Delator do caso Master depõe na PGR e confirma repasses ao fundo Havengate
Fonte: 8mn.com.br | Data: 24/09/2026 05:13:09
O empresário Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como Mineiro, prestou depoimento à Procuradoria-Geral da República nesta quarta-feira, 23 de setembro. Ele é o delator que, segundo os investigadores, tinha a função de “gerar” dinheiro vivo para Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e confirmou ter feito sete repasses ao fundo Havengate, administrado pelo advogado de Eduardo Bolsonaro, Paulo Calixto.
Operação movimentou R$ 1,3 bilhão em espécie
Em cerca de dois anos e meio, Freixo Junior teria organizado para Vorcaro um total de R$ 1,3 bilhão em cédulas, entregues em malas de R$ 1 milhão a R$ 1,5 milhão ao banqueiro e sua equipe. O delator afirma que os valores eram usados para pagar pessoas indicadas por Vorcaro.
Repasses ao fundo que financiou a cinebiografia de Bolsonaro
Os sete repasses foram feitos a partir da Entre Investimentos e Participações, empresa de propriedade de Freixo Junior, para o Havengate Development Fund, sediado no Texas e utilizado para financiar “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro (PL). As transferências, realizadas por meio de “subscrição de cotas” entre janeiro e setembro de 2025, somaram US$ 12,333 milhões. A informação foi revelada no início de setembro pelo blog da jornalista Andrea Sadi.
Acordo foi negociado antes da divulgação do áudio
A colaboração premiada foi assinada na PGR em 8 de agosto e já era negociada há cerca de quatro meses, antes da publicação do áudio em que Flávio Bolsonaro cobra de Vorcaro os repasses destinados ao custeio do filme. O ministro André Mendonça, relator do caso Master no STF, homologou a delação em 9 de setembro, em decisão sob sigilo. A expectativa é de que o delator precise de três a quatro sessões para gravar todos os relatos.
Logística envolvia operadores e contatos no Brás
Os pedidos chegavam por WhatsApp, inicialmente de Vorcaro e depois de Zettel e de Augusto Lima, ex-sócio do banqueiro. Freixo Junior acionava operadores, também pelo aplicativo, que faziam transferências bancárias para empresas indicadas. Uma delas era uma distribuidora de combustíveis que, segundo o delator, já apareceu na Operação Carbono Oculto. Os operadores obtinham as cédulas com contatos no Brás, no centro de São Paulo, e no setor de combustíveis, e levavam o dinheiro à sede da Entre, na rua Iguatemi, no Itaim Bibi.