Vacinação antirrábica é reforçada no Mondubim após cão ir a óbito por raiva
Fonte: mais.opovo.com.br | Data: 07/10/2026 03:36:33

AÇÃO também é destinada a animais em situação de rua e a aplicação ocorre por meio de visitas às casas de pessoas que abrigam animais acolhidos, além de abrigos
O bairro Mondubim e seu entorno, em Fortaleza, recebem mutirão de vacina antirrábica para cães e gatos, até 9 de outubro. A ação iniciou em 29 de setembro, após um cachorro, oriundo do município de Maranguape, testar positivo para raiva e evoluir para óbito.
Causada pelo vírus do gênero Lyssavirus, da família Rhabdoviridae, a raiva é uma doença grave e transmissível entre animais e pessoas, que provoca inflamação no cérebro e, se não for tratada a tempo, quase sempre leva à morte, segundo o Ministério da Saúde (MS).
A campanha segue até 30 de novembro, com o objetivo de vacinar 500 mil cães e gatos até o encerramento da ação. Fortaleza possui uma população total estimada 559.508 animais domésticos, sendo 303.719 cães e 255.789 gatos. A meta é vacinar 80% desses animais.
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O animal detectado com a doença no bairro Mondubim foi levado de Maranguape pelos tutores para atendimento veterinário em Fortaleza, o que descarta a transmissão nativa entre os cães da Cidade.
“A pessoa que manteve contato com animal (infectado) faz o tratamento profilátrico da raiva. Se mantiver contato com o vírus da raiva, tem o tempo de 15 dias. O ideal é até 15 dias ou estourando 30 dias para fazer a profilaxia com vacina. Dependendo do caso, consegue reveter praticamente 100% da manifestação da doença em humanos e animais”, informa o coordenador da vigilância em Saúde da Prefeitura de Fortaleza, Josete Malheiro, .
Este cachorro chegou a ficar internado em uma clínica particular, mas foi a óbito pela doença. A gestão municipal não soube informar se o animal já havia recebido vacina antirrábica anteriormente.
Há 23 anos, a capital cearense não registra raiva em humanos. As confirmação dos casos de raiva acenderam alerta para antecipação da campanha de vacinação antirrábica na Cidade.
Desmatamento no Aeroporto pode ter relação com casos de raiva em morcegos
Em 2026, Fortaleza confirmou 28 casos de raiva em morcegos. O coordenador da vigilância em Saúde da Prefeitura de Fortaleza, Josete Malheiro, explica que os casos de raiva em Fortaleza podem ser explicados por um conjunto de fatores ecológicos, sanitários e de monitoramento ativo.
Josete explica que a variante urbana tradicional da raiva que afetava cães e gatos não é detectada há anos em Fortaleza, devido às campanhas de vacinação em massa, ao controle de focos e ao fortalecimento da vigilância epidemiológica.
Todos os casos registrados recentemente referem-se à variante silvestre, cuja circulação ocorre habitualmente na fauna selvagem, como morcegos, saguis e raposas.
“Apenas a Regional II da cidade de Fortaleza não tem caso detectado (em morcegos). A maior concentração está na região dos bairros Serrinha e Passaré. Primeiro lugar, Serrinha, segundo lugar, Passaré”, informa Josete.
Segundo ele, a aparição desses morcegos funciona como um “radar” que indica alterações ecológicas causadas pela expansão urbana, redução de áreas verdes e episódios de queimadas ou desmatamentos.
Josete cita como exemplo a perda de área de mata no entorno do Aeroporto de Fortaleza, desmatada em setembro de 2025, gerando desequilíbrio que coincide com a maior concentração de morcegos positivos nos bairros vizinhos da Serrinha e do Passaré.
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“Não é sem razão, a gente teve aquela história do desmatamento ali naquela área de mata do Aeroporto. Ainda não temos estudos conclusivos, mas tudo leva a crer que isso gerou um certo desequilíbrio ambiental, principalmente nessa questão”, acrescenta Josete.
Somente neste ano, mais de 160 amostras de animais silvestres com alteração de comportamento ou recolhidos mortos foram enviadas ao laboratório de teste, resultando na confirmação de 28 morcegos infectados com raiva da variante silvestre.
Como identificar situações de risco?
Crédito: Reprodução / Pavithra Anbarasu / Pexels
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O coordenador de vigilância alerta que é importante observar animais que apresentem sintomas neurológicos sugestivos de raiva ou alteração repentina de comportamento.
Ele alerta que ver morcego caído, batendo-se ou com dificuldade para voar é um forte indicativo de alteração funcional.
No mesmo sentido, encontrar outros animais silvestres como soin, caçote, raposa ou capivara cambaleando, sem equilíbrio ou agindo fora do seu comportamento natural também alerta para possibilidade do animal estar infectado com o vírus da raiva.
Josete diz que jamais se deve tocar ou manusear o animal diretamente com as mãos desprotegidas. O ideal é usar uma pá ou vassoura para empurrar e isolar o animal dentro de um recipiente plástico com gelo ao lado ou dentro para conservar a amostra até o recolhimento, caso esteja vivo ou morto.
