Falha em algoritmo derruba foguete sul-coreano em Alcântara
Fonte: brasilemfolhas.com.br | Data: 30/09/2026 16:58:02
A Innospace concluiu a investigação sobre o desvio do foguete Sebit, lançado em agosto em Alcântara (MA). Uma falha no algoritmo que controla as aletas de direção desestabilizou a trajetória, forçando a FAB a interromper o voo após 35 segundos. O incidente adiou o lançamento do Hanbit-Nano para o primeiro semestre de 2027.
O relatório preliminar, entregue ao Cenipa, aponta que o erro no software gerou divergência entre o comportamento esperado pelos engenheiros e o desempenho real do foguete. A anomalia ocorreu logo após a decolagem, enquanto o veículo ainda ganhava velocidade.
A FAB acionou o sistema de segurança militar no dia 19 de agosto, garantindo que os destroços caíssem em área marítima isolada, sem registro de danos. A interrupção prematura, no entanto, comprovou a eficácia do sistema de terminação de voo, que corta o suprimento de oxidante do motor sem uso de explosivos.
O contratempo técnico impactou o calendário da companhia asiática no Brasil. Com a necessidade de refinar os algoritmos e realizar novos testes, a Innospace renegociou as datas de seus próximos lançamentos. O Hanbit-Nano, principal veículo da empresa, foi empurrado para o primeiro semestre de 2027, após também ter falhado em dezembro de 2025.
— Levando em conta a investigação em andamento do Cenipa, o status das melhorias técnicas e de verificação, além da nossa estratégia geral de negócios, estamos buscando um plano para retomar o voo do Sebit em novembro e ajustar o lançamento do Hanbit-Nano para a primeira metade do próximo ano. Estamos discutindo a viabilidade desse ajuste de cronograma com as autoridades brasileiras — afirmou Soojong Kim, fundador e CEO da Innospace.
O voo de agosto marcou a primeira missão mediada pela ALADA, estatal criada no ano passado para atrair clientes estrangeiros à base. A Innospace, com subsidiária local desde 2020 e acordo de uso assinado em 2022, planeja transformar o Maranhão em polo permanente.
— Para a Innospace, Alcântara não é apenas um local de lançamento geograficamente vantajoso, mas uma importante base operacional e de negócios apoiada por cooperação institucional estabelecida e experiência acumulada de campanha — afirmou Jae Min Kim, porta-voz global da empresa.
O revés esfria o ritmo de operações previsto para a base e expõe o chamado “custo Alcântara”: a falta de infraestrutura básica, como porto adequado e estradas com sinal de celular, torna a logística um pesadelo para o transporte de cargas sensíveis. Especialistas apontam que investimentos massivos, que podem ultrapassar US$ 1 bilhão, contrastam com a relutância estatal em financiar o setor.