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Geopolítica da IA nas eleições de 2026

Fonte: mais.opovo.com.br | Data: 28/09/2026 03:57:51

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Tipo
Opinião

Os Estados Unidos estão entre os países mais visitados do mundo, recebendo milhões de turistas por ano  (Foto: Acervo pessoal / Divulgação)
Foto: Acervo pessoal / Divulgação
Os Estados Unidos estão entre os países mais visitados do mundo, recebendo milhões de turistas por ano

A história das nações é moldada por escolhas de infraestrutura. No século XXI, o divisor de águas entre prosperidade e dependência é a inteligência artificial (IA) e o controle da cadeia do silício. No debate de 2026, o Brasil enfrenta uma encruzilhada geopolítica: a adesão do atual governo à Organização Mundial para Cooperação em IA (WAICO), liderada pela China, em contraponto ao alinhamento com a Pax Silica, capitaneada pelos Estados Unidos e democracias ocidentais.

A decisão de colocar o Brasil como membro fundador da WAICO expõe a infraestrutura crítica do país a riscos gravíssimos. Na China, a Lei de Inteligência Nacional obriga empresas e organismos a cederem dados ao Estado. Integrar registros do SUS, cadastros tributários, informações do agronegócio e biometria a um ecossistema sob influência de Pequim não é diplomacia “altiva e ativa”, mas vulnerabilidade estratégica e entrega de dados nacionais mascarada de cooperação Sul-Sul.

Em contrapartida, a Pax Silica oferece um modelo pautado pela resiliência na cadeia de suprimentos de semicondutores, governança transparente e proteção de dados. Para o Brasil, essa aliança significa atrair investimentos para o beneficiamento local de minerais críticos (como lítio e terras raras), garantir acesso a processadores de última geração e proteger a privacidade do cidadão em conformidade com o devido processo legal.

Fato é que ao terceirizar nossa infraestrutura analítica para Pequim, o atual governo capitula e entrega nossa soberania digital às mãos do regime chinês. Em vez dessa submissão cega à WAICO, o debate eleitoral maduro deveria focar na verdadeira autonomia tecnológica: a construção de um modelo de linguagem (LLM) soberano, totalmente treinado em português.

Essa iniciativa deveria ser desenvolvida em parceria com democracias de ponta – como Taiwan, líder global na fabricação de semicondutores e hardware de alto desempenho, e o Japão, referência em inovação e infraestrutura ética. Somente essa cooperação garantirá ao país o domínio tecnológico sem comprometer a segurança nacional, nossos dados, nem a liberdade dos cidadãos.

O debate hoje reside na aposta do governo em burocracia estatal e alinhamento com regimes autocráticos, enquanto a oposição propõe o rompimento com este modelo, com o uso pragmático da IA para promover cortes na burocracia estatal, enxugar gastos e integrar o Brasil ao ecossistema de inovação das democracias de mercado. Visões antagônicas que definirão os rumos do país pelas próximas décadas.

Neste ano, o eleitor não escolherá apenas o presidente, mas decidirá sob qual regime tecnológico o país operará: como um parceiro soberano do Ocidente ou como um satélite digital fornecedor de dados para o controle estatal chinês.



Foto do Márcio Coimbra

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