Crise dos Correios continua após greve terminar com reajuste salarial de 4,09%
Fonte: economicnewsbrasil.com.br | Data: 25/09/2026 14:09:45
A greve dos Correios terminou após 15 dias, mas a estatal retoma as operações em meio à reestruturação e após prejuízo de R$ 2,39 bilhões no segundo trimestre.
O fim de 15 dias de greve encerra uma frente de conflito nos Correios. No entanto, encontra a estatal diante de outro desafio: sua reestruturação financeira. Os trabalhadores começaram a retornar às atividades às 22h desta quinta-feira (24), após decisão do Tribunal Superior do Trabalho (TST). Enquanto isso, a companhia vem de prejuízo líquido de R$ 2,39 bilhões no segundo trimestre de 2026.
O resultado negativo foi 24,4% menor que os R$ 3,16 bilhões registrados no primeiro trimestre. No mesmo intervalo, a receita líquida passou de R$ 3,86 bilhões para R$ 4,01 bilhões, alta de 3,8%, segundo os Correios.
A comparação trimestral, porém, conta apenas parte da história. No primeiro semestre de 2026, os Correios acumularam prejuízo líquido de R$ 5,55 bilhões. Esse valor é 30,36% acima do resultado negativo de R$ 4,26 bilhões registrado no mesmo período de 2025.
É nesse cenário que a empresa volta à rotina depois da paralisação iniciada em 10 de setembro. Não há base nos dados disponíveis para atribuir o resultado financeiro à greve. O balanço é anterior ao movimento e serve para dimensionar a condição financeira em que ocorre a retomada.
As contas negativas convivem com uma evolução em um dos indicadores operacionais divulgados pela própria estatal. Em janeiro, 67,66% das encomendas não urgentes, sem valor declarado, foram entregues dentro do prazo de até nove dias úteis. Em agosto, último mês completo antes da greve, o percentual chegou a 96,84%.
A meta anual dos Correios para esse indicador é de 90,56%. Isso significa que o índice de agosto estava acima da meta estabelecida para 2026. O desempenho não representa, por si só, recuperação financeira, mas revela que resultado econômico e um indicador de entregas seguiram trajetórias distintas no período.
Ao divulgar os resultados do segundo trimestre, os Correios informaram que o plano de reestruturação tem entre suas prioridades a recuperação sustentável das receitas. Outras prioridades são a eficiência operacional, a revisão de despesas e contratos e a modernização do modelo de negócios.
R$ 6 bilhões aparecem no horizonte de 2027
A reestruturação também envolve recursos de outra dimensão. O governo prevê R$ 6 bilhões para os Correios em 2027, segundo informação publicada pela Agência Brasil em 31 de agosto.
A previsão está relacionada às condições do empréstimo de R$ 12 bilhões contratado pela companhia com cinco bancos em dezembro de 2025 e garantido pela União. A inclusão no Orçamento não representa uma transferência imediata. O contrato estabelece que o recurso precisa estar disponível até o fim de 2027.
TST rejeita pedido dos Correios sobre greve
No julgamento do dissídio coletivo, o TST decidiu por maioria que a greve não foi abusiva, contrariando o pedido dos Correios. O tribunal autorizou a compensação dos dias parados e determinou o retorno dos trabalhadores.
A decisão estabeleceu ainda reajuste salarial de 4,09% e, segundo o Sindicato dos Trabalhadores dos Correios de São Paulo (Sintect-SP), manteve 73 cláusulas do Acordo Coletivo de Trabalho. Entretanto, os critérios completos para a compensação ainda dependiam da publicação do acórdão.
O principal ponto de divergência que levou à paralisação foi o plano de saúde. Os trabalhadores defendiam a manutenção do modelo em que os Correios atuam como mantenedores do benefício. Enquanto isso, a discussão sobre a redação definida pelo TST ainda dependia da íntegra da decisão.
Com o retorno ao trabalho, a paralisação termina. Contudo, a crise dos Correios permanece ligada a uma questão que a própria empresa colocou entre as prioridades da reestruturação: recuperar receitas e reorganizar despesas. A evolução de um indicador de entregas antes da greve mostra que o desafio não se resume à operação. Nas contas, o primeiro semestre de 2026 ainda terminou com prejuízo líquido superior ao registrado no mesmo período de 2025.

