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Prisões na Baixada Santista expõem novos braços do CV em São Paulo: ‘Bem no QG do PCC’

Fonte: terra.com.br | Data: 26/09/2026 06:02:26

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Resumo
A Operação Red Card revelou o avanço do Comando Vermelho na Baixada Santista, reduto histórico do PCC. Líderes da facção que atuavam na Grande Belo Horizonte foram presos em imóveis de luxo em Praia Grande, de onde comandavam o tráfico e a lavagem de dinheiro, estimada em R$ 44 milhões. A ação cumpriu mandados em São Paulo e Minas Gerais, evidenciando uma expansão estratégica do grupo carioca em território rival para fortalecer a logística de armas e drogas, desarticulando a cúpula da Tropa do Bob.

Uma megaoperação realizada pela Polícia Civil de Minas Gerais revelou o avanço de criminosos ligados ao Comando Vermelho (CV) na Baixada Santista, considerada um dos principais quartéis-generais do Primeiro Comando da Capital (PCC).

Dois nomes apontados como lideranças da organização criminosa carioca na região metropolitana de Belo Horizonte foram presos temporariamente na quinta-feira, 24, em imóveis de luxo de Praia Grande, de onde atuariam há pelo menos oito meses em espécie de “home office” do crime.

Investigações recentes indicam a presença de criminosos ligados ao CV em cidades como Rio Claro, na região de Piracicaba, e Caraguatatuba, no litoral norte. Na Baixada Santista, reduto histórico do PCC até pelo uso do Porto de Santos para o tráfico internacional de cocaína, isso é tido como novidade.

A Operação Red Card, realizada em parceria com as polícias civis de São Paulo e do Espírito Santo, resultou no cumprimento de 16 mandados de prisão e 33 de busca e apreensão. Balanço parcial indica que nove homens e três mulheres, com idades entre 20 e 35 anos, foram presos até o momento.



Operação Red Card resultou no cumprimento de 16 mandados de prisão e 33 de busca e apreensão.

Operação Red Card resultou no cumprimento de 16 mandados de prisão e 33 de busca e apreensão.

Foto: Polícia Civil de Minas Gerais/Divulgação / Estadão

Conforme a Polícia Civil, as ordens judiciais foram cumpridas, além de Praia Grande, nos municípios mineiros de Belo Horizonte, Betim, Contagem, Mário Campos, São Joaquim de Bicas, Ribeirão das Neves e Muriaé.

Os dois principais alvos foram presos em território paulista. São eles: Carlos Eduardo Bezerra, vulgo Bob ou Duda, considerado liderança do CV em Betim, região metropolitana de Belo Horizonte, e o braço direito dele, Kliverson Walex, vulgo Kiki. Eles foram transportados de avião ainda na quinta-feira para Minas Gerais.

“Esses dois líderes emanavam as ordens lá de São Paulo para os demais integrantes aqui na região de Betim e região metropolitana”, disse, em coletiva de imprensa, o delegado Marcus Vinicius Lobo Leite Vieira, chefe da Divisão Operacional do Departamento Estadual de Operações Especiais (Deoesp) da Polícia Civil mineira.

Acusados por crimes como organização criminosa, tráfico de armas e lavagem de dinheiro, os dois seriam da alta cúpula de uma “filial” do CV conhecida como “Tropa do Bob”. As investigações apontam que o grupo movimentou R$ 44 milhões ao longo do último ano, valor que foi alvo de bloqueio judicial. As defesas deles não foram localizadas pela reportagem.



Suspeitos atuavam em móveis de luxo de Praia Grande, em espécie de "home office" do crime.

Suspeitos atuavam em móveis de luxo de Praia Grande, em espécie de “home office” do crime.

Foto: Polícia Civil de Minas Gerais/Divulgação / Estadão

Investigações tiveram início há cerca de um ano e meio

A Polícia Civil aponta que a atuação do grupo era focada na região metropolitana de Belo Horizonte, que tem sido marcada por embates entre nomes ligados ao Comando Vermelho e ao Terceiro Comando Puro (TCP), também do Rio – o grupo teria se aliado ao PCC para fazer frente ao CV na região. Até por isso a surpresa com o mapeamento de lideranças do grupo em território paulista.

“No início, foi algo que nos gerou uma certa interrogação: o que os ‘caras’ do Comando Vermelho estão fazendo bem no QG do PCC, em Praia Grande?”, disse ao Estadão o delegado Murillo Ribeiro de Lima, integrante da Deoesp. As investigações que resultaram na operação tiveram início há cerca de um ano e meio.

As apurações indicaram, porém, que não seria um movimento isolado: como o PCC, ao contrário das facções cariocas, não prioriza o controle territorial, outros criminosos ligados ao CV estariam se refugiando na região, descobriram os policiais. “Há um crescimento muito acelerado do Comando Vermelho, estão muito agressivos”, afirma.

Ao mesmo tempo, eles se aproveitam para tentar incrementar cadeias logísticas para o tráfico de armamento e de cocaína. “Como eles são integrantes de relevo do Comando Vermelho em Minas Gerais, me parece muito mais um projeto de expansão do que simplesmente uma área para se esconder, porque eles teriam vários lugares melhores, entre aspas, para isso”, afirma Lima.

Como já mostrou o Estadão, o Rio de Janeiro é usado como uma espécie de refúgio para criminosos do Comando Vermelho com atuação em outros Estados. Investigações indicam que atualmente mesmo integrantes da facção com elo com Rio Claro refugiam-se por lá, esporadicamente realizando espécies de bate-volta para execuções de criminosos rivais.

As cifras movimentadas pela “Tropa do Bob” no último ano impressionam. Uma das hipóteses investigadas pela Polícia Civil é que integrantes do grupo estão trazendo armamento da Venezuela, em parceria com o Tren de Aragua, não só para utilização no Estado, como para envio para o Rio. Como resultado, tem crescido a quantidade de fuzis apreendidos em Minas – foram 91 só no ano passado.

“A gente tem observado (na região metropolitana de Belo Horizonte), assim como em outros Estados, um crescimento bastante abrupto das facções cariocas, principalmente o Comando Vermelho e o Terceiro Comando Puro”, afirma. Bob, em meio a isso, seria um grande fornecedor de drogas e armamento da região. “É um grande player local, não é apenas um líder de uma cidade com tráfico local”, acrescentou. A Polícia Civil ainda busca localizar os outros alvos da operação.