O coordenador recomenda ainda ligar para o 156 da Prefeitura de Fortaleza ou entrar em contato com o agente de endemias do bairro onde o animal com suspeita de raiva seja encontrado. A equipe de vigilância ambiental irá ao local recolher o animal, fazer a triagem e enviar para exame em laboratório.
Pessoas que mantiveram contato, foram mordidas ou arranhadas por animal suspeito devem procurar o serviço de saúde para fazer a profilaxia com vacina e/ou soro. Se realizado no tempo ideal (até 15 dias, estourando 30 dias), o tratamento previne praticamente 100% dos casos de raiva em humanos.
Animais domésticos expostos a um caso suspeito também devem ser vacinados imediatamente. Além disso, a vacina antirrábica dos cães e gatos precisa ser renovada anualmente.
Quais as estratégias de vacinação no Mondubim?
Crédito: FERNANDA BARROS
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Josete Malheiro explica que a estratégia de bloqueio da doença envolve dias de mobilização em massa, equipes volantes porta a porta e parcerias com clínicas privadas, visando atingir uma cobertura de 80% da população cães e gatos em Fortaleza.
Devido ao alerta sanitário gerado pelo aumento de casos do vírus silvestre da raiva em morcegos, a Prefeitura iniciou a imunização no dia 1º de agosto — dois meses antes do calendário tradicional do Ministério da Saúde previsto para 1° de outubro.
A iniciativa inclui a organização de grandes dias “D” de vacinação aos sábados, disponibilizando entre 100 e 200 pontos fixos espalhados pela Cidade. Além do evento inicial em agosto, a Prefeitura programou o “3º Dia D” para 17 de outubro e o “4º Dia D” para 7 de novembro em toda cidade.
Os mutirões no Mondubim e em outros bairros de Fortaleza envolvem ações com equipes de vigilância volantes a pé e viaturas que percorrem as ruas dos locais periféricos e áreas com menor cobertura vacinal.
De acordo com Josete, os moradores são avisados previamente por equipes de mobilização social e líderes comunitários via grupos de WhatsApp.
O coordenador diz que a vacinação também é destinada aos animais em situação de rua e aplicação ocorre por meio de visitas às residências de pessoas que abrigam múltiplos animais acolhidos da rua.
A aplicação de vacinas é direcionada também aos cerca de 330 abrigos, de acolhimento de animais abandonados, cadastrados no município.
Há ainda mapeamento e contabilização das doses aplicadas em animais tutorados em clínicas particulares da Capital, em cooperação com o Conselho Regional de Medicina Veterinária.
“O animal que manteve contato (com raiva) precisa ser vacinado imediatamente para coibir a manifestação da doença. Todos os cuidados clínicos, em relação ao município de origem,- foram adotados e por uma questão de extensão da segurança, nós estamos realizando, portanto, o bloqueio em todo o bairro Mudubim”, afirma o coordenador.
Confira o percentual de cobertura da campanha de vacinação antirrábica em Fortaleza:
Balanço Geral de Imunização
- Total de animais imunizados: 296.034 animais (cães e gatos)
- Percentual atingido: 53% da meta global do município
.
Detalhamento por Espécie
Cães:
- Vacinados: 181.771 cães
- Meta alcançada: 60% da população de cães
Faltante para a meta de 80%: Cerca de 63.000 cães
Gatos:
- Vacinados: 114.578 gatos
- Meta alcançada: 45% da população de gatos
- Faltante para a meta de 80%: Entre 80.000 e 85.000 gatos
Estimativa Populacional (Censo Animal de Fortaleza)
- População total estimada: 559.508 animais
- Cães estimados: 303.719
- Gatos estimados: 255.789
Como identificar situações de risco?
O coordenador da vigilância em Saúde da Prefeitura de Fortaleza, Josete Malheiro ressalta a importância de observar animais que apresentem sintomas neurológicos sugestivos de raiva ou alteração repentina de comportamento.
Ele alerta que morcego caído, batendo-se ou com dificuldade para voar é um forte indicativo de alteração funcional, assim como encontrar outros animais silvestres como soin, caçote, raposa ou capivara sem equilíbrio ou agindo fora do comportamento natural alerta para possibilidade do animal estar infectado.
Josete diz que jamais se deve tocar ou manusear o animal diretamente com as mãos desprotegidas. O ideal é usar uma pá ou vassoura para empurrar e isolar o animal dentro de um recipiente plástico com gelo ao lado ou dentro para conservar a amostra até o recolhimento, caso esteja vivo ou morto.
O coordenador recomenda ligar para o 156 ou entrar em contato com o agente de endemias do bairro onde o animal com suspeita de raiva seja encontrado. A equipe de vigilância ambiental irá ao local recolher o animal, fazer a triagem e enviar para exame em laboratório.
Pessoas que mantiveram contato, foram mordidas ou arranhadas por animal suspeito devem procurar o serviço de saúde para fazer a profilaxia. Animais domésticos expostos a algum caso suspeito devem ser vacinados, imediatamente. Além disso, a vacina antirrábica de cães e gatos deve ser renovada anualmente.
“Dias D”
Prefeitura planeja dias “D” de vacinação aos sábados, disponibilizando entre 100 e 200 pontos da Cidade. O “3º Dia D” será 17 de outubro e o “4º Dia D” está previsto para 7 de novembro