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ENGIE Day 2026 coloca flexibilidade, armazenamento e digitalização no centro da estratégia da ENGIE Brasil

Fonte: hub.ind.br | Data: 25/09/2026 13:37:06

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Realizado em São Paulo, o ENGIE Day 2026, em 23 de setembro, reuniu investidores e parceiros estratégicos para discutir a evolução da ENGIE Brasil diante das mudanças estruturais do setor elétrico. A apresentação da companhia, divulgada à B3 em 17 de setembro, mostra uma estratégia que vai além da expansão da geração renovável e incorpora **geração despachável, transmissão, transporte de gás, armazenamento de energia e digitalização** como componentes de uma plataforma de infraestrutura energética mais flexível.

Segundo Eduardo Sattamini, CEO da ENGIE Brasil, a companhia mantém uma perspectiva de investimento de longo prazo e vem ampliando um portfólio que combina **geração, transmissão, comercialização e transporte de gás**. Entre os temas apresentados no ENGIE Day estão a expansão da geração despachável e os estudos para entrada no mercado de baterias. A questão técnica por trás desse movimento é a crescente necessidade de flexibilidade de um sistema elétrico com participação elevada de fontes variáveis: armazenamento e geração controlável podem atuar na administração dos intervalos entre oferta e demanda, enquanto transmissão e gestão de energia ampliam a capacidade de utilização dos ativos existentes.

A digitalização aparece como outro vetor dessa estratégia. A ENGIE destacou no evento o uso de **dados e inteligência artificial nas operações**, indicando que a evolução dos ativos passa também pela capacidade de extrair mais desempenho da infraestrutura instalada. Essa abordagem ganha relevância quando associada à expansão renovável: em agosto, a companhia informou que o complexo solar **Assú Sol**, no Rio Grande do Norte, com 752 MWac, havia se tornado o maior empreendimento fotovoltaico operacional do portfólio global da ENGIE. A empresa também avalia soluções de armazenamento associadas ao complexo, enquanto analisa alternativas para ampliar o valor econômico da energia produzida.

O movimento acompanha uma transformação mais ampla da ENGIE. Globalmente, o grupo informou em setembro ter ultrapassado **10 GW de capacidade de armazenamento em operação e construção**, combinando baterias e usinas hidrelétricas reversíveis. No Brasil, a discussão ganha características próprias: a combinação de uma matriz elétrica predominantemente renovável com expansão eólica e solar aumenta a importância de recursos capazes de deslocar energia no tempo, responder rapidamente às condições do sistema e melhorar a utilização da infraestrutura de transmissão.

Outro elemento relevante é a presença do gás natural na plataforma brasileira. A ENGIE Brasil já atua no transporte de gás por meio da TAG, ao lado de suas atividades de geração, comercialização e transmissão de eletricidade. Assim, a estratégia apresentada no ENGIE Day não trata a transição energética como simples substituição tecnológica de uma fonte por outra, mas como uma reorganização da infraestrutura necessária para operar um sistema com diferentes tecnologias, perfis de produção e necessidades de flexibilidade.

O resultado é uma agenda na qual renováveis, transmissão, gás, armazenamento, geração despachável, dados e inteligência artificial passam a ser tratados como elementos complementares. Para a indústria elétrica, a questão central deixa de ser somente quanto de nova capacidade será instalada e passa a envolver também como essa capacidade será integrada, controlada e utilizada ao longo do ciclo operacional dos ativos.

Especialistas apontam saídas para complexidade do setor elétrico

A complexidade do setor elétrico e a necessidade de ajustes estratégicos foram os temas centrais do painel sobre geração de energia no ENGIE Day, em São Paulo, evento voltado para investidores e parceiros. Mediada pela diretora de Marketing e Comunicação da empresa, Michele Schifino, a discussão contou com a participação do diretor de Energias Renováveis e Armazenamento, Guilherme Ferrari; do diretor de Regulação e Estratégia, Gabriel Mann; e do diretor de Gestão e Comercialização de Energia, Marcos Keller.

Para os três debatedores, o mercado elétrico enfrenta hoje uma dinâmica complexa, diferente do cenário anterior, que era impulsionado pelo crescimento bruto da carga e pelos leilões centralizados. De acordo com eles, a transição marcada pela entrada maciça de usinas eólicas e solares centralizadas e, sobretudo, pela expansão acelerada da micro e minigeração distribuída (MMGD), transformou a arquitetura do sistema elétrico nacional.

Se, por um lado, novos vetores de demanda como data centers, eletrificação industrial e digitalização prometem sustentar o consumo futuro, por outro, os executivos enfatizaram que a expansão da demanda não significa uma necessidade automática de ampliação indiscriminada da oferta. O trio de especialistas reforçou que os verdadeiros ativos de valor no sistema elétrico atual são a flexibilidade operacional e a capacidade de entrega no momento e local exatos.

Transparência das decisões do ONS

Entre os desafios operacionais abordados, o curtailment foi destacado como o principal obstáculo para a rentabilidade dos projetos de energia renovável no Brasil. O fenômeno, que no passado estava mais associado a limitações elétricas pontuais de transmissão, passou a refletir também restrições energéticas de caráter sistêmico.

Essa situação foi agravada principalmente pela concessão indiscriminada de subsídios à geração solar distribuída. Como resultado, empreendimentos no setor chegam a registrar perdas de 50% a 60% de sua geração potencial, inviabilizando planos de negócios convencionais.

No âmbito regulatório, a discussão abrange o ressarcimento dos prejuízos passados via termo de compromisso (Lei 15.269/2025) e os cortes futuros.

No radar dos diretores da ENGIE, estão a necessidade de regulamentação dos temas da consulta pública 45, que deve incluir a compensação pelo vertimento turbinável das usinas hidrelétricas, e da Resolução Normativa 1030 da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), voltada a dar transparência e previsibilidade às decisões operacionais do ONS.

Ambiente regulatório precisa ser estável

Todos os diretores concordaram que simplesmente expandir o consumo ou a capacidade instalada não é suficiente para gerar valor sem um ambiente regulatório estável e sinais de preço que compensem adequadamente os atributos de cada fonte de energia, tais como capacidade, flexibilidade, localização e perfil horário de geração.