Delator do caso Master depõe à PGR e relata repasses a fundo ligado ao filme de Bolsonaro
Fonte: bpmoney.com.br | Data: 23/09/2026 13:41:02
O empresário Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como Mineiro, presta depoimento à Procuradoria-Geral da República (PGR) nesta quarta-feira (23) no âmbito de sua colaboração premiada relacionada ao caso Banco Master.
Segundo o relato atribuído ao delator, ele teria atuado na obtenção de grandes volumes de dinheiro em espécie para Daniel Vorcaro. Ao longo de cerca de dois anos e meio, o montante teria chegado a R$ 1,3 bilhão.
Freixo Junior também afirmou ter realizado sete transferências ao Havengate Development Fund, fundo sediado nos Estados Unidos relacionado ao financiamento de Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro. Apurações anteriores sobre o caso já haviam confirmado a existência dos repasses ao fundo.
Delator relata entregas de dinheiro em malas
De acordo com Freixo Junior, Vorcaro solicitava inicialmente os valores em espécie e, posteriormente, Fabiano Zettel e Augusto Lima passaram a fazer os pedidos.
Os pedidos chegariam por WhatsApp. A partir deles, Mineiro acionava operadores e realizava transferências bancárias para empresas indicadas pelo grupo.
Segundo seu relato, os operadores conseguiam as cédulas por meio de contatos no Brás, região central de São Paulo, e no setor de combustíveis.
Freixo Junior levava então o dinheiro à sede da Entre Investimentos e Participações, no Itaim Bibi, e posteriormente o entregava em malas com valores entre R$ 1 milhão e R$ 1,5 milhão.
Freixo afirma que os operadores recebiam 4% sobre as operações, enquanto ele ficava com 1%. Essas declarações fazem parte da colaboração premiada e ainda dependem de verificação pelas autoridades.
Sete transferências somaram US$ 12,33 milhões
Outra frente da colaboração envolve os pagamentos ao Havengate Development Fund.
Segundo investigações já divulgadas, a Entre Investimentos e Participações realizou sete transferências que somaram cerca de US$ 12,33 milhões em 2025. A PF também apontou que os valores apresentavam semelhança com parcelas previstas para o financiamento do filme Dark Horse.
Freixo afirma que fez os repasses por determinação de Vorcaro e que não sabia qual seria a destinação final dos recursos.
O Havengate, com sede no Texas, atuava no financiamento da produção cinematográfica e tinha entre seus administradores Paulo Calixto, advogado ligado a Eduardo Bolsonaro.
Flávio Bolsonaro nega irregularidades
As investigações também apuram a relação de Flávio Bolsonaro com os repasses destinados ao filme.
Segundo material já revelado pela Polícia Federal, mensagens encontradas no celular de Vorcaro indicaram tratativas relacionadas ao financiamento de Dark Horse. Flávio afirma que os valores foram destinados à produção do longa e nega qualquer irregularidade.
A homologação da colaboração premiada não comprova as afirmações do delator. Os investigadores precisam confrontar os relatos com documentos, mensagens, movimentações financeiras e outros elementos de prova.
Mendonça homologou acordo de colaboração
Freixo Junior firmou o acordo com a PGR em agosto, que posteriormente o submeteu ao Supremo Tribunal Federal.
O ministro André Mendonça, relator de investigações relacionadas ao caso Master, homologou a colaboração em setembro. Antes disso, o empresário participou de audiência destinada a verificar a voluntariedade e a regularidade do acordo.
A expectativa descrita no material é que o empresário participe de várias sessões para detalhar os fatos apresentados nos anexos e entregar documentos que possam sustentar suas declarações.
A defesa de Daniel Vorcaro pediu acesso ao procedimento e questionou a validade da homologação.