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FenSeg aproxima mercado segurador e IPT para fortalecer prevenção de catástrofes

Fonte: legismap.com.br | Data: 09/10/2026 04:37:47

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Webinar debateu integração entre ciência, dados e seguros, além da padronização das normas de segurança contra incêndio e da avaliação de riscos climáticos, ambientais e industriais

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A ampliação do diálogo entre o mercado segurador e a comunidade científica pode contribuir para aperfeiçoar a avaliação dos riscos, prevenir perdas e fortalecer a capacidade de resposta a catástrofes. Essa foi uma das principais conclusões do webinar sobre Seguro Patrimonial realizado nesta quinta-feira (8), em parceria entre a Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), a Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) e o Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT).

O encontro reuniu especialistas em segurança contra incêndios e explosões, desempenho de edificações, investigação de acidentes e gestão de riscos naturais, ambientais e industriais. A iniciativa foi resultado de uma aproximação iniciada durante visita de representantes da FenSeg, da CNseg e da Associação Brasileira de Gerência de Riscos (ABGR) às instalações do IPT.

Na abertura, o diretor executivo da FenSeg, Danilo Silveira, destacou o potencial de intercâmbio entre o conhecimento técnico produzido pelo instituto e a experiência acumulada pelas seguradoras na análise e gestão de riscos. Entre as possíveis frentes de cooperação, ele apontou uma agenda considerada estratégica para o país: a harmonização das regras de prevenção e proteção contra incêndios.

“A aproximação com o IPT abre uma importante oportunidade de intercâmbio e troca de experiências. Temos, inclusive, o objetivo de contribuir para a construção de um normativo nacional unificado de prevenção e proteção contra incêndios, o que pode impulsionar a segurança, reduzir perdas e dar mais consistência à avaliação dos riscos”, afirmou Danilo.

Atualmente, as regulamentações de segurança contra incêndio são estabelecidas no âmbito estadual. Embora tenham como prioridade a preservação da vida, a análise do mercado segurador também considera fatores como a proteção do patrimônio, os impactos ambientais, a continuidade das operações e as perdas decorrentes da interrupção das atividades.

Prevenção precisa funcionar na prática

Com mais de 50 anos de atuação em segurança contra incêndio, o IPT acumula centenas de estudos técnicos, milhares de ensaios laboratoriais e de campo e ampla experiência em investigações de grandes ocorrências. No webinar, o engenheiro civil e pesquisador Antonio Fernando Berto apresentou a metodologia adotada pelo instituto para avaliar os diferentes componentes da segurança de uma edificação.

A análise considera desde a prevenção ao surgimento de um foco de incêndio até as medidas de contenção, abandono do local, proteção da vida, redução de danos ao patrimônio e preservação do meio ambiente. Segundo o especialista, os sistemas não devem ser examinados isoladamente, pois a eficácia da proteção depende do funcionamento conjunto de todos os seus componentes.

“A segurança contra incêndio é um problema complexo, que precisa ser dividido em partes sem perder a visão do conjunto. Não basta que os equipamentos estejam previstos ou instalados. É necessário avaliar se foram corretamente projetados, comissionados, mantidos e testados, para que funcionem quando forem necessários”, explicou Berto.

O pesquisador apresentou experiências do IPT na avaliação de extintores, hidrantes, sprinklers, detectores, alarmes, iluminação de emergência, fachadas e coberturas. Os estudos indicam que a conformidade documental deve estar acompanhada da verificação prática das condições de funcionamento dos sistemas.

Para o setor segurador, esse tipo de diagnóstico pode contribuir para aprimorar a subscrição, orientar medidas de prevenção e apoiar empresas na redução da exposição a perdas de grande porte. Também pode favorecer uma análise mais completa dos riscos de interrupção das atividades e dos efeitos que um incêndio iniciado em uma unidade pode provocar em outras operações instaladas no mesmo empreendimento.

Ciência e dados aplicados ao seguro

A diretora de Sustentabilidade da CNseg e moderadora do encontro, Claudia Prates, ressaltou que o avanço da prevenção depende de uma integração cada vez maior entre conhecimento científico, dados e experiência de mercado.

“Precisamos trazer cada vez mais ciência e dados para aprimorar o nosso trabalho. O IPT reúne conhecimento e capacidade técnica que podem apoiar o setor em diferentes frentes, desde a avaliação dos riscos até o desenvolvimento de soluções voltadas à proteção de pessoas, empresas e municípios”, afirmou Claudia.

Durante o webinar, a diretora técnica da Unidade de Habitação e Edificações do IPT, Luciana Oliveira, apresentou a estrutura do instituto e suas atividades em pesquisa, desenvolvimento e inovação. Entre as áreas com maior possibilidade de diálogo com o mercado segurador estão os ensaios de materiais e sistemas construtivos, as inspeções técnicas, o monitoramento de edificações, a avaliação de conformidade e as investigações de incêndios e explosões.

Os laboratórios do instituto realizam testes de componentes e sistemas em diferentes escalas, inclusive ensaios em tamanho real. O objetivo é avaliar o desempenho das soluções nas condições em que serão efetivamente utilizadas, considerando aspectos como segurança estrutural, resistência ao fogo, eficiência energética, estanqueidade, conforto e durabilidade.

Riscos climáticos e novas frentes de proteção

O pesquisador Marcos Jorgino Blanco, do Laboratório de Riscos, Investigações e Gestão Ambiental do IPT, mostrou como o instituto pode atuar em diferentes momentos da gestão de riscos: antes do evento, por meio de análises preventivas; durante uma emergência, auxiliando na redução de danos; e depois da ocorrência, com investigações e recomendações de melhoria.

A intensificação dos eventos climáticos extremos amplia a importância desse trabalho. Ventos fortes, inundações, deslizamentos, secas e incêndios florestais podem afetar edificações, unidades industriais, redes de infraestrutura e cadeias produtivas inteiras. Muitas vezes, as organizações não conhecem integralmente as exposições presentes no entorno de suas operações ou os possíveis efeitos indiretos de uma paralisação.

A cooperação técnica também pode envolver a análise de bases históricas de sinistros, a identificação de tendências e o desenvolvimento de indicadores capazes de apoiar seguradoras e empresas na tomada de decisões. Outros riscos emergentes, como ameaças cibernéticas, segurança de dados e o uso de inteligência artificial, também foram apontados como campos para futuros estudos conjuntos.

Claudia Prates destacou ainda as possibilidades de cooperação na proteção dos municípios. A CNseg mantém iniciativas voltadas à análise de riscos climáticos urbanos e participa de projetos com Curitiba, Porto Alegre, Belo Horizonte e Recife para identificar exposições e avaliar soluções de seguros adequadas às prioridades locais.

Outra frente é a ampliação do acesso da população de menor renda à proteção securitária. A CNseg desenvolve o programa Seguros para Todos os Bolsos, voltado a produtos acessíveis e adequados às necessidades desse público, que muitas vezes está mais exposto aos efeitos de chuvas intensas, enchentes, ventos fortes e deslizamentos.

Para a FenSeg, o webinar representa o início de uma agenda de aproximação capaz de unir a experiência do mercado segurador à capacidade científica e tecnológica do IPT. A expectativa é avançar na identificação de projetos que fortaleçam a prevenção, qualifiquem a avaliação dos riscos e ampliem a resiliência de pessoas, empresas e cidades diante de eventos extremos.

Fonte: FenSeg, em 08.10.2026