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Denúncias de assédio eleitoral no trabalho disparam às vésperas da eleição – Fatos Online

Fonte: fatosonline.com.br | Data: 02/10/2026 17:41:08

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O número de denúncias de assédio eleitoral nas relações de trabalho disparou em 2026. Segundo dados do Ministério Público do Trabalho (MPT), foram registrados 809 casos entre janeiro e setembro, contra 85 no mesmo período de 2022, ano da última eleição geral. O crescimento se intensificou nas últimas semanas: somente em setembro, foram 545 denúncias, ante 68 no mesmo mês de quatro anos atrás.

O assédio eleitoral ocorre quando há pressão, ameaça, constrangimento, intimidação ou promessa de benefício para tentar influenciar o voto, a posição política ou a participação eleitoral de trabalhadores. A prática pode envolver empregadores, superiores hierárquicos, colegas ou grupos de funcionários. Entre os exemplos estão ameaças de demissão, promessas de vantagens, exigência de participação em atos de campanha e monitoramento das manifestações políticas dos empregados.

Os registros cresceram ao longo do ano e tiveram forte aceleração a partir de agosto, quando foram contabilizadas 135 denúncias, contra nove no mesmo mês de 2022. Levantamento do Tribunal Superior do Trabalho (TST) e do Conselho Superior da Justiça do Trabalho (CSJT) também identificou o uso de ferramentas digitais em casos de assédio, com o WhatsApp citado em 51 processos e Facebook e Instagram em 20. Entre as práticas analisadas estão a criação de grupos para propaganda política, envio obrigatório de conteúdos, exigência de publicações em perfis pessoais e monitoramento de redes sociais.

A pesquisa do TST aponta ainda que a comprovação da pressão política pode ser um dos principais desafios nos processos. Entre decisões que rejeitaram pedidos relacionados a assédio eleitoral, 31 mencionaram fragilidade das provas, equivalente a 75,6% dos casos analisados. São Paulo concentra 129 processos, seguido por Paraná, com 109, Rio Grande do Sul, com 77, Rio de Janeiro, com 48, e Santa Catarina, com 46. O MPT, o TST e o TSE lançaram em agosto a campanha “No meu voto mando eu”, enquanto as denúncias podem ser encaminhadas aos órgãos trabalhistas, à Justiça Eleitoral e às ouvidorias dos Tribunais Regionais do Trabalho.