Caso Master: Delator liga PCC a Vorcaro e a filme de Bolsonaro
Fonte: bncamazonas.com.br | Data: 25/09/2026 18:45:00
O empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, delator do caso envolvendo o Banco Master, tornou-se alvo de uma nova investigação que apura suspeitas de lavagem de dinheiro relacionadas ao setor de combustíveis e a grupos associados ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Freixo foi alvo de mandados de busca e apreensão nesta quinta-feira (24/9), durante a terceira fase da Operação Carbono Oculto, batizada de Operação Crédito Oculto.
A ação é conduzida pelo Ministério Público de São Paulo, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), em conjunto com outros órgãos.
A investigação passou a examinar a atuação da Entre Investimentos, empresa de Freixo, em operações envolvendo empresas do setor sucroalcooleiro.
Segundo as apurações, o empresário teria atuado em estruturas financeiras relacionadas a Roberto Augusto Leme, conhecido como “Beto Louco”, e Mouhamad Murad, o “Primo”, ligados às distribuidoras de combustíveis Copape e Aster.
Relação com o caso Master
Freixo também está no centro das investigações envolvendo o Banco Master, comandado por Daniel Vorcaro.
O empresário firmou acordo de colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR), posteriormente homologado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Na delação, segundo reportagens sobre o conteúdo do acordo, Freixo relatou ter realizado operações financeiras a pedido de Vorcaro.
Entre elas estão sete transferências para o fundo norte-americano Havengate Development Fund, que recebeu recursos destinados ao financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Os repasses somariam pouco mais de US$ 12 milhões.
O empresário também relatou aos investigadores que atuava na obtenção e movimentação de dinheiro em espécie para integrantes da estrutura financeira de Vorcaro.
De acordo com informações divulgadas sobre a delação, ele afirmou ter movimentado cerca de R$ 1,3 bilhão entre 2020 e 2025.
Investigação sobre combustíveis
Na Operação Crédito Oculto, a atuação de Freixo passou a ser analisada também em relação a negócios envolvendo o setor de combustíveis.
A investigação apura suspeitas de lavagem de dinheiro e de utilização de estruturas empresariais para ocultar a origem e o destino de recursos.
As apurações apontam ainda para relações entre negócios investigados no setor sucroalcooleiro e operações financeiras atribuídas ao esquema do Banco Master.
A conexão entre os casos está sendo analisada pelos investigadores a partir de operações envolvendo direitos creditórios e precatórios relacionados a usinas e destilarias.
A investigação não significa, por si só, condenação dos envolvidos. As suspeitas ainda são objeto de apuração pelas autoridades responsáveis pela operação.
Além de Freixo, a nova fase da Carbono Oculto alcançou outros investigados e cumpriu mandados em diferentes estados. O objetivo é aprofundar a apuração sobre a circulação de recursos e possíveis mecanismos utilizados para ocultar valores provenientes de atividades sob investigação.
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Foto: Reprodução redes sociais