Boeing 737 com 171 passageiros pousou em emergência com combustível para apenas 2 minutos de operação: ‘MayDay Fuel’
Fonte: ndmais.com.br | Data: 25/09/2026 22:50:23
Avião transportava 121 passageiros durante crise de pouso.Foto: Divulgação/ND Mais
Um grave incidente envolvendo um Boeing 737 está sob investigação após a tripulação não conseguir pousar com mais de 170 passageiros a bordo em meio a tempestade no ano passado. Relatório aponta que pouso de emergência ocorreu com baixo índice de combustível da aeronave.
De acordo com o boletim de investigação da Agência de Investigação de Acidentes Aéreos (AAIB), divulgado na quinta-feira (24), a aeronave pousou no Aeroporto de Manchester em 3 de outubro de 2025 com apenas 363 kg de combustível nos tanques — volume significativamente inferior à reserva final obrigatória de 1.101 kg.
A bordo do Boeing 737 estavam 171 passageiros e 6 tripulantes, que partiram de Pisa, na Itália, com destino ao Aeroporto de Glasgow Prestwick, na Escócia.
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Ninguém ficou ferido, mas a sequência de três manobras de emergência para recuperar o controle em meio à rajadas de vento, e uma recusa indevida de pouso, colocaram o voo em situação crítica no ar.
Tempestade Amy impactou operação do Boeing 737
No dia do incidente, a Tempestade Amy atingia a Escócia e o norte da Inglaterra com ventos com força de vendaval e frentes de chuva intensa.
O relatório da agência de investigação aponta que a equipe estava ciente da previsão adversa. O comandante, de 33 anos, e o copiloto realizaram um planejamento conservador antes da decolagem na Itália, segundo o documento.
A tripulação abasteceu a aeronave com um total de 11.500 kg de combustível no plano operacional, incluindo 1.937 kg de combustível discricionário que garantiam cerca de 1 hora e 12 minutos extras de autonomia.
O volume adicional só não foi maior porque o forte vento de través em Prestwick inviabilizava o uso da pista mais longa (Pista 30), exigindo o pouso na pista mais curta (Pista 20), o que limitava o peso máximo de pouso e de decolagem do Boeing 737.
Durante a descida para Prestwick, os ventos na superfície chegavam a mais de 80 km/h. Nas duas tentativas de aproximação para a Pista 20, o sistema de alerta de proximidade do solo do Boeing 737 disparou o alarme sonoro e visual de tesoura de vento.
Recusa em Manchester e o ‘Mayday’ após terceira arremetida
O relatório pontua que pelas regras operacionais da companhia aérea, é proibido realizar uma terceira aproximação após duas tentativas abortadas por windshear.
Seguindo o planejamento prévio, os pilotos solicitaram ao controle de tráfego aéreo o desvio imediato para o Aeroporto de Manchester, onde o clima estava mais estável.
Entretanto eles foram surpreendidos por recusa ao recebimento da aeronave, sem fornecer justificativas à tripulação.
Sem combustível suficiente naquele momento para enquadrar a situação nos critérios de emergência do manual da empresa, mas impedidos de ir para Glasgow (que também registrava adversidade com vento), os pilotos do Boeing 737 optaram por alternar para o Aeroporto de Edimburgo.
Ao tentar o pouso na Pista 24 de Edimburgo, às 19h09 UTC, o Boeing 737 enfrentou seu terceiro alerta real de windshear a 745 pés de altura, obrigando os pilotos a executarem mais uma manobra de escape em potência máxima — fase em que o consumo dos dois motores CFM56-7B atinge cerca de 120 kg de combustível por minuto.
Com apenas 2.100 kg nos tanques e temendo ficar presos em Edimburgo sem margem para escapar de uma quarta tesoura de vento, o comandante decidiu que rumar para Manchester era a única opção segura de pouso garantido.
Quando o computador de gerenciamento de voo calculou que o Boeing 737 chegaria a Manchester com cerca de 300 kg, a tripulação declarou emergência às 19h12 UTC: “MAYDAY, MAYDAY, MAYDAY FUEL”.
Durante o cruzeiro no nível de voo FL230 rumo a Manchester, os alertas âmbar de baixo nível de combustível (LOW FUEL QUANTITY) acenderam nos dois tanques principais da aeronave (acionados quando o volume cai abaixo de 454 kg por tanque).
O Boeing 737 pousou em segurança na Pista 23R de Manchester às 19h51 UTC com 363 kg restantes, encerrando o táxi no pátio com apenas 240 kg nos tanques — o equivalente a cerca de dois minutos de voo em potência de arremetida.
Falha de comunicação e mudanças nas regras aeroportuárias
A investigação do AAIB concluiu que o sistema EGPWS do Boeing 737 funcionou perfeitamente em todos os três alertas, reagindo à perda real de sustentação provocada pela Tempestade Amy.
O ponto crítico que agravou o incidente foi a recusa inicial do Aeroporto de Manchester em aceitar o voo alternado.
Segundo o relatório, o controle de pátio (Airfield Control) de Manchester informou ao controle de tráfego aéreo que o agente de atendimento em solo (ground handling) da companhia não tinha capacidade para receber o avião.
No entanto, a empresa de handling declarou aos investigadores que sua política padrão era aceitar voos desviados daquela operadora, e o próprio regulamento do aeroporto determinava que a decisão cabe exclusivamente à operação aeroportuária com base na disponibilidade de vagas de estacionamento, e não a empresas terceirizadas.
Após o incidente grave com o Boeing 737, o Aeroporto de Manchester revisou seus protocolos internos e reiterou formalmente a todos os operadores que pedidos de desvio serão aceitos sempre que houver espaço físico no pátio, removendo os agentes de handling do processo decisório de aceitação de voos alternados.

Vinicios Souza Editor/Repórter
Vinicios Souza é editor e repórter no ND Mais, onde integra o Núcleo Nacional e escreve sobre fatos e assuntos de grande relevância e impacto na vida dos brasileiros. Produz matérias sobre política, Judiciário e transparência pública, além de acompanhar atentamente acontecimentos que repercutem no Brasil e no mundo. Formado pela Unesa (Universidade Estácio de Sá), atua no jornalismo desde 2017 e acumula experiência em portais digitais, veículos impressos e comunicação empresarial. Acompanhou de perto a imigração venezuelana em 2018 e suas implicações locais no Mato Grosso do Sul. É especializado em Jornalismo Político e Investigativo, possuindo conhecimento aprofundado no setor. Leia mais ▾
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