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Farmácias ampliam queda na bolsa após avanço do Mercado Livre em remédios com receita

Fonte: exame.com | Data: 25/09/2026 13:49:07

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RESUMO +

As ações das redes de farmácias RD Saúde, Pague Menos e Panvel ampliam as perdas nesta sexta-feira, 25, após o Mercado Livre, plataforma de comércio eletrônico, iniciar a venda de medicamentos com receita em São Paulo. Às 13h30, RD Saúde caía 1,63%, Pague Menos recuava 0,87% e Panvel perdia 0,49%. Analistas apontam disputa pelo cliente digital.

As ações das redes de farmácias ampliam as perdas nesta sexta-feira, 25, um dia após o anúncio do Mercado Livre de que passará a vender medicamentos com receita médica. O movimento ocorre mesmo com o Ibovespa praticamente estável, sinalizando que o setor continua sob pressão após a novidade.

Por volta das 13h30, quando o principal índice acionário da B3 registrava ligeira queda e 0,02%, aos 183.986 pontos, a RD Saúde (RADL3) recua 1,63% e está entre as oito únicas ações do Ibovespa no campo negativo. A Panvel (PNVL3) cai 0,49%, enquanto Pague Menos (PGMN3) perde 0,87% no mesmo horário.

Na véspera, os papéis haviam despencado. a RD Saúde caiu 5,38%, Pague Menos recuou 8% e Panvel perdeu 4,90%.

O anúncio do Mercado Livre adicionou uma nova frente de competição para as redes tradicionais. A companhia começou nesta sexta-feira a vender medicamentos sob prescrição em São Paulo, incluindo antibióticos e medicamentos da classe GLP-1, como o Ozempic. Para concluir a compra, o consumidor envia a receita, que é analisada por um farmacêutico da operação.

Além da venda própria, o Mercado Livre pretende levar farmácias tradicionais para dentro de seu marketplace pelo modelo 3P, no qual os parceiros fazem a venda ao consumidor enquanto utilizam a infraestrutura digital e logística da plataforma. A companhia espera começar as primeiras integrações em outubro na região metropolitana de São Paulo.

Disputa pelo cliente digital

A reação negativa das ações reflete o receio dos investidores de que grandes plataformas digitais passem a disputar não apenas a venda dos medicamentos, mas também o relacionamento das farmácias com seus clientes.

Relatórios de XP Investimentos, Safra e BTG Pactual avaliam, porém, que a entrada do Mercado Livre não representa, neste momento, uma substituição das lojas físicas. A leitura predominante é de que a disputa tende a ocorrer primeiro pelo canal digital e pela aquisição do consumidor.

O BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME) avalia que o avanço do comércio eletrônico no setor tem representado mais uma migração de canais do que uma desintermediação completa das redes.

A RD Saúde, por exemplo, registrou R$ 3,9 bilhões em vendas digitais no segundo trimestre de 2026, equivalentes a 31% da receita de varejo. Cerca de 83% desse volume veio do aplicativo próprio da companhia.

A escala física também continua sendo um diferencial para as redes. Segundo o banco, cerca de 96% dos pedidos digitais da RD são entregues ou retirados em até 60 minutos, apoiados por uma rede de aproximadamente 3.700 lojas.

Nesse cenário, o principal risco apontado pelos analistas não é o desaparecimento das farmácias físicas, mas a possibilidade de as redes perderem parte do tráfego digital e da relação direta com o consumidor para plataformas como o Mercado Livre.

O Safra tem avaliação semelhante e considera que o marketplace pode funcionar como um canal adicional de aquisição de clientes. Para as grandes redes, o modelo 3P pode inclusive ampliar o alcance digital, já que elas continuam responsáveis pela venda e dispensação dos medicamentos.

Farmácias questionam Anvisa sobre legalidade de venda

Após o anúncio do Meli, ainda na noite de ontem, a Associação Brasileira de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) informou que questionará a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sobre a legalidade da operação.

Para a entidade, a comercialização de medicamentos por marketplaces continua vedada enquanto não for concluída a regulamentação em discussão na Anvisa. A associação afirma que a venda anunciada pelo Mercado Livre, inclusive de produtos sujeitos à prescrição médica e à retenção de receita, não estaria de acordo com a legislação vigente.

A Abrafarma cita um comunicado da própria Anvisa, de 10 de agosto, segundo o qual a revogação de resoluções da vigilância sanitária “não implica em autorização automática de comercialização de produtos farmacêuticos”. Segundo a agência, a aplicação da nova lei depende de regulamentação ainda a ser editada.

“A venda anunciada de remédios por meio da plataforma, inclusive com receita, fere a legislação”, afirmou a Abrafarma em comunicado à inprensa.

Venda de medicamento com receita no Meli

O Mercado Livre anunciou nesta quinta que começará a vender medicamentos com receita em São Paulo, incluindo antibióticos e canetas para emagrecimento como Ozempic.

O anúncio foi feito durante a 10ª edição do Meli Experience, evento do Mercado Livre realizado nesta quinta-feira, em São Paulo. A partir de amanhã, consumidores poderão enviar a receita médica para análise de um farmacêutico da própria operação antes da liberação da compra.

“Pessoas que entram no Meli buscam de tudo, e percebemos que havia muita busca também por remédios. Além disso, a taxa de conversão de medicamentos é muito maior quando comparada aos demais produtos”, afirmou Fernando Yunes, CEO do Mercado Livre no Brasil.

‘Perguntas frequentes’

Por que as ações de farmácias caíram após o anúncio do Mercado Livre? +

As ações caíram diante do receio de que o Mercado Livre dispute o canal digital e o relacionamento das redes de farmácias com os clientes. Nesta sexta-feira, 25, RD Saúde recuava 1,63%, Pague Menos perdia 0,87% e Panvel caía 0,49% por volta das 13h30.

Quais medicamentos com receita o Mercado Livre passou a vender? +

O Mercado Livre passou a vender em São Paulo antibióticos e medicamentos da classe GLP-1, como o Ozempic. Para concluir a compra, o consumidor envia a receita, que passa pela análise de um farmacêutico da operação.

O Mercado Livre pode substituir as lojas físicas de farmácias? +

O Mercado Livre não deve substituir as lojas físicas neste momento, segundo relatórios de XP Investimentos, Safra e BTG Pactual. Para o BTG, o avanço do comércio eletrônico no setor representa mais uma migração de canais do que uma desintermediação completa das redes.

Como funcionará a entrada de farmácias no marketplace do Mercado Livre? +

As farmácias poderão vender pelo modelo 3P, no qual os parceiros atendem o consumidor e usam a infraestrutura digital e logística do Mercado Livre. A plataforma espera iniciar as primeiras integrações em outubro na região metropolitana de São Paulo.

Por que a Abrafarma questionará a Anvisa sobre a venda de medicamentos? +

A Abrafarma afirma que a venda de medicamentos por marketplaces continua vedada enquanto a Anvisa não concluir a regulamentação do setor. Segundo a associação, a operação anunciada pelo Mercado Livre, inclusive com produtos sujeitos a prescrição e retenção de receita, não estaria de acordo com a legislação vigente.

Qual é a força do canal digital da RD Saúde? +

A RD Saúde registrou R$ 3,9 bilhões em vendas digitais no segundo trimestre de 2026, equivalentes a 31% da receita de varejo, com 83% desse volume originado no aplicativo próprio. Segundo o BTG Pactual, cerca de 96% dos pedidos digitais da rede são entregues ou retirados em até 60 minutos.