Empresas abandonam 142 usinas solares no Nordeste em meio a boom de painéis em casas e comércios
Fonte: estadao.com.br | Data: 21/09/2026 13:18:26
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Pirapora, a maior usina de energia solar da América Latina
A maior usina fotovoltaica da América Latina está sendo implantada em Pirapora, Minas Gerais. O projeto pretende recuperar o atraso do Brasil na indústria solar. Crédito: afp
Empresas abandonaram pelo menos 142 projetos de usinas solares no Nordeste nos últimos dois anos, segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) levantados pela Coluna do Estadão. Um grupo de 127 usinas foi cancelado pela Aneel a pedido das companhias, e a agência revogou outras 15 por paralisação nas obras. A responsabilidade do patrimônio abandonado é das empresas.
As desistências ocorrem em meio ao boom da geração solar, principalmente por meio de painéis em telhados de casas e comércios, e ao aumento dos cortes de geração determinados pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) para evitar a sobrecarga da rede.
Procurado, o ONS afirmou que os cortes por excesso de geração (“curtailments”) são uma “realidade estrutural” em países com alta participação de energias renováveis. “É um desafio sistêmico, associado ao crescimento acelerado da geração eólica e solar”, completou. Leia o comunicado ao fim da reportagem. A Aneel não respondeu. O espaço continua aberto.

Placas de energia solar
Foto: Divulgação/Holu
Como o ONS não controla diretamente a geração dos painéis nos telhados, os cortes acabam recaindo sobre usinas solares de maior porte, que estão no sistema centralizado. O sistema elétrico precisa manter um equilíbrio constante entre geração e consumo de energia, para evitar apagões, por exemplo. No ano passado, o País deixou de usar 20% de toda a energia solar e eólica, principalmente por causa dessas interrupções.
No último trimestre, 84% dos cortes para conter o excesso foram no Nordeste. A conta inclui também energia eólica e de pequenas centrais hidrelétricas, mas a maioria do contingente se deve à energia solar. Em paralelo, a região dobrou a capacidade de geração solar nos telhados de casas e comércio de 2023 a 2026.
Esse fenômeno tem sido apontado por empresas como um fator de desistímulo a novos investimentos, uma vez que são levadas a reduzir a venda de energia a distribuidoras e indústrias, contrariando o planejamento.
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Empresas citam cortes ao justificar desistências
Em julho, a Rio Alto citou à Aneel a “inviabilidade de prosseguir com os estudos e com o projeto” em Santa Luzia (PB). E destacou a “aplicação recorrente de restrições à geração de energia elétrica — curtailment”. “Essas restrições têm impactado de forma significativa o desempenho econômico-financeiro do setor”, acrescentou.
A Rio Energy desistiu de projetos de usinas solares em Bom Jesus da Lapa (BA) por fatos que afetaram a “viabilidade econômica” dos empreendimentos, “notadamente o quadro de curtailment sistêmico”, afirmou em junho.
A empresa espanhola Solatio pediu em janeiro a revogação de dez usinas do complexo Pedra do Reino, em São José do Belmonte (PE). A companhia informou à Aneel que a primeira razão para a desistência era o “curtailment (corte forçado) significativo na região, com impactos diretos na previsibilidade e estabilidade da geração”.
Também em janeiro, a Atiaia solicitou que a Aneel cancelasse o projeto de usinas solares. A empresa desistiu de oito usinas do complexo Nova Sergipe, em Canindé de São Francisco (SE), e apontou o “aumento expressivo” dos cortes de geração para justificar a decisão.
Leia o comunicado do ONS
“A restrição de geração, ou curtailment, é uma realidade estrutural em países com alta participação de renováveis e que precisam realizar a gestão dos excedentes de energia. É um desafio sistêmico, associado ao crescimento acelerado da geração eólica e solar e, cada vez mais, à ocorrência de excedentes de energia em determinados horários.
Para o futuro, entre as iniciativas em desenvolvimento para redução da restrição, destacam-se a perspectiva de utilização de sistemas de armazenamento, capazes de absorver energia em momentos de excedente de geração e devolvê-la ao sistema quando necessário, o fortalecimento contínuo da infraestrutura de transmissão, e a incorporação de novas cargas eletrointensivas, a exemplo dos data centers, que passam a compor de forma crescente a realidade do Sistema Interligado Nacional.”
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