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Fachin enfrenta impasse sobre casos do Master e calcula decisões em meio à crise no STF

Fonte: oglobo.globo.com | Data: 24/09/2026 04:45:02

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Presidente da Corte concentrou processos sem assumir relatorias e agora precisa definir destino de investigações, pedidos das defesas e solicitação de Mendonça sobre inquérito das fake news

Ministro Edson Fachin na sessão extraordinária para julgamento sobre as mensagens enviadas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, ao ministro da Corte Alexandre de Moraes, realizada no Supremo Tribunal Federal (STF)
Ministro Edson Fachin na sessão extraordinária para julgamento sobre as mensagens enviadas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, ao ministro da Corte Alexandre de Moraes, realizada no Supremo Tribunal Federal (STF) — Foto: Rosinei Coutinho/STF

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, enfrenta um impasse para definir o destino das investigações relacionadas ao Master e às fraudes no INSS, que chegaram às suas mãos em meio à crise aberta entre ministros da Corte. Ao concentrar os processos na presidência sem assumir formalmente as relatorias, Fachin passou também a receber pedidos das defesas, enquanto busca uma solução para os casos sem aprofundar as divisões internas do tribunal.

A situação ganhou uma nova camada de pressão depois que o ministro André Mendonça pediu acesso ao inquérito das fake news, conduzido pelo ministro Alexandre de Moraes. O requerimento obriga Fachin a tomar uma decisão sobre mais um ponto sensível da disputa entre os dois ministros.

Até agora, Fachin não deu uma solução definitiva para o destino das investigações que estavam sob responsabilidade de Mendonça. A falta de uma definição começa a ter efeitos práticos, uma vez que com os processos estão na presidência, e advogados passaram a direcionar ao presidente do STF pedidos relacionados aos casos, inclusive solicitações envolvendo a liberdade de investigados.

Um caminho é o próprio presidente assumir as relatorias dos processos. A medida permitiria destravar a análise dos pedidos que estão chegando à e concentraria em Fachin a condução das investigações. O movimento, contudo, significaria retirar de Mendonça, na prática, o comando de casos que estavam sob sua responsabilidade, uma decisão com potencial para abrir uma nova frente de atrito no tribunal.

Outra saída é devolver os processos ou encaminhar a Mendonça ao menos as demandas urgentes apresentadas pelas defesas. Nesse cenário, porém, Fachin teria de administrar a contradição de manter o ministro tomando decisões nos casos enquanto a própria Corte ainda discute questionamentos relacionados à sua atuação na condução das investigações.

Há ainda uma discussão sobre a possibilidade de redistribuição dos processos, hipótese que também exigiria estabelecer quais casos seriam alcançados e quais critérios justificariam a mudança de relatoria.

A nova demanda apresentada por Mendonça adicionou outro componente ao impasse. O ministro pediu a Fachin acesso ao inquérito das fake news, aberto em 2019 e atualmente sob relatoria de Moraes. O procedimento foi utilizado ao longo dos últimos anos como base para diferentes investigações conduzidas pelo ministro.

Fachin terá, portanto, de decidir se permite o acesso solicitado por Mendonça. Autorizar a consulta pode fornecer ao ministro elementos que ele considera necessários para sua defesa e para os questionamentos que vem fazendo sobre a atuação de Moraes. Uma negativa, por outro lado, tende a alimentar uma nova disputa processual sobre as informações às quais Mendonça pode ter acesso.

Ao calcular cada movimento, Fachin tenta encontrar uma saída para uma crise que já ultrapassou a discussão sobre um processo específico.

Desde que o embate veio a público, o presidente tem feito rodadas de conversas individuais com ministros e ouvido diferentes avaliações sobre a condução dos casos.

Como mostrou O GLOBO, a condução de Fachin passou a ser alvo de críticas internas no Supremo, e ministros de diferentes alas têm cobrado do presidente maior articulação e diálogo com os colegas na busca por uma saída para a crise.

A avaliação é que decisões tomadas sem uma construção prévia dentro do tribunal contribuíram para ampliar as divergências e dificultaram a formação de uma solução capaz de reunir diferentes grupos da Corte.

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