EUA enfraquecem regras para eficiência de combustíveis
Fonte: eixos.com.br | Data: 28/09/2026 07:51:01
NESTA EDIÇÃO. Na contramão do restante do mundo, EUA acabam com medida que incentivava vendas de veículos elétricos.
Acelen vai aumentar produção de diesel na Bahia para atender mercado do Nordeste.
Ministério da Fazenda pressiona para que Lula assine decreto do Redata sem gás.
Mês das eleições presidenciais no Brasil terá bandeira tarifária verde.
Em meio à alta global nos preços dos combustíveis, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, planeja anunciar na segunda-feira (28/9) uma liberalização nas regras de eficiência para consumo de combustíveis no país.
- As normas foram adotadas pelo governo anterior, de Joe Biden, para aumentar a eficiência dos carros a gasolina e incentivar a venda de veículos elétricos.
- As regras previam que as montadoras atingissem uma eficiência média de 50,4 milhas por galão. Com a revisão, o limite deve cair para 34,5 milhas por galão.
Trump defende que flexibilizar as regras pode reduzir o preço dos carros novos.
- Segundo o New York Times, a reversão tem caráter simbólico, pois o Congresso já havia eliminado as multas para as montadoras que não cumprissem as normas.
- Vale lembrar que o país terá eleições para o Congresso em novembro.
O anúncio ocorre num momento em que a alta global dos combustíveis está impulsionando o mundo na direção contrária, com recordes na adoção de veículos elétricos este ano.
- A América Latina e o Caribe registraram pela primeira vez este ano uma frota de mais de um milhão de veículos 100% elétricos (BEV) e híbridos plug-in (PHEV).
- Inclusive, o BNDES aprovou na sexta (25) um financiamento de R$ 329 milhões para o Rio de Janeiro desenvolver um projeto de eletrificação da frota de ônibus municipal.
- Na Europa, o número de registros de veículos elétricos a baterias subiu 63% em agosto na comparação anual. (Euronews)
A eletrificação é uma das prioridades da próxima Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP31), presidida pela Turquia.
Com isso, os EUA dão mais um passo na contramão das discussões ambientais e no desmonte das políticas contra as mudanças climáticas: na semana passada, o país acabou com o limite às emissões de usinas termelétricas a gás natural e carvão.
- Em março, logo após o início da guerra contra o Irã, os EUA já haviam suavizado exigências ambientais que limitavam venda de gasolina com maior teor de etanol.
- Relembre: EUA flexibilizam regras contra poluição e abraçam etanol para enfrentar alta dos combustíveis.
- Também nessa cobertura: Secretários de Trump cobram mais produção de petroleiras americanas.
Fábrica de baterias. A Weg ampliou o projeto de sua nova fábrica de sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS), em construção em Itajaí (SC).
- Segundo comunicado ao mercado divulgado na sexta-feira (25), o investimento total estimado é de R$ 330 milhões e a capacidade anual projetada é de 4 GWh, com início das operações previsto para o segundo semestre de 2027.
Mais diesel no Nordeste. A Acelen recebeu autorização para ampliar a capacidade de produção de diesel S10 e vai injetar mais 30 mil metros cúbicos por mês no sistema Nordeste.
Opinião: Petrobras quer atender 100% da demanda nacional até 2031, mas ampliar capacidade sem política integrada para fósseis e renováveis repete erros do passado, escreve o presidente da Aprobio, Jeronimo Goergen.
Crimes nos combustíveis. O Sindicom, que representa distribuidoras de combustíveis, apresentou aos presidenciáveis sua agenda para o setor, com foco no combate a fraudes e sonegação tributária.
- Segundo o presidente-executivo da entidade, Augusto Salomon, já houve conversas com o deputado Ronaldo Caiado (PSD), com José Sérgio Gabrielli (PT) e com o professor Adriano Pires (campanha de Flávio Bolsonaro, do PL).
Novos investimentos. A Karoon Energy está em busca de parceiros para seus sete blocos exploratórios na Bacia de Santos e prevê a decisão final de investimento (FID) do projeto Neon para 2027.
Mais empresas. As petroleiras independentes ampliaram a gama de fornecedores da indústria de óleo e gás no Brasil e ajudaram a viabilizar projetos antes considerados inviáveis, avalia Jean Calvi, diretor de Operações da Prio.
Falta de mão de obra. A indústria de navegação e apoio marítimo no Brasil vive um momento de muitas oportunidades, mas enfrenta um desafio na contramão do crescimento: a falta de mão de obra qualificada para atender a demanda. A avaliação é de Erik Cunha, diretor Comercial da OceanPact.
- Segundo ele, cada embarcação demanda entre 40 e 50 tripulantes em média, e há previsão de construção de 40 novas unidades. “É muita gente para formar“, disse.
Preço do barril. O Brent era negociado em alta na manhã de segunda-feira (28), a US$ 100,9 por volta das 7h no horário de Brasília. Na semana passada, os preços caíram 6,19% e encerram as negociações na sexta-feira (25) a US$ 97,44 o barril.
- O final de semana foi marcado por novos ataques a refinarias: a Ucrânia afirmou ter atacado a refinaria de petróleo Ilsky, da Rússia, localizada na região do Mar Negro de Krasnodar. (Investing)
Redata ainda em discussão. O governo federal segue em tensão quanto à regulamentação do Redata, programa para o desenvolvimento do setor de data centers. O Ministério da Fazenda, responsável pelo desenho do programa, tem pressionado para que o presidente Lula sancione o decreto regulamentador do Redata sem incluir o gás natural como fonte energética incentivada, mantendo assim a ênfase em fontes renováveis.
- A expectativa da pasta é que o decreto seja assinado na segunda (28/9).
Flexibilidade. O avanço das renováveis na matriz energética brasileira exige um fornecimento de gás flexível para compensar a intermitência das fontes renováveis, defende o CEO da GBS Storage, Celso Silva.
Revisão tarifária. O presidente da ATGás, Rogério Manso, acredita que o processo de revisão tarifária das transportadoras de gás natural seguirá seu próprio rito, na próxima semana, em meio à judicialização da Resolução 991/2026, da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
- Segundo ele, a discussão sobre a remuneração do setor se dará na Justiça e no processo administrativo da ANP em paralelo, com seus próprios ritos.
- A agência pautou para a reunião de diretoria de sexta (2/10) a conclusão da 2ª fase da revisão tarifária das transportadoras. Com as discussões também sobre o gas release e o leilão da PPSA, a semana será cheia para o mercado de gás no país. Confira o calendário na gas week.
Bandeira verde. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) confirmou que a bandeira tarifária para o próximo mês será verde, após cinco meses de vigência da bandeira amarela.
- O anúncio chega nove dias antes de os brasileiros irem às urnas para as eleições presidenciais de 2026, cujo primeiro turno está marcado para 4 de outubro.
Powerhouse energético. Com a instabilidade geopolítica internacional e os riscos crescentes em outras regiões produtoras, o Brasil assumiu um papel central no novo tabuleiro energético mundial, avaliam Carla Lacerda e Hélder Waiandt, presidente e vice-presidente da Bratecc (Câmara de Comércio Brasil-Texas).
Opinião: A transição energética dificilmente será resultado de uma única tecnologia ou de uma única fonte de energia. Ela será construída por um conjunto de soluções capazes de reduzir emissões em diferentes velocidades e realidades econômicas, escreve o diretor de Supply e Excelência Operacional da Supergasbras, Claudio Azevedo.