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Passageiro que expôs genitália e urinou em avião é 1º suspenso a voar no Brasil

Fonte: movimentoeconomico.com.br | Data: 30/09/2026 15:39:08

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Passageiros durante viagem de avião. Novas regras da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) permitem suspender por seis ou 12 meses quem praticar atos gravíssimos de indisciplina em voos domésticos, além da aplicação de multa após processo administrativo. Foto: Suhyeon Choi/Unsplash

Um passageiro que expôs a genitália e urinou na área de serviço de bordo de um avião da Azul tornou-se o primeiro viajante suspenso de voar no Brasil após a entrada em vigor das novas regras contra atos de indisciplina no transporte aéreo. O caso ocorreu em 18 de setembro, em um voo entre Belém (PA) e Campinas (SP), e resultou na suspensão por seis meses.

O homem urinou na galley, área da aeronave utilizada pela tripulação para preparar alimentos e bebidas, diante de outros passageiros. A tripulação interveio e, após o pouso no Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas, ele foi encaminhado à Polícia Federal. A Azul classificou a conduta como ato gravíssimo e aplicou a suspensão.

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O episódio aconteceu quatro dias depois da entrada em vigor, em 14 de setembro, dos dispositivos da Resolução nº 800/2026 da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) que tratam das medidas contra passageiros indisciplinados. A norma estabelece suspensões de seis ou 12 meses para determinadas condutas classificadas como gravíssimas.

O diretor-presidente da Anac, Tiago Faierstein, confirmou em 24 de setembro, durante o Aviation Infra Summit, em São Paulo, que o passageiro havia sido incluído no novo sistema de restrição. Na ocasião, a agência contabilizava oito ocorrências graves ou gravíssimas desde a entrada em vigor das regras.

“Desde a sua efetividade agora em setembro até hoje nós já tivemos oito casos de indisciplina graves ou gravíssimos, sendo que desses oito, um é gravíssimo e um passageiro já foi incluído no novo Flylist”, afirmou Faierstein.

Suspensão de passageiro vale para outras companhias

A suspensão não fica restrita à empresa responsável pela aplicação da medida. Pelas novas regras, a companhia deve compartilhar os dados de identificação do passageiro suspenso com as demais operadoras, que passam a adotar procedimentos para impedir seu embarque durante o período estabelecido.

Entre as medidas estão o bloqueio da emissão de bilhetes, do check-in e do acesso à aeronave em voos domésticos regulares. A companhia que aplicou a suspensão também deve comunicar o caso à Anac e informar ao passageiro a ocorrência, a fundamentação da medida e os meios disponíveis para contestá-la.

O sistema de compartilhamento das informações utiliza o Sistema Brasileiro de Informações Antecipadas de Passageiro (Sisbraip). A ferramenta permite que as empresas que operam voos domésticos tenham acesso aos registros de passageiros com suspensão vigente.

Multa é tratada em processo da Anac

A suspensão aplicada pela companhia aérea é diferente da penalidade financeira prevista na regulamentação. Nos casos de atos graves ou gravíssimos, a Resolução 800 prevê multa de até R$ 17,5 mil, aplicada pela Anac por meio de processo administrativo que assegura direito ao contraditório e à ampla defesa.

No caso ocorrido no voo da Azul, o passageiro responde a processo administrativo sancionador na agência. A suspensão de seis meses, portanto, não deve ser confundida com a tramitação da penalidade financeira na Anac.

A Resolução 800 prevê suspensão de seis meses para determinadas condutas gravíssimas. Entre elas estão atentado contra a dignidade sexual de tripulante ou passageiro, violência física contra tripulante e danos a dispositivos de segurança nas situações especificadas pela regulamentação.

Regra busca conter aumento das ocorrências

Antes da entrada em vigor das novas medidas, a Anac, o Ministério de Portos e Aeroportos, a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) e outras entidades do setor lançaram uma campanha para informar os passageiros sobre as consequências dos atos de indisciplina.

Na ocasião, Faierstein afirmou que a regulamentação buscava estabelecer consequências mais claras para comportamentos capazes de afetar uma operação aérea e os demais viajantes.

“Antes de entrar em vigor, um único passageiro indisciplinado poderia atrapalhar a viagem de centenas de outros e não havia consequências”, afirmou o diretor-presidente da Anac.

Entre janeiro e junho de 2026, foram registradas 881 ocorrências de indisciplina no transporte aéreo brasileiro, segundo dados divulgados pelo Ministério de Portos e Aeroportos com base em informações da Abear. Desse total, 154 casos estavam relacionados a situações que poderiam comprometer a segurança operacional, alta de 22% em relação ao mesmo período de 2025.

Suspensão de voar pode chegar a 12 meses

A restrição pode chegar a 12 meses em situações como violência contra tripulante que impeça ou dificulte a execução normal do serviço, acesso ou tentativa de acesso não autorizado à cabine de comando e tentativa ilegal de assumir o controle da aeronave.

A suspensão pelo mesmo período também está prevista para condução ou manuseio de armas ou explosivos fora das situações autorizadas. As medidas fazem parte das mudanças aprovadas pela Anac para o tratamento de ocorrências envolvendo passageiros indisciplinados em voos domésticos.

A Resolução nº 800 foi aprovada pela Anac em março de 2026. Parte das mudanças entrou em vigor em abril, enquanto os dispositivos específicos sobre as medidas aplicáveis a passageiros indisciplinados passaram a valer em 14 de setembro.

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