As confederações sindicais que representam os empregados da Caixa Econômica Federal estão intensificando seus esforços para retomar as negociações e encerrar a greve que afeta o banco, mesmo antes do julgamento do dissídio coletivo agendado para a próxima segunda-feira. A presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf), Juvandia Moreira, expressou sua preocupação quanto à decisão da Caixa de levar a situação à instância superior, ressaltando que a última vez que isso ocorreu foi em 2004. Em sua declaração, Juvandia enfatizou a importância da negociação como um meio eficaz de resolver conflitos, uma prática que se estende por três décadas na entidade.

A Contraf, que tem vinculação à Central Única dos Trabalhadores (CUT), é a maior organização de representação do setor financeiro no Brasil, integrada por 8 federações e 104 sindicatos. O presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Empresas de Crédito (Contec), Lorenço Prado, corroborou a urgência da situação, apontando que a greve que começou em 10 de setembro já se arrasta há 18 dias. Prado, que representa a Contec, associada à União Geral dos Trabalhadores (UGT), compartilha a visão de que um acordo ainda é possível antes do julgamento.

Os trabalhadores da Caixa, até o momento, optaram por manter a paralisação, mas os sindicalistas acreditam que a continuidade dessa estratégia pode não ser benéfica. As negociações têm como um dos principais pontos de impasse o plano de saúde, onde os trabalhadores enfrentam uma proposta que, segundo Juvandia, implicaria em um déficit de R$ 749 milhões, com a direção do banco sugerindo que os funcionários assumam parte desse custo.

Adicionalmente, Juvandia destacou a insatisfação dos trabalhadores com recentes mudanças implementadas pela administração do banco, que ocorreram sem consulta prévia aos sindicatos. As medidas incluíram ajustes nas recompensas por metas, alterações no modelo de atendimento e o aumento das contribuições para o plano de saúde. Os sindicalistas argumentam que a Caixa deve assumir 70% das despesas relacionadas a esse plano, cabendo aos trabalhadores o restante.

Em um desdobramento relacionado à greve, o ministro do Tribunal Superior do Trabalho, Maurício Godinho Delgado, determinou que pelo menos 60% dos trabalhadores devam permanecer em atividade, sob pena de multa de R$ 100 mil por diárias de descumprimento. Essa decisão foi parcialmente atendida em resposta a um apelo da Caixa, que inicialmente solicitou a manutenção de 80% do quadro funcional ativo. Contudo, o ministro também rejeitou o pedido da Caixa para proibir ações que dificultassem o acesso às agências, reafirmando a necessidade de que a greve ocorra de maneira pacífica.

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