“Meu pai está carregando água de carrinho de mão”: família está sem luz há 15 dias em Cerrito
Fonte: gauchazh.clicrbs.com.br | Data: 05/10/2026 17:38:02

Há 15 dias, Arides Nogues Pereira, de 84 anos, e Loiva Neves Pereira, de 82, vivem sem energia elétrica na propriedade onde moram, na localidade de Alto Alegre, no segundo distrito de Cerrito, no sul do Estado.
O fornecimento foi interrompido após o temporal que atingiu a região entre 20 e 21 de setembro e derrubou três postes na entrada da propriedade.
Desde então, o casal enfrenta dificuldades para ter acesso à água, conservar alimentos e realizar tarefas básicas do dia a dia.
— A casa dos meus pais foi a que mais foi atingida com o temporal. Teve destelhamento. A rede de energia está afetada porque tem três postes caídos na entrada da propriedade — relata Vinícius de Barros Pereira, filho do casal.
Além da residência dos pais, há uma segunda casa na propriedade, onde Vinícius mora. Como trabalha e vive na cidade, ele afirma que os pais são os únicos que permanecem no local.
A falta de energia também afetou o acesso à água e a conservação de alimentos. Sem eletricidade nos primeiros dias, a família precisou descartar produtos que estavam armazenados.
— Eles são duas pessoas idosas, meu pai de 84 anos e minha madrasta de 82. É muito complicado. Estão sem água, sem luz. Conseguiram comprar um gerador para manter alguma coisa armazenada no freezer, mas muita coisa já se perdeu no início. Nos primeiros quatro ou cinco dias, colocamos muita carne estragada e muita coisa que eles tinham armazenado fora — conta.
Água precisa ser carregada em carrinho de mão
Com a falta de energia, o casal precisal buscar água em reservatórios localizados longe da residência.
— Meu pai é uma pessoa de 84 anos, carregando água de carrinho de mão. Não consegue tomar um banho decente e, para alimentação e para fazer comida, precisa carregar água — afirma.
A família também passou a depender de um gerador para manter alimentos refrigerados. O equipamento, no entanto, trouxe novos gastos para os aposentados, que precisam comprar combustível regularmente.
— Os gastos são diários, porque estamos com gerador para eles manterem um pouco da alimentação que tinham e que não foi perdida. Temos gasto com combustível e com deslocamento para vir buscar combustível na cidade — relata Vinícius.
Segundo ele, o custo já ultrapassou o orçamento familiar.
— Eles são pessoas aposentadas. Isso já saiu fora do orçamento deles. Teve o gasto com o gerador, que tiveram que comprar, além do combustível. Não dá para armazenar muita coisa porque não tem como manter muita coisa armazenada — diz.
“Não temos uma resposta definitiva”
Vinícius afirma que já entrou em contato diversas vezes com a CEEE Equatorial para comunicar a falta de energia. Segundo ele, foram registrados mais de 20 protocolos, em nome dele e do pai, já que são duas unidades consumidoras.
— Eu já fiz todos os protocolos que podia fazer na CEEE Equatorial. Toda hora estou fazendo, quase todos os dias. Já registrei protocolo na Aneel também — afirma.
De acordo com Vinícius, equipes da concessionária chegaram a ir até o local para fazer um levantamento, mas a família ainda não recebeu uma previsão definitiva para o restabelecimento do serviço.
— Eles já foram lá e fizeram o levantamento, mas não temos resposta nenhuma. É inadmissível que passe tanto tempo e a gente não tenha uma resposta — afirma.
Diante da demora, ele diz que pretende buscar outros caminhos para tentar solucionar o problema.
— Minha ideia é entrar na Procuradoria do município, na Defensoria Pública, em alguma coisa assim, para ver se a gente consegue resolver. É inadmissível ficar tanto tempo sem uma resposta — completa.
A família afirma que as contas de energia estão em dia e que não há débitos com a concessionária.
— Estamos com todas as contas pagas. Não estamos devendo nada para a Equatorial e não temos uma resposta definitiva de quando a energia vai voltar — diz Vinícius.
A CEEE Equatorial foi procurada pela reportagem para esclarecer a situação da propriedade, informar o motivo da demora no restabelecimento da energia e dizer se há previsão para a retomada do fornecimento no local. Por meio da assessoria, a empresa afirmou que verificaria a situação, mas não respondeu todos os questionamentos.
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