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Não sei o que eu não sei’: sócio da Servtec Energia sai da técnica e estuda filosofia aos 70 anos

Fonte: exame.com | Data: 25/09/2026 15:59:05

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Depois de quase cinco décadas dedicadas a caldeiras, usinas e projetos de geração de energia, Reginaldo Vinha decidiu estudar algo que nunca tinha entrado em sua formação técnica: filosofia, neurociência e história do Brasil. 

Sócio-diretor da Servtec Energia e engenheiro mecânico formado há 45 anos pela Faculdade de Engenharia de Guaratinguetá, ele é aluno da turma 10 do SEER, o Programa Avançado para CEOs, Conselheiros e Acionistas da Saint Paul Escola de Negócios.

A decisão chegou num momento de virada de carreira. Aos 70 anos, Vinha começa a reduzir sua atuação como executivo para se dedicar a conselhos e a um projeto de assessoria em inteligência artificial voltado à indústria, setor que conhece de dentro desde os tempos de trainee na Companhia Siderúrgica Paulista (Cosipa), onde chegou a liderar mais de mil funcionários na área de energia e utilidades.

Uma lacuna que a engenharia não preenchia

O convite para o SEER veio de uma apresentação sobre o programa, com depoimentos de outros alunos. Foi ali que Vinha percebeu uma lacuna na própria formação.

“Essa é uma área que eu não sei absolutamente nada, ciência, filosofia, psicologia”, diz Vinha sobre o momento em que decidiu se inscrever. A aposta, segundo ele, tinha um endereço certo: a gestão de pessoas, competência que passa a valer mais quanto mais alto se sobe na hierarquia de uma empresa, e ainda mais em um conselho.

O SEER tem 124 horas de carga horária, aulas mensais às quintas e sextas, na unidade Consolação da Saint Paul, em São Paulo, com transmissão ao vivo para quem opta pelo formato online. 

O programa é estruturado em quatro módulos, que vão de “Perspectivas do Humano e sua percepção do mundo” até “Ser humano, passado, presente e futuro”, passando por tomada de decisão individual e colegiada. A direção é de Maria Silvia Costa, executiva com mais de duas décadas em comunicação e reputação, com passagens por Santander e BankBoston.

Ouro Preto e as raízes da sociedade brasileira

Entre os quatro módulos, um se destacou para Vinha: a imersão em Ouro Preto, cidade histórica de Minas Gerais que foi centro do Ciclo do Ouro no século 18 e é hoje Patrimônio Histórico da Humanidade pela Unesco. O tema da aula é a brasilidade.

“Você vê de fato a importância, a contribuição que os escravos tiveram na formação da cultura, da sociedade brasileira, uma coisa que não é de conhecimento geral, a gente não aprende isso na escola de uma maneira”, diz Vinha.

Leitor de “Casa-Grande & Senzala”, de Gilberto Freyre, ele descreve a experiência de estar fisicamente onde a história aconteceu como um contraponto à leitura: “Faz uma conexão perfeita de onde nós estamos, de onde é que veio, como é que formou o povo brasileiro, a nossa sociedade, as dívidas que a gente tem no Brasil.”

O que muda na cabeça de quem decide

Se Ouro Preto trouxe a dimensão histórica, o maior aprendizado do curso, segundo Vinha, veio da neurociência. Entender os mecanismos cerebrais por trás de uma decisão, diz ele, muda a forma como um executivo lida com os próprios vieses e com o outro lado de uma negociação.

“Você começa a prestar atenção em aspectos que você não prestava, os vieses, a tua formação, a tua história, quando você vai discutir com alguém, conversar com alguém, até vender uma ideia para alguém”, diz Vinha. 

Ele resume o efeito citando o professor José Roberto Securato, um dos nomes à frente do programa: 

“A gente, como diz o Securato, imagina que eu entrei assim, não sei o que eu não sei, e agora eu sei o que eu não sei”

Reginaldo Vinha, sócio da Servtec Energia

É essa mudança de percepção, mais do que qualquer conteúdo técnico, que Vinha carrega para a próxima fase da carreira, entre conselhos de administração e um negócio de consultoria em inteligência artificial para a indústria. 

Depois de 45 anos decidindo sobre megawatts, ele diz ter aprendido a decidir sobre si mesmo.

A trajetória de Vinha ilustra um movimento que ganha força entre executivos seniores: o de buscar, fora da técnica, ferramentas para decidir melhor em conselhos e comitês. O SEER, da Saint Paul Escola de Negócios, é a formação que reúne neurociência, filosofia e imersões como a de Ouro Preto para preparar CEOs, conselheiros e acionistas para esse tipo de decisão. Conheça a grade do programa


O que é o SEER, da Saint Paul?

O SEER é o Programa Avançado para CEOs, Conselheiros e Acionistas da Saint Paul Escola de Negócios. A formação é dedicada à tomada de decisão em ambientes complexos e conecta estratégia, contexto e diferentes perspectivas de liderança.

Para quem o SEER é indicado?

O programa é voltado a CEOs, conselheiros, acionistas e líderes que atuam em contextos de alta complexidade. O nível é avançado, para C-levels e conselheiros.

Como funciona a imersão em Ouro Preto?

A imersão em Ouro Preto é o terceiro módulo do programa. A proposta é usar a história e a cultura brasileira como lente para a liderança, tratando como ativos características que por muito tempo foram vistas como defeitos nacionais.

Quais temas o SEER aborda?

O programa tem quatro módulos: perspectivas do humano e sua percepção do mundo, tomada de decisão individual e colegiada, imersão em Ouro Preto e ser humano no passado, presente e futuro. A grade integra filosofia, arte, neurociência, governança e inteligência artificial.

Como funcionam as aulas do SEER?

São 124 horas de formação, com aulas mensais às quintas e sextas-feiras, das 8h às 18h. As aulas são presenciais na unidade Consolação, em São Paulo, com transmissão ao vivo online.

Como é o processo de admissão no SEER?

A seleção começa pela aplicação com currículo e LinkedIn, seguida de avaliação curricular pelo comitê acadêmico da Saint Paul. Depois vem uma conversa individual com a diretora do programa, Maria Silvia Costa, que ocupou posições de alta liderança no Santander e no BankBoston. É preciso ter ensino superior completo e inglês para compreensão oral, escrita e interação.