.000º jato e entra no grupo das mais vendidas do mundo
Fonte: tribunapr.com.br | Data: 21/09/2026 00:53:05
A Embraer entregou no início de setembro o 2.000º jato da família E-Jets, um modelo E195-E2 para a Azul. Com isso, a linha de aeronaves da fabricante brasileira entrou no grupo das três mais vendidas da aviação global, atrás apenas das famílias A320, da Airbus, e 737, da Boeing. O marco reforça a posição da empresa de São José dos Campos (SP) como líder mundial no segmento de jatos comerciais de até 150 assentos. As informações são da Gazeta do Povo.
Desde 2004, quando começou a operar, a família E-Jets está presente em mais de 90 companhias aéreas de cerca de 60 países e já transportou mais de 2,8 bilhões de passageiros. A carteira de pedidos firmes da Embraer atingiu recorde histórico de US$ 34,5 bilhões em julho, o sétimo trimestre consecutivo de crescimento.
O bom momento da companhia acontece enquanto Boeing e Airbus enfrentam crises de capacidade de produção. A Boeing passou por acidentes do 737 MAX em 2018 e 2019, e a pandemia fez as companhias aéreas valorizarem aeronaves menores e mais flexíveis. Enquanto a espera por jatos grandes da Airbus ou Boeing leva de oito a dez anos, a Embraer entrega os modelos E2 em menos de dois anos.
Empresa amplia atuação com jatos executivos e cargueiro militar
O desempenho da Embraer vai além da aviação comercial. No segmento de Defesa e Segurança, a carteira de pedidos chegou a US$ 6,1 bilhões, alta de 42% em relação ao segundo trimestre de 2025. O cargueiro KC-390 Millennium foi vendido para 13 países, incluindo dez unidades para os Emirados Árabes Unidos, o maior contrato internacional do modelo. Analistas estimam o preço entre US$ 170 milhões e US$ 190 milhões por unidade.
A Colômbia comprou recentemente duas unidades do cargueiro. A Embraer também disputa o fornecimento de 60 a 80 unidades do KC-390 para a Índia e estuda com o grupo Adani a entrada do E175 no mercado civil indiano. A viabilidade de abrir uma linha de produção na Índia depende de um pedido mínimo de 200 aeronaves.
Falta de motores limita ritmo de entregas da fabricante
Apesar do cenário favorável, a Embraer enfrenta gargalos na cadeia de fornecimento. A capacidade instalada permite montar de 100 a 105 jatos comerciais por ano, mas os atrasos, principalmente de motores, limitam as entregas a 80 ou 85 unidades em 2026. A empresa também lida com cerca de 50 contratos de baixa margem firmados durante a pandemia.
A escassez de componentes eletrônicos, peças de alta temperatura e mão de obra qualificada segue como limitador do ritmo de produção. A Embraer avalia desenvolver um jato de corredor único maior para competir diretamente com Airbus e Boeing, projeto estimado em US$ 10 bilhões. O presidente da empresa, Francisco Gomes Neto, afirma que no momento a companhia está confortável com a situação atual.