CNN e outros veículos processam Trump após banimento da Casa Branca
Fonte: enfoco.com.br | Data: 21/09/2026 19:06:22
CNN, MS NOW e Politico levaram à Justiça dos Estados Unidos a decisão de Donald Trump de impedir o acesso de jornalistas das três organizações às instalações da Casa Branca. A ação foi apresentada nesta segunda-feira (21), em Washington, e sustenta que a medida viola direitos garantidos pela Primeira Emenda da Constituição americana, que protege a liberdade de expressão e de imprensa.
Os veículos pediram ao tribunal uma ordem temporária para suspender o bloqueio. Uma audiência sobre o pedido está prevista para quarta-feira (23), no Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito de Columbia. O processo foi distribuído ao juiz Timothy Kelly, indicado por Trump em 2017 e que, em 2018, determinou a restauração do credenciamento do então correspondente da CNN Jim Acosta após uma disputa semelhante.
A decisão de barrar os três veículos havia sido anunciada por Trump na sexta-feira (18). Na ocasião, o presidente afirmou que as empresas produziam o que classificou como “fake news” e criticou a cobertura considerada por ele negativa. Nesta segunda, voltou a defender a medida e afirmou, sem apresentar evidências, que a imprensa seria uma ameaça à segurança nacional.
As empresas afirmam que o governo não pode determinar quais veículos terão acesso à sede da Presidência com base no conteúdo de suas reportagens. Em comunicado conjunto, CNN, MS NOW e Politico disseram que a ação judicial busca preservar os direitos previstos na Primeira Emenda e o princípio de que cabe à imprensa decidir o que publicar.
A reportagem procurou a Casa Branca para obter um posicionamento sobre a ação judicial. Não houve resposta até a publicação
Crise atinge cobertura presidencial
O conflito também afetou o sistema de cobertura televisiva da Casa Branca. A CNN integra, ao lado de ABC, CBS, Fox News e NBC, o grupo responsável pelo chamado pool de televisão, que divide entre as cinco redes os custos e a produção de imagens dos compromissos presidenciais.
A CNN estava escalada nesta segunda para acompanhar Trump durante sua viagem a Nova York, onde participa da programação relacionada à Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas. Como a emissora não pôde cumprir a função, as outras quatro redes decidiram suspender a cobertura conjunta do pool presidencial.
Bryan Boughton, responsável pelo escritório da Fox News em Washington e atual presidente do pool, informou que não haveria uma equipe substituta para realizar a cobertura. A decisão ocorreu justamente durante uma semana em que Trump tem encontros previstos com diversos líderes internacionais e deve receber o presidente chinês Xi Jinping em Washington.
Enquanto isso, a rotina na sala de imprensa da Casa Branca continuou nesta segunda. Jornalistas se preparavam para acompanhar a agenda presidencial, incluindo uma cerimônia de inauguração de um novo heliponto para o Marine One, helicóptero utilizado pelo presidente.
A Casa Branca chegou a divulgar sua própria transmissão como alternativa às imagens produzidas pelo pool, mas o áudio da transmissão oficial apresentou problemas e ficou inaudível durante a cerimônia.
Acesso bloqueado
A proibição passou a ser aplicada no sábado (19), quando jornalistas das três organizações foram impedidos de entrar na Casa Branca. Os crachás de imprensa foram recolhidos ou desativados.
A correspondente da CNN Betsy Klein relatou que seu crachá deixou de funcionar ao tentar entrar no complexo presidencial. Segundo ela, um agente do Serviço Secreto informou que a credencial havia sido desativada. A MS NOW também registrou situação semelhante com sua correspondente Akayla Gardner.
O episódio ocorre em um momento de forte disputa entre Trump e veículos de comunicação. Durante seu segundo mandato, o presidente já adotou outras medidas contra organizações de imprensa e jornalistas.
No ano passado, a Associated Press foi retirada do pool de jornalistas que acompanham os deslocamentos presidenciais após a agência não adotar a denominação preferida por Trump para o Golfo do México. A AP também entrou na Justiça contra a decisão.
Durante o primeiro mandato, a Casa Branca tentou retirar as credenciais de Jim Acosta, da CNN, e do jornalista Brian Karem. Em ambos os casos, decisões judiciais determinaram a restauração dos acessos.