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Caso Master Huck articulou candidatura de Ronaldo para a presidência da CBF com Vorcaro

Fonte: revistaforum.com.br | Data: 02/10/2026 16:08:08

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As engrenagens do poder, do capital financeiro e do meio artístico por vezes se entrelaçam nos bastidores da política esportiva nacional de maneira direta e ambiciosa. Revelações sobre os bastidores da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) apontam que o apresentador Luciano Huck, figura central do entretenimento da TV Globo, atuou diretamente nos por baixo dos panos para viabilizar um projeto de poder dentro da entidade máxima do futebol do país: levar o ex-atacante Ronaldo Nazário à presidência do órgão que comanda o esporte mais popular do Brasil.

Para tentar consolidar o movimento político em favor do “Fenômeno”, Huck buscou criar uma rede de apoio entre nomes de peso do setor financeiro, incluindo o banqueiro Daniel Vorcaro. A articulação, mantida sob discrição até então, previa aproximações estratégicas e encontros de alinhamento com o objetivo explícito de pavimentar o caminho de Ronaldo rumo à liderança da entidade. Os fatos foram revelados na esteira das inspeções feitas no celular do magnata, que está preso acusado de liderar a maior fraude financeira da história do país.

A intenção do comunicador em capitanear a articulação de bastidor ficou clara nas mensagens trocadas diretamente entre ele e o banqueiro. Ao sugerir um encontro no Rio de Janeiro com a presença do ex-jogador, Huck explicitou a estratégia para atrair Vorcaro para a mesa de negociações:

“Vou fazer uma pizza em casa para ele. Se animar e quiser se juntar à mesa. Será mega bem-vindo. Precisamos começar a construir esta candidatura”

Apesar do tom convidativo e da tentativa de aproximação, a sinalização do apresentador não obteve a resposta esperada, uma vez que o executivo financeiro permaneceu em silêncio e não se manifestou sobre o convite para o jantar.

Mesmo com a disposição de figuras influentes da mídia e dos negócios em impulsionar o projeto, a investida naufragou diante da rígida estrutura da política futebolística brasileira. Acostumado às grandes arenas internacionais, Ronaldo enfrentou um bloqueio sistemático no ambiente oligárquico do futebol nacional. As federações estaduais, que detêm peso decisivo no colégio eleitoral da CBF, simplesmente fecharam as portas para qualquer tipo de renovação ou diálogo.

Com quase a totalidade dos dirigentes regionais alinhados ao grupo então dominante e empenhados na manutenção da ordem estabelecida, a pré-candidatura do ex-atacante foi sepultada antes mesmo de ser formalizada. A resistência do sistema em vigor das federações inviabilizou a apresentação de qualquer plano de gestão alternativo, culminando na ascensão de Samir Xaud ao cargo de comando da entidade, na esteira do processo sucessório de Ednaldo Rodrigues.

Ao constatar o insucesso das investidas diplomáticas e a impossibilidade de avançar, Ronaldo desabafou publicamente ao explicar os motivos que o levaram a desistir do pleito e detalhou a rejeição irredutível enfrentada nos bastidores:

“No meu primeiro contato com as 27 filiadas, encontrei 23 portas fechadas. As federações se recusaram a me receber em suas casas, sob o argumento de satisfação com a atual gestão e apoio à reeleição. Não pude apresentar meu projeto, levar minhas ideias e ouvi-las como gostaria. Não houve qualquer abertura para o diálogo.”

O bloqueio político institucional expôs o abismo entre o apelo de imagem de uma estrela global do esporte e o pragmatismo das estruturas partidário-esportivas que controlam as rédeas do futebol no país. Sem espaço para articulação, o ex-atleta preferiu recuar, mantendo contudo suas palavras de agradecimento e esperança no cenário institucional:

“Agradeço a todos que demonstraram interesse na minha iniciativa e sigo acreditando que o caminho para a evolução do futebol brasileiro é, antes de mais nada, o diálogo, a transparência e a união.”

Sem assumir a liderança da confederação, o ex-jogador manteve-se inserido no ecossistema corporativo da bola. Após sua passagem pela gestão do Cruzeiro no modelo de Sociedade Anônima do Futebol (SAF), ele seguiu diversificando seus investimentos e aportes no meio esportivo, aliando-se ao ex-lateral Roberto Carlos e ao grupo de investidores que adquiriu a SAF da Inter de Limeira. Por ora, nenhuma nova tentativa envolvendo a presidência da CBF foi oficializada.

Por sua vez, ao ser questionado sobre as movimentações e sobre a aproximação com o setor bancário citada nas articulações, a assessoria de Luciano Huck enviou nota oficial para prestar esclarecimentos pontuais sobre a relação entre o apresentador e o banqueiro:

“Toda a interação entre Luciano Huck e Daniel Vorcaro se deu em torno da captação e da gestão do patrocínio do Will Bank. Não houve sociedade, como o veículo erradamente chegou a alegar. O acordo comercial teve contrato assinado, notas emitidas, impostos recolhidos e serviços devidamente prestados. Os contratos de imagem e publicidade foram rescindidos antes da intervenção no Will Bank pelo Banco Central.”

No entanto, o comunicado do apresentador ateve-se estritamente às transações empresariais e contratuais envolvendo a instituição financeira, omitindo qualquer menção às mensagens sobre a articulação política esportiva ou ao plano traçado para levar Ronaldo Nazário ao topo da entidade máxima do futebol brasileiro.

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