Pão de Açúcar cria corretora com só R$ 1 mil de capital e entra em negócio milionário
Fonte: economicnewsbrasil.com.br | Data: 29/09/2026 21:49:57
GPA, grupo do Pão de Açúcar, cria corretora com R$ 1 mil de capital e passa a capturar parte das comissões de seus seguros corporativos.
O Pão de Açúcar criou uma corretora de seguros com capital social de apenas R$ 1 mil para participar da intermediação de uma despesa que movimenta cifras muito maiores dentro do grupo. Nos últimos três anos, a varejista informou ter movimentado R$ 185 milhões em prêmios de seguro-garantia. Agora, pretende ficar com parte das comissões que antes eram integralmente destinadas a terceiros.
O contraste entre os valores chama atenção, mas eles representam coisas diferentes. Os R$ 1 mil correspondem ao capital social registrado da nova empresa. Já os R$ 185 milhões representam prêmios de seguro-garantia movimentados pelo GPA durante três anos e não são receita da nova corretora nem recursos que ficarão com ela.
A GPA 2 Corretora e Administradora de Seguros Ltda. foi aberta em 23 de setembro de 2026, seis dias antes de o grupo anunciar a autorização da Superintendência de Seguros Privados (Susep). O cadastro empresarial consultado aponta a Companhia Brasileira de Distribuição como sócia e registra a empresa como ativa.
O capital reduzido não impede a atividade. Segundo a própria Susep, não existe exigência de capital mínimo para uma corretora de seguros. Entre as condições para o registro estão CNAE compatível e a indicação de diretor ou administrador técnico registrado como corretor de seguros.
Essa diferença é essencial para entender o negócio. A GPA 2 será uma intermediária e não uma seguradora assumindo os riscos das apólices. A definição da Susep estabelece que o corretor promove contratos de seguros e é remunerado por comissões.
Pão de Açúcar quer capturar comissão que hoje vai a terceiros
A autorização concedida pela Susep permite que a subsidiária opere em todo o território nacional. O objetivo financeiro informado pelo GPA é internalizar parte de uma atividade de corretagem que atualmente fica integralmente nas mãos de terceiros.
Segundo Inácio Reis Caminha, diretor de Relações com Investidores e Serviços Financeiros, a mudança permitirá ao grupo “capturar um percentual das comissões associadas ao prêmio”. O GPA, porém, não informou qual será esse percentual nem quanto espera obter em receita com a operação.
O tamanho da despesa que passa pelo mercado de seguros aparece no histórico divulgado pela companhia. Foram R$ 185 milhões em prêmios de seguro-garantia nos últimos três anos. O seguro-garantia é utilizado para assegurar determinadas obrigações contratuais ou judiciais. O valor não pode ser usado para calcular quanto a nova corretora ganhará, já que o GPA não revelou a comissão aplicável.
Willis entra onde a estrutura de R$ 1 mil não explica o negócio
A nova corretora não atuará isoladamente. O GPA fechou um contrato de co-corretagem com a Willis Corretores de Seguros, que dará suporte técnico à operação, incluindo estrutura para colocação dos seguros e gestão de sinistros, além da interlocução com o mercado segurador.
Na prática, a mudança permite ao Pão de Açúcar participar da remuneração pela intermediação dos próprios seguros corporativos e dos seguros de suas afiliadas. O impacto financeiro, entretanto, permanece em aberto: sem a divulgação do percentual das comissões que caberá ao GPA, a companhia ainda não permite medir quanto a estrutura poderá acrescentar à receita.

